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Falta de chips persiste, mas fica menos grave por conta de desaceleração da economia global

Algumas companhias, no entanto, continuam sofrendo com falta de peças e interrompendo suas produções

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Edição invistaja.info e MarketMsg

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Um ano e meio após a primeira fábrica parar no Brasil por falta de semicondutores, a escassez desse e de outros itens segue como principal gargalo de produção das indústrias, mas sem o impacto de antes. Enquanto as fábricas de carros reativam turnos, o número de empresas de eletrônicos obrigadas a parar parte da produção é o menor desde que os chips começaram a faltar no mercado.

Após retomar, em setembro, os trabalhos em período integral no ABC paulista, onde tinha reduzido por dois meses jornada e salários, a Volkswagen voltará a produzir neste mês em dois turnos no Paraná. Os trabalhadores que tiveram contratos suspensos em maio foram chamados de volta para a produção do SUV T-Cross.

Nas fábricas de aparelhos eletroeletrônicos, como celular, notebook e TVs, só 2% pararam parcialmente a produção em agosto por falta de componentes, segundo a Abinee, associação que representa o setor. Desde fevereiro de 2021, é o menor porcentual de empresas parando parte da produção.

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Isso não significa que as dificuldades ficaram para trás. A exemplo do que fez de 15 a 23 de setembro, a Honda suspenderá novamente, nesta segunda-feira, a produção em Itirapina (SP), por 12 dias. Em Resende (RJ), a Nissan parou a produção na semana passada porque não tinha peças suficientes.

O levantamento feito pela Abinee mostra que 47% das fábricas de eletrônicos ainda têm atrasos na produção por falta de chips. Em meados de 2021, quase metade das montadoras parou, e quatro meses atrás mais da metade das fábricas de eletrônicos tinham a produção prejudicada.

Desaceleração global melhora abastecimento

A melhora no abastecimento está relacionada à desaceleração da economia global, que diminui o desequilíbrio entre oferta e demanda, permitindo o deslocamento de peças ao Brasil. Após a reabertura do porto de Xangai, fechado por dois meses, a produção de veículos no Brasil também subiu e, em agosto, foi a maior em 21 meses.

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No setor de eletroeletrônicos, o estoque de insumos foi reforçado para a produção da Black Friday e do Natal. O total de fábricas com estoque abaixo do normal é o menor em dois anos. Humberto Barbato, presidente da Abinee, não vê risco de faltar produtos.

“As empresas tentam contornar o problema dos semicondutores com estoques maiores, mas isso significa aumento de custos, principalmente com os juros em alta”, diz. “A sensação é de que o pior ficou para trás do lado do abastecimento, mas vamos ver como o mercado vai se comportar (com o crédito mais caro).”

Impacto da crise nos componentes

Os automóveis cada vez mais dependem de semicondutores. A participação já está em 40%, o dobro do que era há duas décadas, segundo a consultoria Deloitte.

A maioria das inovações automotivas depende de sistemas eletrônicos comandados por chips, espécie de nanocomputadores que abrigam vários circuitos integrados.

A produção dos componentes que abastecem indústrias do mundo se concentra na China, na Coreia do Sul e em Taiwan.

Nos primeiros meses da pandemia, as fábricas foram fechadas para evitar contaminações, o que levou as montadoras a suspender encomendas. Além disso, o maior número de trabalhadores em home office e de crianças fora da escola levou a um boom nas vendas de eletroeletrônicos como computadores, celulares, laptops, câmeras e fones de ouvido e redirecionou a produção.

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