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Edição MarketMsg e invistaja.info
palavras-chave: A China está na Copa do Mundo, e você pode nem ter se dado conta; invistaja.info;
A China disputou sua única Copa do Mundo em 2002. Ainda assim, é possível que as duas últimas edições do torneio tenham representado o maior momento de exposição chinesa em Mundiais. Se não pelo futebol, ao menos quando o assunto são as empresas do país asiático, nada se compara aos investimentos agressivos feitos na Rússia, em 2018, e no Catar, em 2022.
Dados da agência de mídia Zenith apontam que companhias chinesas investiram cerca de US$ 835 milhões em publicidade e patrocínio na Copa do Mundo da Rússia — o equivalente a cerca de 35% do total global. Em 2022, no Catar, a consultoria GlobalData estimou os aportes chineses em US$ 1,395 bilhão, mais do que os US$ 1,1 bilhão investidos por marcas dos Estados Unidos.
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Os gastos na última Copa do Mundo fizeram da China, pela primeira vez, a maior fonte de patrocínio do torneio. Tudo isso faz parte de uma estratégia coordenada do país para posicionar fabricantes locais no imaginário de consumidores muito além de suas fronteiras.
A Lenovo, uma das principais patrocinadoras globais da Copa do Mundo de 2026, fornece tecnologias já usadas nas partidas. As simulações 3D quase em tempo real exibidas nas transmissões quando um jogador está em posição de impedimento, por exemplo, são desenvolvidas pela multinacional chinesa.
A solução baseada em inteligência artificial é apenas uma das parcerias entre Lenovo e Fifa envolvendo IA nesta edição. O Football AI Pro, por exemplo, é um agente disponibilizado para que todas as seleções do torneio possam fazer análises avançadas no pré e no pós-jogo.
Além da Lenovo, a fabricante de eletrodomésticos e televisores Hisense é outra empresa chinesa que patrocina oficialmente o evento neste ano. A marca aparece em ações de branding e em telas integradas ao sistema de árbitro de vídeo e é parceira da Fifa desde 2018.
“A virada começou por volta de 2015, quando patrocinadores ocidentais tradicionais — como Sony, Emirates, Continental e Castrol — abandonaram a Fifa em meio ao escândalo de corrupção da entidade. As empresas chinesas ocuparam o vácuo”, afirma o especialista em negócios entre Brasil e China Theo Paul Santana.
Naquele mesmo ano, a China lançou a estratégia industrial Made in China 2025. O país queria deixar para trás o estigma de produtor de tecnologias baratas — muitas vezes para grandes marcas internacionais — e se estabelecer como exportador de marcas altamente tecnológicas.
hotWords:dado China pode está
Os investimentos seriam concentrados, principalmente, em setores como carros elétricos, novas energias, tecnologia da informação, telecomunicações de última geração, robótica avançada e inteligência artificial. A meta era alcançar 70% de autossuficiência em indústrias de alta tecnologia e, até 2049, conquistar uma posição dominante nos mercados globais.
“Patrocinar uma Copa do Mundo serve exatamente a esse propósito. Quando uma marca aparece repetidamente diante de bilhões de pessoas, ela deixa de ser desconhecida e passa a fazer parte do imaginário coletivo”, diz Santana. Basta observar as companhias que apoiam oficialmente a Fifa para entender a relação entre esses patrocínios e a estratégia industrial chinesa.
Neste ano, fecha a lista de patrocinadoras oficiais chinesas da Fifa a fabricante de laticínios Mengniu Dairy. A marca esteve nas edições de 2018 e 2022 e fechou parcerias com os craques Kylian Mbappé e Lionel Messi, que estiveram em lados opostos na final do último torneio, disputada entre França e Argentina. As vendas internacionais da companhia subiram 70% no semestre seguinte à vitória da seleção argentina.
De acordo com Santana, quando um jogador europeu ou sul-americano promove uma marca chinesa, ele reduz a distância psicológica entre a empresa e o consumidor global. “A mensagem é clara: essa marca não quer ser apenas chinesa. Ela quer ser mundial.”
Mais do que ampliar visibilidade, a ideia é posicionar essas companhias no topo da indústria tecnológica de ponta. Em comparação com as duas Copas anteriores, quando o número de empresas chinesas patrocinando diretamente a Fifa era até maior, analistas avaliam que as parceiras hoje operam muito mais como fornecedoras de infraestrutura e menos como compradoras de painéis de publicidade.
Mercado interno
Além da exposição internacional, a China também olha para o consumo interno. Apesar do mau desempenho da sua seleção nacional, o futebol é extremamente popular no país. Na Copa de 2022, 1,16 bilhão de pessoas se engajaram no torneio, à frente da Índia, com 745 milhões.
“Para uma marca chinesa, aparecer ao lado do escudo da Fifa funciona como um selo de confiança em duas frentes ao mesmo tempo”, aponta Santana. “Lá fora, constrói reconhecimento em mercados onde ela ainda é desconhecida. Dentro da China, sinaliza status numa disputa acirrada entre rivais domésticos.”
Acontece que, apesar de ter um dos maiores mercados consumidores do mundo, a população chinesa é altamente poupadora — seja para educação, segurança, saúde, aposentadoria ou compra de imóveis. “Essa lógica ajuda a explicar por que o consumo doméstico, embora gigantesco em números absolutos, ainda tem um peso relativamente baixo dentro da economia”, conta o especialista.
Ele aponta, por exemplo, para o fato de que o consumo das famílias gira em torno de 39% do PIB chinês, muito abaixo da média global, em torno de 63%. O país responde por quase 30% de toda a manufatura mundial, mas absorve próximo de 18% desse volume. O excesso de capacidade produtiva, portanto, precisa ser vendido para fora.
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REFLEXÃO: Michael Batnick, gestor de patrimônios da Ritholtz: Evitar erros catastróficos é mais importante do que construir o portfólio perfeito.
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