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Ações brasileiras podem “vencer o Fed” e oferecem até 30% de upside, diz Bradesco BBI

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Edição MarketMsg e invistaja.info

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O recente ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos não deve, por si só, comprometer o desempenho das ações brasileiras, segundo relatório do Bradesco BBI. Intitulado “Guilty by Association – How Brazil Can Beat the Fed”, ou “Culpado por associação – como o Brasil pode superar o Fed”, em tradução livre, o banco argumenta que a relação tradicional entre alta de juros americanos e queda dos mercados emergentes, o que inclui o Brasil, não encontra respaldo histórico consistente.

De acordo com os estrategistas Pedro Grimaldi e Ben Laidler, do BBI, a performance do mercado acionário brasileiro durante ciclos de alta de juros do Federal Reserve depende menos do nível das taxas e mais da trajetória do dólar. A análise dos ciclos de aperto de 2004, 2015 e 2022 mostra que o MSCI Brazil apresentou retornos médios de -16,5% nos seis meses antes dos aumentos, +86% durante o ciclo e +11% após o fim das altas.

No entanto, esses números ocultam diferenças relevantes relacionadas ao comportamento da moeda americana. Em 2004, por exemplo, a depreciação do dólar estimulou commodities e impulsionou o índice brasileiro em cerca de 180% durante o ciclo. Já em 2022, com o dólar mais forte, o MSCI Brazil recuou 11%.

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Diante disso, o banco ressalta que “nem todos os ciclos de aperto do Fed são iguais” e sustenta que o cenário atual pode ser mais benigno para ativos de risco. Apesar da reprecificação recente da curva de juros nos EUA, impulsionada por temores inflacionários e eventos geopolíticos, o BBI não espera um ciclo prolongado de aperto monetário e vê espaço para um dólar mais estável, o que tende a beneficiar mercados emergentes.

Brasil segue favorito na América Latina

Dentro desse contexto, o Bradesco BBI mantém recomendação overweight (exposição acima da média) para o Brasil, apontando o país como sua principal escolha na América Latina. Para os estrategistas, a recente queda dos ativos brasileiros parece ter exagerado os fundamentos, abrindo espaço para valorização relevante.

O banco estima um potencial de alta (upside, na sigla em inglês) de cerca de 30% para a Bolsa brasileira, sustentado por três pilares principais: valuations atrativos, melhora de lucros corporativos e dinâmica doméstica mais favorável.

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Atualmente, o Brasil negocia com o menor múltiplo preço/lucro projetado entre os principais mercados globais, o que reforça sua atratividade relativa.

Outro ponto central do relatório é a mudança de catalisadores para o mercado brasileiro ao longo de 2026. Após um primeiro semestre dominado por fatores macro globais, como juros americanos e geopolítica, Grimaldi e Laidler projetam uma transição para uma dinâmica mais doméstica no segundo semestre.

Entre os vetores locais, o banco destaca o ciclo de juros no Brasil. Historicamente, o desempenho do mercado acionário é mais robusto quando o Banco Central está em fase de corte de juros: o retorno médio do MSCI Brazil praticamente dobra nesses períodos em comparação a ciclos de alta.

Além disso, os lucros das empresas brasileiras têm surpreendido positivamente. O relatório aponta revisões para cima de cerca de 25% nas estimativas de lucro por ação em 2025, com destaque para setores ligados ao consumo doméstico, que registraram forte crescimento. Embora parte desse movimento seja explicada por commodities, como petróleo e energia, os analistas ressaltam que há sinais consistentes de melhora mais disseminada nos resultados corporativos.

Em termos de posicionamento, o Bradesco BBI recomenda uma estratégia de portfólio em “barbell”, combinando exposição a empresas de alta qualidade com valuations atrativos e apostas mais cíclicas, sensíveis a juros e ao mercado doméstico.O banco também destaca oportunidades pontuais após a recente correção, citando casos como Rede D’Or (RDOR3), negociando a múltiplos considerados atrativos no longo prazo.

Entre os principais pontos de atenção estão a evolução da política monetária nos EUA, eventuais movimentos mais fortes do dólar, além de fatores domésticos como o ciclo eleitoral e as expectativas para a política fiscal e de juros no Brasil.

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