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Além do petróleo: as ações e os setores da B3 mais impactados pelo acordo EUA-Irã

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Edição invistaja.info e MarketMsg

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Apesar das incertezas em torno do acordo de paz firmado na semana passada entre Estados Unidos e Irã, os desdobramentos sobre um desfecho para o conflito seguem no radar e impactando o mercado. Neste sentido, o Goldman Sachs avaliou os potenciais impactos de um eventual entendimento definitivo sobre as ações dos setores de energia, transporte e infraestrutura na América Latina.

Na visão da equipe de analistas liderados por Bruno Amorim, a perspectiva de uma redução das tensões geopolíticas já ajudou a aliviar a pressão sobre os juros dos mercados emergentes na última semana, embora esse movimento tenha sido parcialmente neutralizado pela postura mais dura do Federal Reserve (Fed), que reforçou preocupações com a possibilidade de novos aumentos de juros nos Estados Unidos.

Ainda assim, as bolsas de mercados emergentes mostraram resiliência. Desde 12 de junho, as ações desses mercados acumulam alta de cerca de 5%, impulsionadas pelo anúncio do acordo preliminar entre EUA e Irã e pela queda dos preços do petróleo. Para o Goldman, como diversos segmentos ainda negociam abaixo dos níveis observados antes do início do conflito, há espaço para a continuidade do movimento de recuperação.

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O banco ainda destacou os setores, além de petróleo e gás, que podem ser afetados pelo acordo:

Produtores de petróleo

O banco destaca que os preços do Brent recuaram de forma significativa nas últimas semanas, mas permanecem acima dos níveis registrados no início do ano. O contrato de primeiro vencimento caiu cerca de US$ 33 por barril nos últimos 30 dias, enquanto os contratos de dois anos, utilizados como referência para a avaliação das ações, recuaram cerca de US$ 6 por barril.

Segundo o Goldman Sachs, aproximadamente um terço da alta acumulada pelo petróleo em 2026 foi devolvida no último mês, movimento que também se refletiu nas ações do setor. Em média, os papéis das produtoras sob cobertura acumulavam valorização de cerca de 50% no ano há um mês e agora avançam cerca de 33%.

Apesar da correção recente, o banco avalia que as ações continuam descontadas. Os analistas ressaltam que os papéis com recomendação de compra estão precificando um Brent ao redor de US$ 65 por barril, abaixo dos cerca de US$ 72 por barril indicados pela curva futura de dois anos.

O Goldman projeta ainda rendimento de fluxo de caixa livre (FCF yield) de 17% para a Petrobras (PETR3; PETR4) e de 25% para a PRIO (PRIO3) em 2027, considerando um Brent próximo de US$ 74 por barril. Já a Vista Energy negocia a apenas 3,4 vezes o valor da empresa sobre EBITDA (EV/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) estimado para 2027.

Embora reconheça que a correção possa continuar caso os preços do petróleo sigam em queda, o banco destaca que as ações podem voltar a ganhar força em um cenário de nova escalada do conflito e que os atuais níveis de negociação parecem atrativos quando comparados às cotações futuras da commodity.

Distribuidoras de combustíveis

O Goldman Sachs destaca que a rentabilidade das distribuidoras de combustíveis aumentou em março devido a uma vantagem competitiva gerada por preços subsidiados da Petrobras, enquanto importadores não teriam aderido totalmente ao programa de subsídios.

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Esse cenário favoreceu grandes distribuidoras com maior dependência da Petrobras (fonte mais barata versus importação). Um acordo entre EUA e Irã poderia reduzir os preços de combustíveis importados, diminuindo essa vantagem e pressionando margens.

Apesar disso, os analistas ressaltam que os fundamentos permanecem relativamente favoráveis. Os spreads do diesel e os preços do Brent ainda acumulam forte alta no ano, preservando uma vantagem de custo relevante para o diesel produzido localmente. Além disso, Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) negociam a múltiplos considerados atrativos, de cerca de 7,9 vezes e 7,6 vezes o lucro projetado para 2027, respectivamente.

O Goldman também destaca que uma eventual queda dos juros no Brasil poderia compensar parte da pressão sobre as margens por meio de uma reprecificação positiva das ações do setor.

Utilities

Para o setor de utilities no Brasil, o Goldman Sachs avalia que uma desescalada das tensões geopolíticas pode gerar benefícios relevantes por meio da redução do custo de capital e de financiamento. Nesse contexto, companhias com maior duration, como Sabesp (SBSP3), Equatorial (EQTL3) e Energisa (ENGI11), tendem a ser algumas das principais beneficiadas em um cenário de normalização dos juros, combinando potencial de valorização com baixo risco de demanda.

O banco destaca ainda que o setor pode atrair fluxo para ações domésticas de maior liquidez. No caso de Equatorial e Energisa, os analistas observam que as companhias operam com níveis mais elevados de alavancagem, entre 3,8 vezes e 4 vezes a relação dívida líquida/EBITDA, e possuem entre 70% e 80% de suas dívidas indexadas ao CDI, o que amplia a sensibilidade a movimentos de queda das taxas de juros.

Segundo o relatório, os juros reais de longo prazo no Brasil permanecem cerca de dois pontos percentuais acima da média histórica. Caso haja uma normalização desse cenário, ações com maior duration e alavancagem poderiam apresentar potencial de valorização entre 20% e 30%, além de oferecer um carrego anual próximo de 12%, mantendo um perfil de risco relativamente baixo.

Transporte e infraestrutura

No segmento de transporte e infraestrutura, o Goldman Sachs acredita que um ambiente de menor tensão geopolítica tende a favorecer as empresas por meio da redução das expectativas de inflação e da queda dos rendimentos dos títulos públicos, fatores que contribuem para diminuir o custo de capital.

Entre os destaques, o banco cita os aeroportos mexicanos ASUR, GAP e OMA, que combinam crescimento estrutural com um ambiente regulatório considerado favorável à preservação dos retornos. Já as companhias aéreas AERO, Copa Holdings e LATAM Airlines podem se beneficiar tanto da redução dos custos de combustível quanto de um ambiente mais favorável para a demanda.

No Brasil, a Rumo (RAIL3) tende a ganhar com juros mais baixos devido ao seu perfil de longo prazo e ao elevado volume de investimentos. Por outro lado, o banco pondera que a queda do preço do diesel pode aumentar a competitividade do transporte rodoviário.

A Localiza (RENT3), por sua vez, aparece como uma das potenciais beneficiárias de um cenário de queda da Selic, graças à redução dos custos de financiamento, à expansão dos retornos sobre o capital investido e a uma possível reprecificação positiva das ações.

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REFLEXÃO: Bill Mann, da Motley Fool Asset Management: Busque investir em conjunto com grandes gestores, depois, é só ser paciente.

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