As 5 maiores baixas e as 5 maiores altas do Ibovespa no mês de agosto

Ações da CSN caíram mais de 20% no mês, sendo seguidas por Via e Ultrapar; já ativos da Embraer foram o grande destaque de alta do período
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Edição invistaja.info e MarketMsg

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CSMG3 | Liq.2meses: 26270100.0 | P/L: 5.53 | DY: 0.2025 | P/Cap.Giro: 9.49 | ROE: 0.1421 | Cresc.5anos: 0.0815

BRASIL | invistaja.info — O Ibovespa registrou queda pelo segundo mês seguido, encerrando o mês de agosto com perdas de 2,48%. Além dos riscos fiscais que rondam o cenário doméstico, a queda das commodities em meio ao aumento da regulamentação da China e os dados mais fracos do gigante asiático levaram a algumas das maiores baixas do índice no mês.

Já entre as altas, alguns sinais de recuperação de resultados para algumas companhias levaram a ganhos, ainda que mais modestos em relação às baixas. Confira os destaques do Ibovespa no mês de agosto:

Maiores baixas

+Ações de Vale e siderúrgicas caem com minério e dados da China; Petrobras tem baixa de 3% e bancos amenizam alta

1. CSN (CSNA3, R$ 34,86, -21,21%)

Ainda que registrando alta ainda expressiva no ano, de cerca de 18%, as ações da CSN acabaram fechando agosto com perdas expressivas, na esteira do sentimento mais negativo do mercado com relação a commodities como minério de ferro e aço, tanto por conta da regulação da China no mercado quanto pelos dados apontando desaceleração da atividade do gigante asiático.

Em agosto, a cotação do minério spot no porto de Qingdao, com pureza de 62%, teve baixa acumulada de 15,4%, segundo dados da Fastmarkets MB, fechando o mês a US$ 153,67 a tonelada. Assim, zerou os ganhos do ano, registrando baixa acumulada de 4,2% no período.

Nesse cenário, analistas passaram a revisar as suas preferências para as siderúrgicas, incluindo a CSN. Em meados do mês, o Itaú BBA revisou as suas projeções para as ações do setor de mineração e siderurgia Vale (VALE3), Gerdau (GGBR4), Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3). Eles também incorporaram os resultados de segundo trimestre, novas projeções de PIB e câmbio e uma expectativa de maior custo de capital para as companhias.

Os analistas apontam que, “apesar da média estimada por eles para o minério de ferro em 2021 ter subido levemente de US$ 150 a tonelada para US$ 170 a tonelada, vemos um cenário desafiador para a commodity, destacando os dados recentes indicando queda na produção de aço na China”. Para eles, as perspectivas de valorização da CSN e da Usiminas não representam proposições atraentes de risco e recompensa. Assim, o banco reduziu a recomendação para ambos os papéis de outperform para market perform (perspectiva de valorização dentro da média do mercado).

Leia também:

Da disparada à forte queda: o que esperar para as ações de Vale, CSN Mineração e siderúrgicas com o “novo cenário” para o minério?Itaú BBA reduz recomendação de ações de CSN e Usiminas para neutro; banco mantém compra para Vale e Gerdau

Mas a avaliação não é unânime: o Credit se mantém “seletivamente construtivo” no setor de materiais básicos (que compreende mineradoras, siderúrgicas, papel e celulose), preferindo ações de siderúrgicas como CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5) aos papéis de mineradoras.

2. Via (VIIA3, R$ 10,39, -17,47%)

O ano não está sendo fácil para as ações de empresas expostas ao e-commerce e, dentre elas, está a Via que, por mais um mês, registra queda expressiva de seus ativos, acumulando baixa de mais de 30% no acumulado de 2021.

Os nomes de e-commerce/tecnologia foram os que mais sofreram no setor de varejo no mês, sendo um grande tópico de discussões com investidores após a temporada de resultados para as companhias. Isso num contexto em que o segmento é altamente correlacionado com o panorama econômico (principalmente taxas de juros) e confiança do consumidor e, neste cenário, os papéis têm tido uma dinâmica desafiadora.

Mas, além do cenário macro, a competição mais acirrada tem sido uma preocupação crescente no segmento, já que os lucros divulgados recentemente mostraram margens pressionadas e comissões menores, aponta a XP, enquanto empresas internacionais como Amazon e Shopee continuam investindo fortemente no país.

No caso da Via, a companhia divulgou seus resultados no último dia 12, com analistas se mostrando divididos entre otimismo e ceticismo com a ação. A dona das Casas Bahia e do Ponto registrou alta de 103% em seu lucro líquido do segundo trimestre na comparação com o mesmo período de 2020, para R$ 132 milhões, sustentada pelo forte crescimento no comércio eletrônico por conta do isolamento social.

A companhia, dona das redes Casas Bahia e Ponto, teve receita bruta no conceito GMV [volume bruto de mercadorias] de R$ 11,4 bilhões, um avanço de 51% ante o segundo trimestre do ano passado. Segundo a empresa, cerca de 65% do GMV vieram das vendas digitais, que corresponderam a cerca de R$ 7,5 bilhões, incremento de 35,7% na base anual. Contudo, o GMV online cresceu 20% na base anual (decepcionando em 4 pontos a estimativa do Morgan Stanley, por exemplo).

Conforme aponta a XP, a varejista reportou resultados mistos, com uma forte performance no marketplace (3P) , mas lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) pressionado por maiores despesas operacionais.

Leia mais: O que os últimos resultados trouxeram de sinais para Americanas, Via e Magazine Luiza, em forte queda na Bolsa em 2021?

Os analistas da XP destacaram como positivos diversas iniciativas e indicadores no seu release de resultados, mas apontaram a concorrência ainda como uma questão, mantendo recomendação neutra para os ativos.

Já o Credit Suisse possui recomendação equivalente à compra para os ativos, com preço-alvo de R$ 24. A equipe de análise aponta que, nesta fase, ainda vê opiniões divergentes dos investidores sobre a disposição para precificar a transformação digital da Via e sua capacidade de amadurecer / dimensionar sua plataforma de mercado. Porém, ressalta que o segundo trimestre de 2021 foi o sétimo consecutivo de resultados decentes, combinando um ritmo de crescimento robusto com níveis saudáveis ​​de lucratividade. Assim, com a combinação de um bom nível de execução e o valuation atual, os analistas do Credit seguem otimistas com o case de investimentos.

3. Ultrapar (UGPA3, R$ 14,44, -17,25%)

Além de um resultado considerado bastante fraco, com os papéis caindo 12% no pregão após o balanço, mais um vetor negativo esteve afetando a cotação da Ultrapar no mês de agosto.

Sobre o balanço, a companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 290 milhões no segundo trimestre, valor abaixo da projeção dos analistas consultados pela Refinitiv, que, em média, esperavam lucro de R$ 329,6 milhões.

O resultado, porém, não inclui o efeito de uma baixa contábil realizada na rede de farmácias Extrafarma, que teria levado a um prejuízo de R$ 18 milhões. A empresa afirmou no balanço que baixa contábil na Extrafarma registrada no segundo trimestre foi de R$ 395 milhões, sem efeito caixa. O grupo acertou a venda da rede de farmácias para a Pague Menos em maio, por R$ 700 milhões.

Após o balanço, o Bradesco BBI cortou a recomendação da ação para neutra, com redução do preço-alvo de R$ 26 em 2021 para R$ 21 para 2022. “Embora a indústria tenha sido impactada pelas medidas de restrição e aumento do preço do combustível da Petrobras no trimestre, a perda na Ipiranga foi significativamente maior quando comparada ao segundo trimestre de 2021 do seu concorrente”, disseram os analistas.

O volume comercializado na rede de postos apresentou crescimento de 4% em relação ao primeiro trimestre, mas a margem Ebitda ficou bem abaixo do projetado. Também segundo o Itaú BBA, no quesito Ebitda/m3 de combustível, métrica muito usada no segmento, a companhia alcançou R$ 52/m3 em termos ajustados, inferior à estimativa de R$ 93/m3.

Mas, além do balanço, o noticiário mais incerto sobre as consequências de comprar uma refinaria da Petrobras (PETR4;PETR4) estão no radar.

A Ultrapar e Petrobras têm até o final de outubro (prazo estipulado pelas autoridades de defesa da concorrência do Brasil) para negociar os termos finais da aquisição da REFAP (Refinaria Alperto Pasqualini). Até então, o negócio não está fechado, pois a Ultrapar poderia desistir da aquisição sem pagar multas.

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Conforme destaca o BBI, a Ultrapar continua comprometida com o processo de aquisição, e os relatos mais recentes da mídia especularam que a companhia compraria a REFAP por US$ 1,2 bilhão (contra a avaliação justa da casa de US$ 1,6 bilhão, que não pressupõe a Ultrapar implementando potenciais melhorias futuras).

Porém, para os analistas, embora tenham argumentado no passado que possuir um ativo de refino no Brasil poderia agregar valor para a Ultrapar, e ainda acreditem na tese, o cenário político está mudando no Brasil e o resultado da eleição presidencial de 2022 permanece altamente incerto, na avaliação deles.

“Dependendo do resultado da eleição, a criação de valor a partir do REFAP pode ser materialmente mais difícil, especialmente se a venda da REPAR (refinaria do Paraná), pela Petrobras, não se concretizar. Se a ‘Petrobras do futuro’ decidir vender mais barato gasolina e diesel no mercado brasileiro, a área de influência da REFAP pode ser afetada, especialmente se a REPAR permanecer sob o controle da Petrobras”, apontam os analistas.

Assim, mesmo se a Ultrapar pudesse negociar os termos pelos quais a “Petrobras do futuro” reembolsaria a REFAP pelos danos causados por dumping, ainda haveria alguma incerteza se um futuro governo honraria tal compromisso.

Na avaliação dos analistas, a menos que esse governo apareça com uma solução sustentável para os preços dos combustíveis no Brasil – dentre elas, a criação de um fundo de estabilização do qual as refinarias são devidamente pagas mesmo em períodos de incerteza -, a aquisição da REFAP trará considerável volatilidade às ações da Ultrapar em 2022. Enquanto isso, uma possível venda bem-sucedida pela Petrobras da REPAR também ajudaria a mitigar riscos potenciais para a REFAP no futuro. Veja mais clicando aqui.

4. Qualicorp (QUAL3, R$ 21,37, -17,01%)

Os resultados tiveram forte impacto para a ação da Qualicorp. No pós-balanço – mais precisamente, no dia 11 de agosto – os ativos despencaram mais de 15%.

A empresa líder no Brasil na comercialização, administração e gestão de planos de saúde coletivos por adesão e empresariais teve queda no lucro do segundo trimestre, refletindo maiores despesas financeiras e com campanhas de vendas. O lucro de abril a junho somou R$ 90,3 milhões, baixa de 28,4% contra um ano antes. Embora tenha tido crescimento de 6,9% ano a ano da receita líquida, a R$ 517,2 milhões, isso veio às custas de maiores despesas com itens como marketing.

Mas o grande destaque ficou para o índice de cancelamento dos clientes (churn), bastante alto: a estimativa dos analistas era de 10,6%, mas o dado efetivo foi de 11,6%. O dado foi consequência do reajuste de planos de saúde aplicado no começo deste ano após a suspensão em 2020, e que resultou em aumento de preços médio de 23% para a base de clientes.

Em teleconferência, a companhia destacou que o reajuste nos planos de saúde por adesão, aplicado no segundo trimestre, levou ao cancelamento de 138,2 mil convênios médicos na Qualicorp, uma alta de 71% na base anual. Da elevação de 23,2%, uma fatia de 14,8% é referente ao reajuste do ano passado, que foi adiado para 2021.

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Após o resultado, o Credit Suisse reduziu a recomendação para as ações de equivalente à compra para equivalente à neutra cortando o preço-alvo de R$ 34 para R$ 27. Os analistas destacaram que o risco do negócio subiu com as perdas líquidas de beneficiários, apesar das fortes adições brutas e um fluxo de caixa livre surpreendentemente negativo no trimestre (R$ 197 milhões), o que contrastou com a tese do fluxo de caixa.

Além disso, não haveria gatilhos para reverter a perspectiva, já que o churn alto deve prosseguir no terceiro trimestre com os reajustes de preços em função da sazonalidade dos contratos e a normalização a partir dos últimos três meses do ano, que ainda não está clara.

5. Iguatemi (IGTA3, R$ 34,19, -16,26%)

Apesar de registrar números do segundo trimestre relativamente positivos, os papéis da Iguatemi tiveram queda expressiva em agosto.

Sobre os resultados, a companhia, dona de 14 shopping centers, dois outlets e três torres comerciais, apresentou lucro líquido de R$ 279 milhões no segundo trimestre de 2021, montante seis vezes maior do que no mesmo período de 2020.

O Ebitda  atingiu R$ 108,9 milhões, recuo de 5,4% na mesma base de comparação. A margem Ebitda diminuiu 7,6 pontos porcentuais, para 63,9%. A receita operacional líquida totalizou R$ 170,3 milhões, aumento de 5,8%.

O Fluxo de Caixa Operacional (FFO) registrado no trimestre foi de R$ 317,7 milhões, que representa um aumento de 279,3% na comparação anual.

“O segundo trimestre de 2021 foi marcado pela retomada das operações dos shoppings do Iguatemi, após o lockdown imposto por conta da segunda onda da pandemia da Covid-19. Com a retomada das atividades em todos os empreendimentos e a ampliação dos horários de funcionamento, a capacidade de utilização aumentou de 16% no final do primeiro trimestre para 92% em junho”, destaca a Levante Ideias de Investimentos.

Segundo os analistas, os resultados mais fortes apresentados pela companhia nos últimos 2 meses do trimestre e o avanço da vacinação ao longo do semestre proporcionam um cenário otimista conforme o alívio das restrições remanescentes em algumas operações como cinemas, restaurantes e praça de alimentação bem como para suportar o aumento no fluxo de clientes ao longo do ano aumentam.

Por outro lado, no último dia do mês, o Bank of America reduziu a recomendação para a ação da Iguatemi de compra para neutra, mesmo destacando o portfolio de alta qualidade da companhia.

Segundo os analistas do banco americano, a reestruturação atual “obscurece” o cenário à frente, em referência ao anúncio  em julho de reorganização societária com a Jereissati Participações ([ativo=JPSA3]).

O plano envolve a criação de ações PN e a incorporação da IGTA3 pela holding JPSA3, em uma nova empresa a se chamar Iguatemi SA. O motivo da reestruturação é a perspectiva de fusões e aquisições a serem realizadas no mercado mais adiante, em meio a um cenário de forte potencial de consolidação do setor. Como resultado, a Iguatemi deixará de ser membro do Novo Mercado (que conta com os mais elevados padrões de governança para companhias abertas).

Leia também: Reorganização de Iguatemi e Jereissati pode destravar valor, mas analistas questionam governança corporativa

“A Iguatemi falou ao mercado sobre a ideia de poder fazer aquisições pós-Covid já que o setor de shoppings brasileiro ainda é bastante fragmentado. O processo está previsto para ser concluído em novembro e, até então, conforme novas etapas de negociação sejam concluídas (como, por exemplo, o prêmio a ser pago aos acionistas minoritários), os analistas esperam ver algum overhang [excesso de ações no mercado], também provavelmente relacionado à decisão de sair do Novo Mercado e sobre a nova estratégia de fusões e aquisições”, apontam os analistas.

Confira as maiores baixas do Ibovespa em agosto:

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REFLEXÃO: Michael Kitces, conselheiro financeiro: Invista pensando no longo prazo, não especule, mas, não ignore as flutuações do mercado.

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