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Azzas venderá Hering? Movimento da família entra no radar, mas transação é improvável

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Edição invistaja.info e MarketMsg

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Novas vendas no radar? De acordo com informações do Pipeline, do Valor, um grupo de acionistas da Azzas 2154 (AZZA3), que representa cerca de 11% do capital da companhia e é capitaneado pela família Hering, quer a marca de volta e teria contratado o banco BR Partners para a interlocução.

A Hering foi vendida ao Grupo Soma por R$ 5,5 bilhões em 2021, antes de o Grupo Soma se fundir com a Arezzo para criar a Azzas 2154 em 2024. As operações foram lideradas por membros da família Hering por quase 145 anos até 2025, quando Thiago Hering deixou o grupo.

Conforme a reportagem, a família Hering e potenciais investidores associados estariam abertos a uma proposta de compra integral da marca e de suas operações, ou a um arranjo no qual, por meio de uma cisão das operações, passariam a deter uma participação maior na Hering. Não houve comunicados oficiais das partes sobre o assunto.

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Na visão do JPMorgan, dado o atual cenário complexo na Azzas 2154, em meio à arbitragem existente entre os dois principais acionistas, a empresa pode avaliar todas as opções.

“Em nossa visão, esse possível movimento relatado pela família Hering pode ter sido desencadeado pelo anúncio da empresa na semana passada de que está estudando alternativas estratégicas – incluindo a possível venda – para a Farm Rio, a ‘joia da coroa’ da Azzas, o que sugere que a venda de ativos pode estar sendo considerada”, avaliam os analistas que assinam o relatório.

Probabilidades baixas

Dito isso, a análise desse movimento ocorre sob duas perspectivas diferentes para a Azzas: de um lado, um fator de distração e um ativo de baixo desempenho passando por um longo processo de recuperação (turnaround); de outro, uma potencial alavanca de valor com sinergias do grupo. “Mantemos a segunda visão e acreditamos que tal negócio só é provável se for dispendido um prêmio relevante sobre o que consideramos ser o valor justo do ativo”, apontam.

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A Hering é vista como um ativo maduro de varejo de vestuário, com crescimento de vendas limitado (CAGR, ou Taxa de Crescimento Anual Composta, de 3 e 10 anos de cerca de 4% e 8%, respectivamente) e passando por um longo processo de recuperação, com desempenho de vendas ao consumidor final (sell-out) errático desde 2011-2012. Por outro lado, existem sinergias na gestão de franquias com as antigas operações da Arezzo.

O banco acredita que se trata de um ativo com baixa probabilidade de venda, uma vez que (1) a companhia está mais integrada ao grupo Azzas como um todo do que a Farm, ao passo que (2) a administração enxerga espaço para destravar valor por meio de uma execução melhor e mais integrada. Enquanto isso, a principal alavanca de criação de valor da Farm provavelmente reside no exterior, onde as sinergias com o restante do grupo são limitadas ou inexistentes

Em uma estimativa preliminar, o banco calcula que as operações da Hering valeriam entre R$ 600 milhões e R$ 800 milhões (cerca de 15% a 20 do valor de mercado), assumindo uma retração de vendas de aproximadamente 8% ano a ano em 2026 (projeção), margem Ebitda (Ebitda = lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações/receita líquida) de cerca de 10% e um múltiplo de avaliação EV (valor da firma)/Ebitda entre 3x e 4x.

“Ainda assim, é possível argumentar que essa faixa de avaliação poderia ser inferior, dados os níveis atuais de valuation de outras empresas do setor de vestuário no Brasil que não passam por processos de recuperação operacional (turnaround) e apresentam melhores tendências de receita”, avalia.

Com isso, o JPMorgan mantém a visão de que essa transação é improvável, a menos que seja pago um prêmio relevante pelo ativo — isto é, um múltiplo superior ao dos pares, provavelmente na casa de 8x a 10x EV/Ebitda, com uma margem normalizada implícita pós-turnaround próxima aos níveis pré-pandemia (15% a 17%).

“Acreditamos que esse cenário é pouco provável no atual ambiente de taxas de juros e diante das tendências operacionais da Hering”, aponta. Contudo, caso tal cenário se concretizasse, representaria uma destrava de valor significativa para a Azzas, visto que o ativo poderia valer entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3,5 bilhões (cerca de 60% a 85% do valor de mercado), provavelmente sem incidência de impostos sobre ganho de capital. Com a ação sendo negociada a múltiplos P/L (preço sobre lucro) de 5,5x e 4,5x para 2026 e 2027, respectivamente, a recomendação do JPMorgan para AZZA3 é neutra.

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