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Edição MarketMsg e invistaja.info
palavras-chave: Brasileiro troca arroz, feijão e carne por salgado para economizar com almoço; invistaja.info;
BSLI3 | Cresc.5anos: 0.0002 | P/Cap.Giro: 0.0 | ROIC: 0.0 | ROE: 0.1998 | Mrg.Liq.: 0.0 | P/VP: 2.47
O comerciante Cícero Severiano Ribeiro, 50, parou na hora do almoço na última quarta-feira (7) em um trailer que vende salgados, no terminal de ônibus da Vila Mariana, na zona sul de São Paulo. Pediu um salgado, um suco e gastou R$ 6. “Adoro comer essa coxa (creme) de frango.”Além de ser atraído pelo sabor do salgado, o comerciante conta que vem mudando os hábitos: antes da pandemia, comia arroz com feijão todo dia; agora, almoça o tradicional prato feito duas a três vezes na semana e nos demais dias opta por um salgado e um suco.A mudança ocorreu por causa da correria do dia a dia e, principalmente, para economizar. “Os tempos se tornaram mais difíceis.”A conta de quanto Ribeiro economiza ao almoçar um salgado é simples: um prato feito com arroz, feijão e carne não sai por menos de R$ 25 na região onde trabalha, o equivalente a três dias almoçando salgado e suco.O comerciante é um entre os milhões de brasileiros que, depois da pandemia, trocaram o prato feito pelo salgado nas refeições fora de casa. Esse movimento foi detectado pela consultoria Kantar, que monitora o consumo fora de casa de alimentos e bebidas em sete regiões metropolitanas do Brasil.Comida x salgado prontoEm 2022, os brasileiros que vivem nessas regiões consumiram 170 milhões salgados prontos a mais (quibe, coxinha, pão de queijo e pastel, por exemplo), na comparação com 2019, antes da pandemia. Já o consumo de refeições, com arroz, feijão e carne, diminuiu em 247 milhões de unidades.Para chegar ao número de unidades, que expurga o efeito da inflação, a consultoria monitorou diariamente, por meio de aplicativo, o consumo de alimentos e bebidas fora de casa de 4 mil adultos. Eles representam o comportamento de 48 milhões de pessoas que vivem nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio, Recife, Salvador, Fortaleza, Curitiba e Porto Alegre.Por outra métrica, o estudo da Consumer Insights mostra que os salgados prontos respondiam em 2019 por 11% do total de unidades de alimentos e bebidas consumidas fora de casa. Em 2022, essa fatia subiu para 15%. Nesse período a participação das refeições encolheu de 7% para 4%.“O salgado pronto ganhou tanto destaque que se tornou no ano passado o segundo alimento mais consumido fora de casa e o alimento salgado mais consumido”, afirma Hudson Romano, responsável pela pesquisa e gerente sênior de consumo fora do lar.O salgado ocupava a quarta posição entre os alimentos mais consumidos fora de casa e subiu para a segunda colocação em 2022, passando à frente de sanduíches e pizzas (e perdendo apenas para os snacks doces, que continuaram na liderança nos dois períodos analisados).Inflação no bolsoO salgado pronto e o salgadinho de pacote foram os únicos alimentos fora de casa cujo consumo aumentou nesses três anos (alta de 18% e 4% nos volumes, respectivamente). Já a quantidade consumida de refeições despencou 43%.O motivo do recuo e da troca da refeição pelo salgado foi a inflação, segundo Romano. Enquanto o preço da refeição aumentou 21% entre 2019 e 2022, segundo pesquisa da consultoria, o valor do salgado subiu 10%.“Como o salário médio não cresceu na mesma velocidade de outros custos da alimentação fora de casa, que foram muito fortes, o bolso ficou mais apertado”, afirma o consultor. Uma das saída foi deixar de comer pratos com a mesma frequência e colocar os salgados como opção. “Isso não quer dizer que o brasileiro tenha abandonado o restaurante. Mas, se antes comia pratos (prontos) três vezes na semana, agora diminuiu para duas, porque o dinheiro não dá”.A troca da refeição pelo salgado foi puxada pelas classes de menor renda (C, D e E), que sentiram mais a inflação: o preço médio da refeição fora de casa cresceu 36% para as classes D e E; 24% para classe C; e recuou para classes A e B.Isso porque a refeição dos mais ricos inclui outros ingredientes, enquanto o prato feito de quem ganha menos foi afetado pela alta das commodities, como arroz, feijão, carnes e óleo — ingredientes básicos dessas refeições.‘O salário não está dando’Artur Almeida, 24, que ganha um salário mínimo trabalhando com a locação de equipamentos de gaseificação para bares e restaurantes, diz que o preço é o principal motivo da troca da refeição pelo salgado, além da economia de tempo. “Acho muito alto um prato de comida por R$ 25 e tem lugares que é bem mais que isso”, disse Almeida, enquanto almoçava dois salgados por R$ 10.Ele recebe R$ 26 por dia de vale refeição, mas usa o dinheiro nas compras de supermercado, para preparar o jantar e a marmita. “Esta semana não tive tempo de preparar a marmita. Tive de trabalhar no fim de semana, porque o salário não está dando para pagar todas as despesas.”O presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, diz que os resultados da pesquisada Kantar têm aderência com os números da associação. Mas o setor cresceu 8% em faturamento no ano passado, na comparação com 2019 (já descontada a inflação).Solmucci diz que o crescimento foi sustentado pelas classes C, D e E, que ampliaram em 20% as vendas reais de lanchonetes e padarias (muito provavelmente na compra de salgados prontos e lanches). Os restaurantes do dia a dia que servem refeições, por outro lado, tiveram uma queda real de 10% na receita no período.O executivo atribui essa retração também ao home office, adotado pela maioria das empresas em dois dias na semana —causando reflexos no consumo. Já os restaurantes para o público de maior renda “cresceram muito as vendas”, diz o presidente da Abrasel, sem revelar os porcentuais.Compartilhamento e informalidadeUm dado da pesquisa da Kantar que chamou atenção de Romano foi o aumento do compartilhamento do consumo de salgados prontos, muito provavelmente de combos. O consumo individual, que representa metade do mercado de salgados, ficou praticamente estável entre 2019 e 2022. Já o consumo compartilhado, com três ou mais pessoas, teve aumento de quatro pontos porcentuais no período. “Isso mostra que está crescendo a compra de salgados em grupo.”O aumento da preferência pelo salgado pronto e pelo consumo compartilhado tem transformado o mercado de alimentação fora de casa, e essa mudança também virou uma alternativa de renda para os trabalhadores informais. A pesquisa mostra que o canal de vendas de ambulantes cresceu 45% no pós-pandemia e foi o que mais aumentou no período, por ter preços menores em relação ao comércio formal.A faxineira Maria do Rosário Ramos Silva, 57, tem como segunda fonte de renda vender salgados que prepara para os vizinhos (a coxinha custa R$ 2, e bolinha de queijo e bolinho de carne saem por R$ 1). Ela ganha um salário mínimo com as limpezas e um extra com os quitutes. “O pessoal passa na minha casa, compra e leva para comer no trabalho ou à noite em casa, no lugar de uma refeição”.
palavras-chave: Brasileiro troca arroz, feijão e carne por salgado para economizar com almoço; invistaja.info;
FARIA LIMA | economia | invistaja.info – Brasileiro troca arroz, feijão e carne por salgado para economizar com almoço
REFLEXÃO: Rich Greifner, da Motley Fool: Pense a longo prazo, seja paciente e busque por retornos assimétricos.
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