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Cogna (COGN3) traz mensagens positivas sobre reestruturação durante Investor Day, mas por que ação cai forte?

Companhia vê movimento de correção de suas ações após negar rumor de venda da Vasta, que fez ativo COGN3 saltar 12% na sexta-feira
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Edição MarketMsg e invistaja.info

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“Patinho feio” entre as companhias do setor de educação em 2020, a Cogna (COGN3) trouxe mensagens positivas durante o Investor Day realizado nesta segunda-feira (13), de acordo com analistas de mercado, mostrando que a reestruturação feita desde o ano passado está dando frutos.

Contudo, as ações COGN3 registram uma sessão de forte queda na sessão, acumulando fortes perdas de mais de 40% no acumulado de 2021. Às 17h10 (horário de Brasília), os ativos tinham baixa de 7,59%, a R$ 2,68.

Mesmo com o saldo do dia do investidor sendo considerado positivo, um analista de mercado ouvido pelo (invistaja.info) destacou que o movimento de forte queda desta sessão ocorre por um movimento de correção após a forte alta do ativo na sexta-feira (10). As ações saltaram quase 12% na última sessão em meio ao rumor de mercado de que a sua subsidiária Vasta, de educação digital, seria vendida. Os papéis VSTA, por sinal, fecharam com um salto de 52,49% na sessão de sexta na Nasdaq e, nesta data, registram baixa de cerca de 13%, após a Cogna esclarecer que a companhia não está à venda.

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A projeção com relação à Vasta, por sinal, é de que ela siga em modo de recuperação, com o impacto da Covid-19 ficando para trás nos números e devendo crescer organicamente em 2022, além de também contar com a integração da Eleva.

Ainda de acordo com fala de executivos do grupo educacional , a unidade de ensino superior da Cogna, a Kroton, deve voltar a ter crescimento de receita em 2023, em meio a uma perspectiva mais otimista de retorno de alunos presenciais no ano que vem e uma ampla reestruturação acelerada pela pandemia.

Nos últimos meses, a Kroton lançou 42 cursos digitais e reduziu em 21% o aluguel de suas unidades físicas, transferindo 29 campi para parceiros, em uma estratégia de enxugamento de custos que incluiu um corte de 37% nas despesas com marketing e de 32% no custo de aquisição de alunos.

Com isso, o grupo prevê que 70% de sua receita em 2025 virá de suas plataformas de ensino, dos cursos de medicina, agregados sob a unidade KrotonMed, do ensino hibrido (presencial e online) e digital. Este ano a proporção é de 44%.

Segundo o presidente da Kroton, Roberto Valério, novas revisões na estrutura física da companhia não são mais necessárias, enquanto ela se prepara para retomada na captação de alunos presenciais.

Mas o aumento da receita da Kroton mesmo, só em 2023, disse o presidente da Cogna, Rodrigo Galindo, ressaltando que na Cogna como um todo isso deve ocorrer já em 2022. “A Kroton não precisa de mais reestruturação…A gente acredita numa retomada de captação (de alunos) a partir de 2022”, disse Valério. “Existe uma demanda reprimida que vai acontecer, até pela própria performance das últimas semanas durante as atividades de captação”, acrescentou.

Valério ressaltou que o crescimento da base de alunos presenciais, diferente de antes da reestruturação, vai ocorrer mais concentrado em cursos de maiores mensalidades, enquanto aqueles que incluem pedagogia e contabilidade, por exemplo, foram migrados para plataformas online do grupo.

Medicina 

A Cogna ainda anunciou pela primeira vez números de sua operação de ensino de medicina agregados na forma de uma unidade chamada KrotonMed.

A apresentação ocorreu poucos dias após a rival Ânima (ANIM3) vender 25% de sua subsidiária de ensino de saúde Inspirali por R$ 1 bilhão, com executivos da companhia afirmando que um IPO da empresa é uma possibilidade a ser considerada.

Galindo disse que a KrotonMed terá receita líquida de R$ 482 milhões em 2022 e um lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 224 milhões, com margem de 46,5%, e chance da base de alunos subir de 3 mil para 5.250.

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Segundo o presidente da Cogna, a opção por separar os negócios de medicina na unidade KrotonMed via um “carve out [segregação] societário”, foi para que a empresa tenha a “opcionalidade” de fazer movimentos de expansão sem eventualmente diluir os acionistas da Cogna.

“Vamos criar uma opcionalidade para uma potencial transação…Não tem nada na mesa, mas queremos ter uma operação eminentemente de medicina, com 76% do Ebitda em medicina, para gerar uma opcionalidade”, disse Galindo ao ser questionado sobre os planos da Cogna para a KrotonMed. “Qual será essa opcionalidade? Não sabemos”, acrescentou.

Ainda com baixa exposição

Pouco após o encerramento do evento, o Morgan Stanley ressaltou em relatório ter visto com bons olhos os anúncios feitos pela companhia de educação durante o Investor Day.

Para os analistas, o “impacto da covid-19 ficou para trás”. A recuperação da empresa deve seguir gradualmente, embora ainda tenha alguma pressão em 2022. A empresa “está mais bem preparada para capturar oportunidades futuras com uma estrutura mais leve”, explicam.

Assim, após o turnaround, o ponto de inflexão é o ano de 2021, avaliam os analistas do Morgan.

Para os analistas, o turnaround que começou em 2020 adaptou a capacidade instalada da Kroton à nova realidade, “limpando” os recebíveis do Parcelamento Estudantil Privado (PEP) e com o corte de despesas.

Além disso, após uma queda sequencial da base de alunos por 5 anos, 2021 foi o primeiro ano com uma expansão, que deve acelerar em 2022 (com Fies e PEP fora da base).

Já o Ebitda, que atingiu o fundo do poço em 2020, já mostrou expansão de 80% em 2021 e a receita deve começar a crescer a partir de 2023.

Em 2025, 70% da receita (44% em 2021) deve vir de aprendizagem digital híbrida, medicina e de plataforma, destacam ainda os analistas da casa.

Mesmo vendo positivamente as indicações feitas pela companhia durante o Investor Day, o Morgan Stanley manteve recomendação underweight (exposição abaixo da média do mercado) para os ativos da Cogna, com preço-alvo de R$ 3,10, o que configura um potencial de valorização de cerca de 7% em relação ao fechamento da véspera.

Os analistas de mercado, por sinal, seguem em sua maioria céticos sobre a ação: de acordo com compilação da Refinitiv, de 12 casas que cobrem o papel, 9 recomendam manutenção e 3 recomendam venda, ainda que o preço-alvo médio seja de R$ 3,91, alta de cerca de 35% em relação ao fechamento de sexta.

(com Reuters)

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