Cogna tem “finalmente” um trimestre melhor do que o esperado e ação fecha em alta, mas analistas ainda preferem esperar para ver

Kroton foi o destaque positivo, mostrando que a reestruturação está dando frutos, mas analistas ainda têm recomendação neutra ou de venda para ação
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Edição invistaja.info e MarketMsg

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CEAB3 | Mrg.Ebit: -0.0355 | P/Cap.Giro: 2.54 | P/EBIT: -19.72 | EV/EBITDA: 10.33 | P/ACL: -2.26 | Liq.Corr.: 1.83

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BRASÍLIA | invistaja.info — O momento chegou. Depois de diversos trimestres decepcionando os investidores, ainda que mostrando aos poucos os seus progressos em fazer uma reestruturação na operação, a companhia de educação Cogna (COGN3) finalmente divulgou resultados acima das expectativas. Com isso, os ativos chegaram a subir 5,81% na máxima do dia, ainda que amenizando a alta e fechando com ganhos de 1,53%, a R$ 3,32.

“Depois de decepcionar o mercado nos últimos trimestres, a Cogna registrou um segundo trimestre de 2021 melhor do que o esperado devido ao forte desempenho de sua divisão de ensino superior – Kroton”, destacam em relatório Vitor Pini e Matheus Soares, analistas da XP.

A companhia registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 20,376 milhões no segundo trimestre, queda de 85,4% nas perdas na comparação com igual período de 2020, quando teve perdas de R$ 139,987 milhões.

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A receita líquida foi a R$ 1,3 bilhão, uma redução de 5% refletindo as pressões de receita no ensino superior presencial, cujo resultado foi parcialmente compensado pelo crescimento observado nas receitas de ensino superior à distância e Vasta. O número ficou 11% acima das estimativas dos analistas da XP, principalmente devido à Kroton e seu tíquete médio melhor que o esperado.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) recorrente da Cogna foi de R$ 329,5 milhões no segundo trimestre de 2021, o que representa um crescimento de 173,2% na comparação com o mesmo período de 2020.

No mesmo período, a margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) recorrente atingiu 25,3%, uma expansão de 16,5 pontos percentuais, 2,6 pontos percentuais acima da estimativa dos analistas da XP por conta da graduação, o que compensou a margem negativa da Vasta.

O Morgan Stanley também destaca que  principal destaque foi a margem da Kroton, expandindo 29 pontos percentuais em relação ao ano anterior, impulsionada por menores despesas com marketing e provisões. “A receita continuou sob pressão, principalmente pelo ensino presencial, com queda de 21%, mas também superou as estimativas do consenso”, avaliam os analistas.

Para os analistas do banco americano, os resultados do Cogna estão começando a melhorar, com melhoria impulsionada por despesas menores, melhor dinâmica de provisões e despesas de marketing muito mais baixas. “Nesse ponto, preferimos ver melhorias no patamar de margem bruta, que a nosso ver deve ser o principal beneficiário de todo o esforço de reestruturação que a Cogna vem fazendo na Kroton”, avaliam.

Cabe destacar que, em meados de 2020, a Cogna anunciou a reestruturação no segmento de ensino superior, de forma a focar os negócios em cursos de mensalidades elevadas, considerados “premium”, além da hibridização do ensino, com aulas online e presenciais. As mudanças, assim, parecem dar frutos.

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Por outro lado, alguns outros segmentos tiveram surpresas negativas. A Saber, rede dedicada à educação básica do grupo, segue pressionada pela pandemia da Covid-19. As receitas permanecem sob pressão, em queda de 3%, puxadas por uma queda na base de alunos e fraco desempenho da Red Balloon, com queda de 16% das receitas na base anual. Outras margens de negócios também tiveram um desempenho negativo, aponta o Morgan.

Contudo, o banco destaca que a relação de dívida líquida e Ebitda ficou em 2,13 vezes, abaixo do limite de 3 vezes dos covenants. Os covenants são obrigações associadas às debêntures, que preveem garantias aos investidores que compram os títulos. No caso específico da Cogna, os covenants das debêntures referidas preveem que, se a empresa superar o patamar de endividamento de 3 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda, a dívida vence imediatamente e o emissor, no caso a Cogna, deve pagar os donos das debêntures.

A empresa anunciou processo de captação de R$ 1,25 bilhão cujos recursos serão utilizados para alongamento do prazo médio da dívida.

O Bradesco BBI aponta que os resultados foram mistos, com a Kroton impulsionando o forte crescimento do Ebitda devido ao declínio da provisão para devedores duvidosos, apesar do desempenho mais fraco em outras divisões.

Eles ressaltam ainda que, no caso da Vasta, de educação básica e que fornece soluções digitais, as receitas crescentes não foram suficientes para compensar os custos. A receita líquida para o segmento ficou em R$ 141 milhões, um aumento de 28% anualmente, principalmente com a base de comparação menor. Mas o Ebitda recorrente foi negativo em R$ 24 milhões tendo, entre os motivos, menor diluição de custos e e maior estrutura administrativa após o IPO.

Na avaliação dos analistas do banco, no geral, os impactos da reestruturação devem permanecer a longo prazo, enquanto os resultados de Vasta e os números de matrículas da Kroton poderiam começar a se recuperar devido à flexibilização das medidas de restrição à mobilidade por conta da pandemia.

No momento, o BBI segue com recomendação neutra para a Cogna, com preço-alvo de R$ 5,20, ainda que representando um expressivo potencial de valorização de 59% em relação ao fechamento de quinta-feira.

Os analistas da XP vão na mesma linha: “apesar de apreciarmos a melhoria dos resultados da Kroton, ainda é cedo para mudar nossa visão estrutural sobre a companhia”. Eles reiteram recomendação neutra e preço-alvo de R$ 5,10 por ação, ou potencial de alta de 56%.

O Morgan Stanley mostra ainda maior pessimismo, seguindo com recomendação underweight (exposição abaixo da média), com preço-alvo de R$ 4,50 (ainda um potencial de alta de 38%). A preços atuais, os analistas têm preferência pelas ações da Cruzeiro do Sul (CSED3), seguida de Yduqs (YDUQ3) e Vitru, essa última negociada na Nasdaq.

De acordo com compilação feita pela Refinitiv com 13 casas que cobrem o papel, 10 possuem recomendação equivalente à neutra, enquanto 3 possuem recomendação de venda, sendo o preço-alvo médio de R$ 5,29 (62% acima do fechamento da véspera). Os analistas destacam os progressos obtidos pela Cogna no ensino superior, mas ainda destacam outras opções no segmento como mais atrativas.

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REFLEXÃO: Michael Batnick, gestor de patrimônios da Ritholtz: Evitar erros catastróficos é mais importante do que construir o portfólio perfeito.

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