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Copom neutro, hawkish ou dovish? Pesquisa da XP mostra divergência no mercado

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Edição invistaja.info e MarketMsg

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TESA3 | ROE: -0.1218 | P/EBIT: 9.41 | EV/EBIT: 15.25 | PSR: 1.007 | Mrg.Ebit: 0.1071 | Mrg.Liq.: -0.0758

O comunicado que acompanhou a mais recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgado nesta quarta-feira (29), entregou ao mercado peças de um quebra-cabeças da conjuntura econômica, sem deixar claros os próximos passos para a Selic. Embora o Banco Central (BC) tenha cortado a taxa de 14,75% para 14,50%, o tom do texto dividiu economistas. O recado foi hawkish (duro), sinalizando uma pausa iminente diante da piora inflacionária? Ou dovish (suave), apostando na dissipação dos choques externos?

Uma pesquisa da XP Macro com 69 investidores institucionais ilustra essa divisão: 41% leram o comunicado como neutro, 32% como hawkish e 27% o consideraram moderado/suave.

A ausência de uma orientação futura (forward guidance) explícita, segundo avaliação do Bank of America (BofA), reflete o esforço do BC em preservar sua flexibilidade em um ambiente de incerteza global.

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Por que o tom endureceu?

A leitura de um Banco Central mais conservador ganha força na deterioração das expectativas. Caio Megale, economista-chefe da XP, destaca que o próprio Copom admitiu o distanciamento da inflação em relação à meta, com a projeção do IPCA para 2027 subindo de 3,3% para 3,5% — acima dos 3,4% esperados pelo mercado.

Além disso, o comitê incluiu no balanço de riscos o impacto potencial dos conflitos no Oriente Médio sobre o petróleo e as cadeias de suprimentos. Para Gustavo Sung, da Suno Research, e Claudia Moreno, do C6 Bank, essa menção direta aos riscos externos e à desancoragem das expectativas confere um tom indubitavelmente duro à comunicação.

A porta aberta para os cortes

Por outro lado, a visão dovish se sustenta na insistência do BC de que a política monetária atual já é contracionista o suficiente. O Itaú BBA destaca que o comunicado validou a eficácia das condições restritivas atuais, o que cria espaço para ajustes no ritmo e na extensão dos cortes, dependendo dos próximos dados. A avaliação é que o BC reconhece que o cenário piorou, mas não o suficiente para evitar cortes imediatos.

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Projeções revisadas e o teto da Selic

Diante da “inquietação” oficial, o mercado já refaz as contas para a taxa terminal da Selic, precificando um custo de capital elevado por mais tempo.

O Itaú reduziu a projeção de corte para a reunião de junho de 0,50 p.p. para 0,25 p.p., revisando a Selic terminal para 13,25%. O banco também elevou fortemente suas estimativas de IPCA para 2026 (de 4,5% para 5,2%).

A XP manteve o cenário-base da Selic em 13,50% ao final de 2026, projetando dois cortes residuais, condicionados ao recuo do petróleo para a faixa de US$ 80.

A Austin Rating estima a taxa em 12,5%, mas admite viés de alta. O C6 vê um viés de taxa final mais próxima dos 14% do que dos 13%.

Próximas reuniões do Copom: 

16 e 17 de junho; 4 e 5 de agosto; 15 e 16 de setembro; 3 e 4 de novembro; 8 e 9 de dezembro.

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