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Escândalo com irmã de Milei reduz confiança na Argentina, avaliam analistas

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O escândalo de corrupção que atinge o entorno imediato do presidente argentino Javier Milei começa a se refletir diretamente na percepção de investidores. Analistas apontam que a combinação entre perda de confiança, deterioração fiscal e volatilidade monetária aumentou o risco político às vésperas das eleições de setembro e outubro, corroendo a credibilidade do governo junto aos mercados.

Segundo relatório do Bradesco BBI, os áudios que implicam Karina Milei — irmã e secretária-geral da Presidência — intensificaram a polarização e fragilizaram a governabilidade. O banco destacou que “escândalos políticos fragmentam o cenário, minando a reputação e a confiança; a perda de influência no Congresso leva a uma expansão fiscal não planejada, em conflito com as metas do FMI”.

O banco também observa uma queda acentuada na demanda por pesos, que empurra as taxas de juros e de câmbio para “níveis incompatíveis com o crescimento”. A casa reiterou recomendação de venda (underweight) para ações argentinas, com preferência por companhias menos expostas ao ciclo econômico e à volatilidade cambial.

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A percepção negativa também aparece em indicadores de confiança. De acordo com pesquisa da Universidad Torcuato Di Tella, compilada pelo Itaú BBA, a confiança no governo caiu 13,6% em agosto, alcançando 42,3 pontos, o menor nível desde a posse de Milei em dezembro de 2023. O levantamento não captou ainda os efeitos plenos do escândalo, já que foi feito entre 1º e 14 de agosto, mas analistas alertam que a próxima medição pode mostrar uma deterioração ainda mais acentuada.

Nos mercados, os efeitos já são visíveis. Os títulos soberanos da Argentina caíram em toda a curva nesta segunda-feira (25), com os papéis com vencimento em 2035 recuando mais de 1,6 ponto percentual, enquanto o peso oficial se desvalorizou quase 2,5%, para 1.354,7 pesos por dólar.

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Agenda fragilizada

O episódio ocorre em meio a derrotas legislativas que já vinham comprometendo a agenda de Milei. Relatório do Bradesco BBI lembrou que o Congresso aprovou diversas medidas de aumento de gastos e que a oposição conseguiu maioria de dois terços em ambas as casas, reduzindo a capacidade de veto do Executivo. Embora os impactos fiscais de maior peso só devam aparecer em 2026, a perda de controle sobre o Legislativo amplia a incerteza sobre o cumprimento das metas do FMI.

O governo tenta reagir à crise. O ministro da Economia, Luis Caputo, afirmou que “as taxas em breve retornarão aos níveis que todos gostaríamos de ver,” e disse acreditar que as eleições “serão muito favoráveis” para os libertários. Já Eduardo “Lule” Menem, aliado próximo de Karina, negou irregularidades e afirmou que o caso é resultado de uma “operação política grosseira” da oposição kirchnerista.

A eleição na província de Buenos Aires, marcada para 7 de setembro, é vista como um termômetro central para investidores antes das legislativas nacionais de outubro. Para o Bradesco BBI, a votação pode funcionar como referendo sobre a viabilidade do projeto de Milei, definindo se a narrativa do “outsider reformista” terá sobrevida ou se o governo entrará em rápida perda de capital político.

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