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Ex-diretor do BC vai contra o consenso e aposta em continuidade dos cortes da Selic

Informação para quem vive o mercado

Edição MarketMsg e invistaja.info

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Enquanto boa parte do mercado passou a temer uma pausa no ciclo de cortes da Selic, uma das maiores gestoras do país aposta no contrário. A família de fundos Itaú Janeiro, comandada por Bruno Serra, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, projeta que a inflação vai ceder mais do que o mercado espera e que o Copom tem espaço para seguir cortando os juros no segundo semestre, sem necessidade de pausa.

A inflação é o ponto de partida da tese, publicada em carta mensal nesta semana, antes da reescalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que fez o petróleo voltar a subir nesta quarta-feira (8).

A Itaú Asset projeta um IPCA de 4,6% em 2026, bem abaixo da mediana de 5,3% da pesquisa Focus. A gestora argumenta que a diferença está concentrada em itens voláteis, como bens industriais e alimentos in natura, e não nos preços mais persistentes. No grupo de serviços, considerado o mais sensível ao aquecimento da economia, a casa afirma que a inflação já dá sinais de arrefecimento, o que na sua leitura mostra que a política monetária está funcionando.

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A partir desse cenário, a projeção é de continuidade da queda dos juros, com cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões de agosto e setembro. A gestora avalia ainda que, se a atividade desacelerar com mais força no fim do ano, o ciclo pode até ganhar intensidade, migrando de uma calibragem fina para uma redução mais rápida da taxa básica.

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Esse diagnóstico se traduz no posicionamento das carteiras. O multimercado Janeiro mantém um viés aplicado em juros nominais no Brasil, posição que ganha com a queda das taxas prefixadas, e vendido em inflação implícita, que é a expectativa de inflação embutida nos juros futuros. A avaliação é que a curva ainda embute prêmio elevado, mesmo depois da reversão do choque do petróleo. Como proteção para o risco eleitoral, que a casa considera relevante mas em boa parte já precificado, o fundo carrega uma posição comprada em CDS (credit default swap) do Brasil, um seguro contra a piora da percepção de risco do país.

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Aposta num Fed parado

O mercado interpretou a primeira reunião do Federal Reserve sob o comando de Kevin Warsh como um sinal duro, mas o time comando por Serra enxerga as menções de Warsh ao compromisso com a estabilidade de preços como “retórica comum de qualquer banqueiro central recém-empossado, tão óbvio quanto ineficaz se o Fed não subir os juros nas próximas reuniões”.

A aposta da casa é que Warsh e a maioria do comitê vão preferir esperar para ver se a inflação recua com o fim do efeito das tarifas e a queda do petróleo, cenário no qual o Fed manteria os juros parados. Como consequência, a gestora projeta um dólar mais fraco adiante, revertendo parte da valorização recente, um contraponto direto ao consenso comprado na moeda americana que marcou as cartas de junho.

Kapitalo acompanha tom

A Kapitalo reforça esse campo mais construtivo sobre os juros. Embora reconheça que o Fed entregou projeções “bem mais hawkish que a expectativa”, com metade do comitê projetando alta ainda em 2026, a gestora também acredita que a autoridade monetária americana deve esperar antes de agir. No Brasil, a casa manteve posições aplicadas em juros reais e compradas em ações brasileiras, o que revela uma aposta semelhante na melhora dos ativos locais.

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