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Foi “apenas” o tarifaço? Os outros motivos que fizeram o Ibovespa cair 1,24% nesta 5ª

Negociando na bolsa de valores

Edição MarketMsg e invistaja.info

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O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, pressionado principalmente pelas ações das blue chips Vale (VALE3) e Itaú Unibanco (ITUB4), com a penúltima sessão da semana também marcada pela repercussão do anúncio de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos para o Brasil. Contudo, a sessão para as commodities, o cenário fiscal e o dia negativo para a Bolsa de Nova York também impactaram o mercado brasileiro.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,24%, a 173.825,27 pontos, tendo marcado 173.536,57 na mínima e 176.011,31 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$18,92 bilhões.

O mercado digeriu principalmente a confirmação das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, com ampliação da lista de isenções. As commodities também não ajudaram. O petróleo fechou em queda e o minério de ferro fechou praticamente estável em Dalian, na China.

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Sobre o tarifaço, na visão de analistas, os impactos econômicos tendem a ser limitados na economia e na bolsa paulista.

“As tarifas impactam pontualmente alguns setores de forma muito forte, mas, quando olhamos para a bolsa no consolidado, esse impacto não é tão significativo”, destacou o analista João Daronco, da Suno Research, em e-mail para comentar a notícia.

Ele chamou a atenção para o fato de que grandes empresas listadas na B3 como Vale (VALE3) e Suzano (SUZB3) têm suas operações mais relacionadas com a China do que com os EUA, assim como os bancos — que têm peso relevante no Ibovespa — têm pouca relação com a América do Norte.

“Ao olhar alguns ativos que poderiam ter mais impacto, como carnes e aeronaves, caso de Embraer (EMBJ3) e de alguns frigoríficos, fica evidente que a exclusão deles da lista acaba por diminuir ainda mais o impacto possível que essa nova tarifa teria dentro do Ibovespa”, acrescentou.

Para a equipe do JPMorgan, o atual cenário sugere que os impactos econômicos das tarifas sobre o Brasil tendem a ser limitados, “embora uma escalada de medidas de retaliação entre os dois países possa ampliar esses custos”.

Eles também avaliam que os efeitos políticos podem ser mais relevantes, especialmente no contexto das eleições no Brasil em outubro, conforme relatório enviado a clientes nesta quinta-feira.

Segundo Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, o clima de aversão a risco no exterior também contamina o Ibovespa, que ainda é influenciado pela leitura de arrefecimento da atividade econômica no Brasil, que pode ser mais forte do que a esperada.

Além disso, apesar de o impacto estimado na economia real do tarifaço ser pequeno, cria um ambiente ruim. Isso, avalia Spiess, pode favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela reeleição neste ano, na qual um dos concorrentes é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Cabe destacar ainda o temor de retaliações, que azedaram o mercado. A avaliação da equipe econômica é de que o impacto econômico é irrelevante e, por isso, não deve haver retaliação. Entretanto dada a pressão que empresários dos setores taxados devem fazer pela aplicação da Lei de Reciprocidade, há temor de guerra comercial.

Na reta final da sessão, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, sinalizou sobre essa possibilidade. “O governo, no momento adequado, saberá como implementar lei da reciprocidade”, disse, acrescentando que a Apex e o BNDES vão se empenhar para o Brasil conquistar novos mercados.

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A economista-chefe da Mirae Asset, Marianna Costa, explica que houve cautela sobre a reação do governo brasileiro e com a possibilidade de as negociações se arrastarem. “Do lado econômico, provavelmente o governo vai pelo caminho da lei de reciprocidade, que requer algumas etapas burocráticas. Então, se entende que vai levar alguns meses pra que fique claro quais são essas ações”, disse, lembrando que entre essas etapas estão as consultas aos setores. “Há uma série de eventos ainda por vir. Então, tem uma incerteza”, disse.

Dados de varejo

Ainda em destaque, estiveram os dados do varejo no Brasil e nos Estados Unidos. Ainda ficam no radar as preocupações fiscais domésticas e a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que continuam sustentando a demanda por ativos defensivos.

As vendas no varejo brasileiro no conceito restrito tiveram alta de 0,1% em maio ante abril, o que ficou perto do piso de 0,2% das projeções. Os dado reforça apostas de novo corte de 0,25 ponto porcentual na Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom). Nos EUA, as vendas subiram 0,2% em junho ante maio, ficando aquém da previsão de +0,3%.

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Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3 Investimento, também apontou que o mercado segue monitorando a ampliação da ofensiva nos Estados Unidos contra o Irã. “Isso também é prejudicial, pois reflete na inflação global, por meio do petróleo. Consequentemente, influencia os prêmios de risco”, afirma.

No campo fiscal doméstico, o Senado entra na sexta-feira (17), em recesso parlamentar impondo ao governo Lula medidas de impacto bilionário nas contas públicas no longo prazo e sem votar projetos considerados prioritários pelo Planalto, como a proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1, o texto sobre terras raras e a PEC da Segurança Pública.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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