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IBC-Br mais forte que o esperado mostra que economia continua aquecida no 2º trimestre, dizem analistas

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Edição invistaja.info e MarketMsg

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O crescimento acima do esperado do IBC-Br em abril – de 0,56% ante março, diante de um consenso de 0,20% – sugere que a economia do Brasil continua aquecida do segundo trimestre do ano, segundo a opinião de analistas. Segundo os economistas, há uma série de motivos que pode explicar a tendência, desde a extensão do bom momento do setor agropecuário no 1º trimestre, passando pelo mercado pela taxa de desemprego moderada e chegando aos efeitos das transferência de renda no consumo das famílias no período.

Os especialistas dizem que surpresa foi ainda maior se considerados os dados de atividade recentemente divulgados pelo IBGE, que mostraram queda na produção industrial (-0,6%) no mês, recuo na atividade de serviços (-1,6%) e crescimento apenas marginal (0,1%) nas vendas do varejo.

Marco Caruso e Igor Cadilhac, economistas do Banco Original, por exemplo, esperavam uma queda de 0,7% no indicador mensal do BC. “Recentemente, mesmo o cenário não sendo fácil, estamos vendo constantes revisões de PIB para cima e inflação para baixo, movimento típico de um choque de oferta. Além disso, aquela narrativa de moderação da atividade econômica tem sido jogada cada vez mais para frente”, comentaram

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Para eles, o resultado do IBC-Br no mês foi influenciado pela taxa de desemprego em 8,5% (o menor valor do período desde 2015) e pela agropecuária ainda forte.

Para o segundo trimestre, o Original projetamos um crescimento do PIB de 0,2% na comparação com o trimestre anterior. A projeção para a evolução do PIB no anos subiu de 1,7% para 1,9%.

Gabriel Costa, da Toro Investimentos, afirmou que a surpresa com o IBC=Br confirmou o movimento observado na última divulgação do PIB. “O indicador acima do consenso indica maior aquecimento da atividade e segue há alguns meses superando as estimativas, mostrando um início de ano positivo para a economia brasileira”, disse.

Segundo ele, a divergência verifica entre o índice do BC e os indicadores de atividade do IBGE pode ser reflexo do aquecimento no setor agro, observamos na divulgação do PIB.

André Cordeiro, economista-sênior do Banco Inter, também destacou que o resultado positivo do índice ocorreu apesar dos resultados fracos de indústria, serviços e varejo. “Destes três setores, apenas varejo teve desempenho positivo em abril, indicando estabilidade ao subir apenas 0,1%”, lembrou.

Para Cordeiro, como o conjunto de dados utilizado pelo Banco Central para computar o índice é bem mais amplo, o resultado pode ser um sinal de que o setor agropecuário e o setor externo estejam desempenhando bem, compensando o enfraquecimento nos demais setores. “De fato, a balança comercial tem surpreendido positivamente ao longo de 2023”, analisou.

O economista do Banco Inter avaliou que o resultado do IBC-Br em abril indica que a atividade está mais robusta que o antecipado, mesmo com o aperto monetário e a demanda mais fraca, o que sugere um crescimento mais forte em 2023. “Dado o resultado do PIB do 1º trimestre, esperamos que a economia brasileira cresça 2% em 2023”, previu.

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Já a XP Investimentos destacou que esta foi a quarta leitura positiva dos últimos cinco lançamentos mensais pelo BC, que também fez revisões para cima em relação aos meses anteriores.

Nas contas da XP, o carregamento estatístico do segundo trimestre está em 1,3%, enquanto o indicador do trimestre móvel apresentou avanço de 3,5% em abril.

Embora tenha feito a ressalva de que é necessário cautela adicional na interpretação dos dados dessazonalizados do IBC-Br, a avaliação é  de que os sinais recentes estão apontando para um maior crescimento do PIB no 2º trimestre.

“Além da forte expansão das atividades menos sensíveis ao ciclo econômico (agricultura e mineração), o consumo das famílias tem se mostrado resistente em meio à recuperação do mercado de trabalho, ao aumento das transferências de renda do governo e à redução da inflação de curto prazo”, comentou a XP

A estimativa preliminar para o IBC-Br de maio está em -0,3% na leitura mensal e em uma elevação de 4,2% na anual. Mas o XP Tracker para o crescimento do PIB no 2º trimestre aponta para alta de 0,3% no trimestre contra trimestre e de 2,5% na leitura anualizada. “Esperamos que o PIB do Brasil cresça 2,2% em 2023.”

André Nunes de Nunes, economista-chefe do Sicredi, acredita que dado divulgado hoje pode ter tido contribuição importante dos serviços às famílias (com alta mensal de 1,2%, impulsionado pelo mercado de trabalho forte e aumento das transferências de renda.

“Diante do resultado, mantemos a nossa projeção de avanço de 0,2% para o crescimento do PIB na margem no 2º trimestre, mas com viés de baixa. Novamente, o PIB da agropecuária deve ter contribuição importante para a composição do crescimento. Esperamos uma queda de 6,4% no segundo trimestre na série com ajuste”, estimou Nunes.

O Santander Brasil esclareceu que, embora a composição do índice IBC-Br não seja fornecida pelo Banco Central, a estimamos é que o desempenho positivo da atividade ampliada em abril tenha decorrido principalmente da contribuição da produção recorde de grãos da safra de verão 2022/2023. “Esperamos que essa contribuição diminua nos próximos meses”, escreveu o analistas Gabriel Couto.

O banco disse estra mantendo a projeção de estabilidade (0,0%) para o crescimento do PIB no 2º trimestre. Para o ano, a previsão é que a economia brasileira avance 1,9%. “Continuamos vendo sinais de desaceleração para a atividade ampla à frente, já que segmentos mais cíclicos indicam uma tendência contínua de desaceleração devido a condições financeiras altamente restritivas. Além disso, esperamos que o impacto positivo da safra recorde de verão se limite ao 1º trimestre e o início do 2º trimestre”, afirmou.

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