Ibovespa tem alta de 1,8% em semana marcada por política monetária e volatilidade dos treasuries; dólar cai a R$ 5,48

Mercado encerra em território positivo a semana de forte prevalência de decisões de juros no cenário internacional
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Negociando na bolsa de valores

Edição invistaja.info e MarketMsg

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FLORIANÓPOLIS | invistaja.info — O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira (19) e acumulou uma valorização de 1,81% na semana, que foi marcada pela volatilidade dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, pelo recrudescimento da pandemia em território nacional e por importantes decisões de política monetária aqui e nos EUA.

Na “Super Quarta”, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve os juros dos Estados Unidos na banda entre 0% e 0,25% ao ano, e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse que o Fed precisa ver um “material e sustentado” aumento da inflação acima de 2% ao ano para considerar mudar sua política monetária estimulativa.

A decisão e as sinalizações de manutenção de uma política monetária estimulativa acabaram fazendo com que a Bolsa aqui disparasse 2% seguindo o exterior, mas no dia seguinte o otimismo azedou por conta da alta de 10 pontos-base no rendimento dos treasuries de 10 anos, que chegaram a 1,74%, algo que tirou atratividade da renda variável global. O Ibovespa caiu 1,47%.

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Hoje, dia de um pregão bastante volátil, a Bolsa voltou a subir e quem puxou o desempenho positivo foram os papéis de Petrobras (PETR3; PETR4) e B3 (B3SA3), que avançaram 2,7% e 3,6% respectivamente. Juntas, as ações das duas empresas respondem por 13,6% da composição da carteira teórica do índice.

Com a alta, o benchmark se descolou das bolsas dos Estados Unidos, que voltaram a cair depois de ensaiarem uma recuperação do tombo da véspera no início da sessão.

Ontem, a disparada nos rendimentos dos treasuries com vencimento em 10 anos fez com que as bolsas americanas caíssem, algo que foi seguido pelo benchmark da B3 aqui, que recuou 1,47%.

Após registrarem queda mais cedo a 1,68% ao ano, hoje os juros dos treasuries voltaram a subir e encerraram o dia em 1,72%, o que fez os índices Dow Jones, S&P 500 registrarem quedas, enquanto o Nasdaq subiu, em um movimento oposto ao do dia anterior.

No radar local, hoje os investidores repercutiram a renúncia de André Brandão, que não será mais presidente do Banco do Brasil (BBAS3). O governo indicou Fausto Ribeiro, atual diretor da BB Administradora de Consórcios ao cargo.

Ainda em destaque, o Executivo publicou a Medida Provisória que renova o auxílio emergencial e delimita as parcelas entre R$ 150 e R$ 375, com valor médio de R$ 250, para 46 milhões de pessoas e com custo travado em, no máximo, R$ 44 bi. A MP prevê prorrogação por 4 meses, caso haja disponibilidade orçamentária e a possibilidade de contratações temporárias para o Ministério da Cidadania e para a AGU.

Na véspera, o presidente Jair Bolsonaro cancelou a visita que faria ao Congresso Nacional para levar a medida provisória. O motivo não foi especificado, mas a nota com a informação foi divulgada pouco depois da notícia que o senador Major Olímpio (PSL-SP) teve morte cerebral. Olimpio estava internado desde 3 de março para tratamento da Covid-19. A pandemia atingiu seu 20º recorde consecutivo na média móvel de mortes.

Cabe destacar que esta sexta marcou o ‘Quadruple Witching’, nos EUA e na Europa, dia de vencimento simultâneo de contratos de opções, opções de índices, futuros de índices e futuros de ações, o que pode mexer com os volumes e volatilidade em dia com agenda sem tantos indicadores nos EUA.

O Ibovespa teve alta de 1,21%, a 116.221 pontos com volume financeiro negociado de R$ 39,96 bilhões.

Enquanto isso, o dólar comercial fechou em queda de 1,51% a R$ 5,484 na compra e a R$ 5,485 na venda. Na semana, a divisa dos EUA se desvalorizou em 1,34% ante o real. Já o dólar futuro com vencimento em abril registra perdas de 1,53% a R$ 5,478 no after-market.

Analistas ouvidos pelo (MarketMsg) disseram que a elevação de 0,75 ponto percentual promovida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na última reunião torna mais difícil que o dólar atinja R$ 6,00, porém o real permanece pressionado enquanto medidas de ajuste fiscal não se movimentarem.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 terminou estável a 4,59%, o DI para janeiro de 2023 subiu dois pontos-base a 6,20%, o DI para janeiro de 2025 avançou 16 pontos-base a 7,57% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de 19 pontos-base a 8,07%.

Voltando ao exterior, na Ásia, o Banco do Japão anunciou uma série de medidas após a reunião de política monetária, incluindo ampliar a banda em que os rendimentos dos títulos do governo japonês podem flutuar. Agora, o rendimento pode flutuar entre -0,25% e 25%.

Os preços do petróleo também estão no foco dos investidores, após uma forte queda na quinta. Os barris tipo WTI (West Texas Intermediate) e Brent se desvalorizaram mais de 7%, mas hoje sobem em recuperação.

A queda nas cotações ocorreu após a perspectiva sobre a demanda de petróleo cru ser reduzida, com informações sobre aceleração de infecções por coronavírus e a implementação de medidas de lockdowns na Europa.

No início do mês, a Alemanha estendeu as medidas de lockdown até 28 de março. Na segunda, a Itália voltou a implementar medidas do tipo. Pela manhã desta sexta, Paris anunciou o estabelecimento de novas medidas de lockdown. O primeiro-ministro da França, Jean Castex, afirmou que parece cada vez mais provável que uma “terceira onda” de infecções esteja acometendo o país.

A Agência Europeia de Medicamentos divulgou um novo relatório a respeito da segurança da vacina desenvolvida em parceria entre AstraZeneca e Universidade de Oxford, após serem apontados cerca de 30 casos de coágulos sanguíneo e baixa contagem de plaquetas entre pessoas que haviam recebido a vacina.

Anteriormente, a agência já havia ressaltado que “muitas milhares de pessoas desenvolvem coágulos sanguíneos todo ano na União Europeia, por diversos motivos”, e que o número de incidentes entre aqueles vacinados “não parece ser mais alto do que o observado na população em geral”.

Após a análise dos casos, a diretora da instituição, Emer Cooke afirmou na quinta que o comitê de segurança chegou a uma “conclusão científica clara”, e não encontrou sinais de que a vacina teve associação com aumento de risco de coágulos sanguíneos.

Mas afirmou que a agência identificou “um pequeno número de casos raros e anormais, mas muito sérios, de transtornos de coagulação”. Cooke disse que a agência não poderia “descartar definitivamente uma ligação entre esses casos e a vacina”.

E que um aviso nas informações do imunizante poderia chamar atenção para “possíveis casos raros”, para ajudar vacinados e profissionais de saúde a “evitar e mitigar quaisquer efeitos colaterais possíveis”. Com isso, a vacinação na Europa foi retomada.

Por outro lado, o sentimento dos consumidores no Reino Unido atingiu o patamar mais positivo em um ano em março, de acordo com uma pesquisa da GfK. Os resultados sinalizam a esperança quanto a uma recuperação eminente da economia, à medida que o país se prepara para suspender medidas de lockdown nos próximos meses.

Novos recordes nas médias de casos e mortes

Pelo 20º dia seguido, o Brasil bateu na quinta (18) seu recorde na média móvel de mortes por Covid em 7 dias, com a marca de 2.096, alta de 47% em comparação com a média de 14 dias antes. A marca de 2.000 mortes na média foi ultrapassada pela primeira vez na quarta. E o patamar de 1.500 mortes na média, na semana retrasada.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h de quinta, o avanço da pandemia em 24 h no país. Em um único dia foram registradas 2.659 mortes.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 71.904, alta de 22% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia houve 87.169 diagnósticos.

Até quinta, 10.984.488 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a covid no Brasil, o equivalente a 5,19% da população. A segunda dose foi aplicada em 4.027.123 pessoas, ou 1,9% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

Na quinta-feira, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), anunciou que a cidade registrou a primeira morte de um paciente aguardando por uma vaga em UTI (unidade de terapia intensiva).

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475 pessoas aguardam na fila por leitos de UTI na cidade. Bruno Covas e o secretário de Saúde Edson Aparecido anunciaram a que três “hospitais de catástrofe” serão destinados exclusivamente a pacientes de Covid. Serão criados 640 leitos até esta sexta.

Segundo o jornal O Globo, ao menos 116 cidades do país têm falta de oxigênio, e há escassez em 18 estados de medicamentos usados para intubação de pacientes.

Segundo pesquisa Datafolha realizada por telefone com 2023 pessoas nos dias 15 e 16 e divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo, 79% da população vê a pandemia como fora de controle. Em janeiro, eram 62%. Além disso, 55% relataram ter muito medo de contrair o vírus, contra 44% no levantamento anterior.

No Rio, o prefeito Eduardo Paes (DEM) decidiu fechar as praias e áreas de lazer no fim de semana já a partir deste sábado (20). A prefeitura estuda realizar um lockdown.

O senador Major Olimpio (PSL), de 58 anos, teve morte cerebral confirmada por médicos na quinta. Ele estava internado em São Paulo desde 3 de março com Covid. Olimpio é o terceiro senador vitimado pela doença. Um dos assessores do senador, Diego Freire, de 33 anos, está internado em estado grave por Covid, entubado em um hospital de Brasília.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o Ministério Público Federal afirmou que pretende investigar a distribuição pelo Ministério da Saúde de máscaras impróprias para o uso em hospitais, para servidores que trabalham na linha de frente da pandemia.

Na embalagem de algumas das máscaras alvo da investigação consta a advertência “non-medical”, ou seja, de uso não médico. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou que o equipamento não é adequado para profissionais de saúde.

Na quinta, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram que não cabe a um integrante do STF participar formalmente de uma comissão com representantes de outros Poderes para elaborar um plano de enfrentamento à pandemia de Covid, após convite feito pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao presidente da corte, Luiz Fux.

Em sua live semanal na quinta, Bolsonaro afirmou que o general Eduardo Pazuello deve deixar o comando do Ministério da Saúde nesta sexta. Ele será substituído pelo médico cardiologista Marcelo Queiroga, o quarto ocupante do cargo desde o início da pandemia.

“Quero cumprimentar o Pazuello, que está nos deixando amanhã [hoje] e fez um brilhante trabalho no Ministério da Saúde”, disse o presidente.

Pazuello é investigado criminalmente desde janeiro pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, em um inquérito que tramita no STF por suposta omissão no enfrentamento da pandemia na capital amazonense, e promoção de medicamentos sem eficácia comprovada.

Agora, há esforço para garantir uma saída honrosa ao ministro. De acordo com fontes com conhecimento do assunto ouvidas pela agência internacional de notícias Reuters, o Palácio do Planalto busca garantir a Pazuello um cargo com foro privilegiado.

O general já depôs na investigação sigilosa. Se deixar o cargo de ministro, perderia o foro privilegiado e passaria a ser investigado por procuradores de primeira instância que, ao menos durante a pandemia, têm tido uma atuação mais incisiva em relação a autoridades federais.

Na quarta, a Justiça Federal determinou que o governo federal se abstenha de veicular peças publicitárias sobre o enfrentamento à Covid que sugiram à população comportamentos que não estejam estritamente embasados em diretrizes técnicas e científicas, em julgamento de ação movida pelo Ministério Público Federal.

Em sua live na quinta, Bolsonaro não citou o nome de tratamentos sem eficácia cientificamente comprovada, como ivermectina e cloroquina, ou “tratamento precoce”, mas usou o termo “tratamento inicial”. Ele afirmou quem se usasse “a outra palavra”, seria crime.

“Você que não quer o tratamento inicial, remédio que mata piolho, fica na tua, deixa quem quer tomar”, disse Bolsonaro, em aparente referência à ivermectina, medicamento para tratar infestações por parasitas que é recomendado por Bolsonaro contra a Covid-19, apesar da falta de comprovação científica de eficácia.

Auxílio emergencial

A Medida Provisória 1.039, que renova o auxílio emergencial, confirma que o benefício vai variar entre R$ 150 e R$ 375. Ela prevê a possibilidade de prorrogação por quatro meses, desde que haja disponibilidade orçamentária. Bolsonaro pretendia ir pessoalmente ao Congresso entregar a medida, mas desistiu após a morte, por complicações pela Covid-19, do senador Major Olímpio.

Segundo o jornal Valor, Bolsonaro não aprovou, no entanto, o formato atual da reedição do BEM (Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda), que pretendia utilizar recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), que normalmente banca o seguro-desemprego.

A equipe econômica pretendia antecipar parte do benefício para que o trabalhador pudesse seguir empregado. Depois, passou a prevalecer a ideia de reformular as regras de concessão do seguro, de forma a fazer com que o FAT assumisse todo o custo, tornando o acesso ao benefício mais restritivo. Paulo Guedes vinha chamando o modelo de seguro-emprego.

Radar corporativo

As estatais voltam a chamar a atenção no noticiário corporativo. O Ministério da Economia indicou na noite de quinta-feira (18) Fausto de Andrade Ribeiro, atual diretor da BB Administradora de Consórcios, para a presidência do Banco do Brasil, que assume o cargo no lugar de André Brandão, que renunciou na véspera. A saída terá efeito a partir de 1 de abril.

A saída de Brandão marca o desfecho de um desgaste do executivo com o presidente Jair Bolsonaro após o BB ter anunciado em janeiro um plano para fechar 361 agências e abrir um programa de demissão voluntária para 5.000 funcionários, com objetivo de economizar R$ 2,7 bilhões até 2025. A mudança pode reforçar a percepção de investidores de ingerência do governo federal em estatais, cujas ações têm registrado grande volatilidade no mercado nas últimas semanas.

No radar de resultados, a Cyrela registrou lucro líquido de R$ 261 milhões no quarto trimestre, um salto de 75% ano a ano, resultado de crescimento das vendas e de efeitos ligados à venda de participação em companhias que estrearam na bolsa paulista no ano passado. Já a receita líquida do período cresceu 12,9% ante o quarto trimestre de 2019, a R$ 1,057 bilhão, performance apoiada no avanço de 34,1% das vendas, para R$ 1,86 bilhão.

A Cury, subsidiária da Cyrela e que abriu capital ano passado, lucrou R$ 68 milhões nos últimos três meses do ano, alta de 34,9% frente igual período de 2019.

A construtora Even registrou prejuízo líquido de R$ 89,273 milhões no quarto trimestre de 2020, revertendo o lucro de R$ 30,580 milhões no mesmo período do ano anterior.

Já a Hapvida teve lucro líquido de R$ 94,3 milhões no trimestre, queda de 55,2% em relação ao lucro líquido de R$ 210,6 milhões registrado nos últimos três meses de 2019.

Fora do radar de resultados, o  Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu aprovação final para a venda das usinas da Biosev à Raízen, informaram as companhias nesta quinta-feira em comunicados separados.

Petroleiros do Norte Fluminense, que atuam na Bacia de Campos, pediram ao Ministério Público do Trabalho que a Petrobras seja chamada a prestar esclarecimentos sobre o avanço da Covid-19 em plataformas de óleo e gás, após uma disparada de novos casos em unidades de produção desde o início de março, revertendo um movimento de queda visto no início do ano, apontaram dados da reguladora ANP (Agência Nacional do Petróleo).

Além disso, a Petrobras aprovou, em conjunto com suas parceiras Repsol Sinopec e Equinor, o conceito de desenvolvimento do bloco BM-C-33, localizado no pré-sal da Bacia de Campos e operado pela companhia norueguesa, informou a estatal na quinta. Segundo a Petrobras, foram descobertas três acumulações de gás e condensado (óleo leve) no bloco, a cerca de 200 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, denominadas Pão de Açúcar, SEAT e Gávea.

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REFLEXÃO: Barry Ritholtz, da Bloomberg: Mantenha a simplicidade, faço menos e administre sua estupidez.

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