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palavras-chave: JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3) e Minerva (BEEF3): Mudança de ciclos e China pesam sobre resultados no quarto trimestre; invistaja.info;
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O quarto trimestre de 2022 não foi positivo para os frigoríficos brasileiros. Os resultados e as teleconferências da JBS (JBSS3), da Marfrig (MRFG3) e da Minerva (BEEF3) trouxeram algumas coisas em comum, como falas sobre as mudanças de ciclos e sobre a política de Covid Zero na China. Mas o destaque pode ter ficado para a reação ruim das ações no pregão seguinte ao resultado, ainda que encerrando as sessões longe das mínimas do dia.Os papéis ordinários da JBS, por exemplo, caíram mais de 5% após a divulgação do balanço na mínima da sessão, mas fechando em baixa de cerca de 3%. Os da Marfrig e da Minerva, nas mínimas dos dias que sucederam a publicação, recuaram, respectivamente, 6,85% e 8,05%. Contudo, os papéis MRFG3 viraram e fecharam com ganhos de cerca de 1% a sessão pós-balanço, enquanto BEEF3 fechou o dia pós-resultado com baixa de cerca de 2%. “Os resultados do setor de frigoríficos foram ruins de forma geral, principalmente nas empresas de carne vermelha, como JBS, Marfrig e Minerva”, diz Fernando Siqueira, head de research da Guide Investimentos. “O que tem acontecido é que o ciclo de gado está entrando em um momento pior nos Estados Unidos. Há menor oferta de rebanho, o preço da cabeça é maior e a margem das companhias cai. Isso ficou muito evidente no resultado da JBS, a margem caiu quase pela metade na comparação ano a ano”.A mudança do ciclo do gado é um movimento natural que se dá de tempos em tempos. Quando o preço da arroba do boi está alto, produtores rurais tendem a aumentar sua produção, tentando surfar o momento. Isso, porém, leva a uma oferta muito alta e o produto acaba perdendo valor. É quando começa o movimento inverso, de corte da produção, de busca de preços melhores.Neste momento, os Estados Unidos têm pouco gado disponível e os preços estão elevados.O maior frigorífico do Brasil tem nos EUA a JBS Beef North America, responsável por 30% do seu faturamento no quarto trimestre, ou R$ 28,6 bilhões. A margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) deste braço saiu de 21,7% entre outubro e dezembro de 2021 para 3,6% nos últimos três meses de 2022.Somando a Pilgrim’s Pride e a JBS USA Pork, o peso do país norte-americano no resultado da JBS é ainda maior, de mais de 60% – e as margens recuaram em todas essas frentes.“A JBS teve seu resultado pressionado no quarto trimestre e no consolidado do ano. A companhia tem exposição alta aos Estados Unidos. Por lá, há um corte na oferta de gado, por conta do ciclo e de um cenário climático”, comenta Victor Bueno, sócio e analista da Nord Research. “Para a Marfrig, o cenário é parecido. A companhia também tem operação forte nos Estados Unidos”, completa Bueno.Segundo o balanço deste último frigorífico, da sua receita líquida consolidada de R$ 37,3 bilhões, R$ 16,05 bilhões vieram das suas operações nos Estados Unidos. A margem Ebitda por lá saiu de 22,3% para 4,7% na comparação ano a ano.Ainda nessa companhia, a operação da América do Sul gerou uma receita líquida de R$ 6,6 bilhões. R$ 3,8 bilhões foram frutos das exportações, sendo 73% do valor das vendas para o exterior provenientes da China.O gigante asiático, como já mencionado, também foi um dos motivos apontados pelos frigoríficos como causa pelos resultados fracos – uma vez que boa parte da sua população estava sendo impactada pelas restrições impostas pela política de Covid Zero.“Dentro do que foi a performance do trimestre, claro que a gente teve a questão pontual da desabilitação, por exemplo, de uma planta para a China. Isso tem um efeito pontual no resultado”, disse Wesley Batista Filho, presidente global de operações da JBS na teleconferência de resultados.“Diferente dos trimestres anteriores, a Ásia não foi o principal vetor na formação de receita da nossa empresa. Isso foi reflexo natural das fortes restrições impostas pelas autoridades chinesas com a política de Covid Zero no último período do ano passado”, debateu Fernando Galletti de Queiroz, diretor executivo (CEO) da Minerva.A Minerva é a que tem maior exposição à China, segundo analistas. Com sua produção localizada na América Latina e no Brasil, 62,9% dos seus volumes totais foram exportados, ou 190,6 milhões de toneladas. Desse número, 43% foram destinados ao gigante asiático.Por não produzir na América do Norte e por sua exposição à China, que está reabrindo, a Minerva é a que mais deve se beneficiar no curto prazo para os analistas.“A Minerva tem menor exposição aos Estados Unidos. No caso do ciclo, é algo interessante. As proteínas, no Brasil, estão com um efeito de ciclo favorável. É um cenário bom para a indústria, em que as companhias tendem a capturar margens melhores”, debate Leonardo Alencar, analista da XP Investimentos. “Outro ponto importante é que a dependência de grãos para os bovinos na América do Sul não é tão relevante”.De acordo com o especialista, outro fator que pesou na produção de gado norte-americana foi a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que fez os preços de commodities como o milho e o trigo, utilizadas em rações, dispararem, uma vez que os dois países são importantes produtores. No Brasil, a pecuária é majoritariamente extensiva, com criadores deixando o gado solto no pasto e, decorrentemente, tendo gastos menores com ração.“As empresas mais expostas aos Estados Unidos estavam se saindo bem, as brasileiras, estavam mal. Agora está invertendo O ciclo da carne bovina nos Estados Unidos demora de três a quatro anos. No Brasil chega até a oito”, aponta Alencar. “Na América do Sul, o ciclo está favorável para a indústria. Há a questão da China, com a interrupção da exportação por conta do caso atípico de Vaca Louca. Quando reverter, será algo bom”.Na semana passada, a autoridade chinesa General Administration of Customs of the People’s Republic of China (GACC) notificou a retomada irrestrita das exportações de carne bovina do Brasil para a China. As vendas foram suspensas voluntariamente pelas autoridades brasileiras em 23 de fevereiro por um caso de vaca louca, mas foram retomadas depois de detectado o caso atípico (sem contágio).Por fim, a BRF (BRFS3), que atua principalmente no setor de aves e carne de porco, também teve um resultado que não agradou analistas e investidores, com prejuízo de R$ 956 milhões.“BRF, por ser muito mais frango, frustrou porque o mercado esperava a liberação da exportação para o México e houve ainda um recuo do preço da carne. Isso com milho e trigo ainda em patamares elevados”, afirma o analista da XP.Para o futuro, as perspectivas são que o milho e o trigo darão algum espaço para a empresa recompor suas margens, uma vez que o preço das commodities vem recuando.“Para essa empresa, as questões principais são a reestruturação e a gripe aviária. Se a doença continuar fora do país, será bom. Ela só não pode entrar e pegar uma produção, uma granja comercial. Por enquanto, não parece ser o que vai acontecer. O intervalo de migração das aves vai até maio. Passando isso, o Brasil continuará a ser um dos únicos países com potencial de aumentar produção”, avalia.
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REFLEXÃO: Morgan Housel: Se preocupe somente quando você achar que tiver tudo resolvido.
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