Méliuz em busca de internacionalização com base já sólida: os motivos para a 1ª compra feita pela empresa após o IPO

Segundo o CEO da empresa Israel Salmen, o objetivo é que a Picodi se torne a bandeira global da Méliuz
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Edição invistaja.info e MarketMsg

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ALSO3 | EV/EBITDA: 8.33 | Liq.Corr.: 5.26 | Mrg.Liq.: 0.3038 | ROE: 0.0404 | P/L: 23.43 | Liq.2meses: 40135500.0

BRASÍLIA | invistaja.info — A Méliuz (CASH3) anunciou na noite de sexta-feira (26) a compra de 51,2% do site de cupons de desconto Picodi por R$ 120 milhões. É a primeira aquisição da companhia desde sua Oferta Pública de Ações (IPO) em novembro do ano passado, que trouxe R$ 300 milhões para o caixa.

Segundo o CEO da empresa Israel Salmen, o objetivo é que a Picodi se torne a bandeira global da Méliuz. A empresa adquirida tem 4 milhões de usuários cadastrados e atua como uma plataforma de promoções e cupons de descontos, mas ainda não oferece o cashback.

A Picodi.com foi fundada em 2010 na Polônia e é uma plataforma internacional de comércio eletrônico, com cupons de descontos e códigos promocionais, presente em todos os cinco continentes, em 44 países e em 19 línguas diferentes – há inclusive um site em português. A plataforma de cupons tem R$ 31 milhões em receitas anuais (cerca de 26% da Méliuz).

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A Méliuz pode adquirir os 48,8% restantes da Picodi se metas estipuladas para os próximos três e quatro anos forem cumpridas.

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Conforme destaca o Itaú BBA, esta transação trará escala e volume para a operação de mercado da Méliuz e inicia a sua expansão para o mercado internacional com uma base de clientes já sólida. Além disso, a empresa planeja integrar uma oferta de reembolso na plataforma da Picodi.com nos próximos dois a quatro anos, que espera converter visitantes (não necessariamente logados) em usuários recorrentes, obtendo informações de identificação e, posteriormente, maisdados de comportamento do consumidor. A partir daí, a Méliuz vê espaço para agregar serviços financeiros e outros serviços ao monetizar essa base de usuários recorrente.

Durante o processo de IPO, a empresa foi explícita sobre sua intenção de direcionar de cerca de 50% dos recursos da oferta primária para o crescimento inorgânico, e a internacionalização era uma das possibilidades.

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“Embora reconheçamos que as expansões internacionais tragam risco de execução destacamos que, como veículo para operacionalizar esta expansão, a Méliuz encontrou um ativo com uma base de clientes já sólida e orgânica e um perfil saudável de geração de caixa. A aquisição irá, portanto, expandir o mercado endereçável da empresa consideravelmente, sem a necessidade de mais injeções de capital para manter o negócio, o que consideramos como positivo. Esperamos que Méliuz compartilhe mais detalhes sobre a empresa adquirida (vide dinâmica de taxas, estrutura de despesas, etc.) nas próximas semanas. Portanto, vamos esperar para incorporar o números em nosso modelo. Por enquanto, estamos mantendo nossa classificação outperform para a ação da companhia”, avaliam os analistas.

Já o Bradesco BBI aponta que a aquisição da Picodi.com remonta a 2017, após a companhia mapear oportunidades entre 114 empresas em 27 países.

Além da sua estratégia de crescimento também abrir novas avenidas de crescimento, como financeiras (cartão de crédito), a Méliuz também estudou maneiras de diversificar seus fluxos de receita em outros lugares e setores. A Picodi foi considerada única por estar presente em 44 países, com mais de 12 mil parcerias firmadas e 4 milhões de usuários ativos, e pela semelhança de sua cultura, ao mesmo tempo que conta com 94 funcionários. As negociações foram iniciadas em 2017, possibilitando mapear cuidadosamente as oportunidades de crescimento relacionadas à fusão o que, na avaliação do BBI,  será focada na implantação, em um primeiro momento, do negócio de cashback.

“Em nossa opinião, o maior investimento da Méliuz na Picodi será em termos de tecnologia/conhecimento para implementar o negócio de cashback, à semelhança de como opera no Brasil. Para isso, a Méliuz alocará inicialmente dois dos funcionários de sua liderança, André Amaral e Ana Cunha, além de implantar comitês mensais (crescimento, CRM, produtos), o que não vemos impactando o foco da empresa em sua expansão no Brasil. Quanto aos próximos passos, devemos esperar que a Méliuz lance o produto cashback na operação da Picodi nos próximos seis meses, embora em um estágio não tão avançado quanto o produto oferecido no Brasil, embora deva continuar melhorando ao longo do tempo”, avaliam.

O BBI ainda destaca que a operação descentralizada da Picodi pode expandir o mercado potencial para funcionários especializados. Hoje, a Picodi está sediada em Cracóvia, que foi escolhida por vários provedores globais de soluções de TI e empresas de engenharia como fornecendo acesso a um canal robusto de equipe de TI qualificada, enquanto suas operações são totalmente descentralizadas entre os 44 países onde opera. Isso, para o BBI, oferece um maior potencial para a Méliuz atrair funcionários especializados. O preço-alvo do BBI para CASH3 é de R$ 42, o que corresponde a um potencial de valorização de 49% em relação ao fechamento de sexta-feira (26).

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REFLEXÃO: Michael Batnick, gestor de patrimônios da Ritholtz: Evitar erros catastróficos é mais importante do que construir o portfólio perfeito.

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