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Mercado questiona troca no BC, diz ex-diretor: “Tesouro IPCA+ não é para longo prazo”

Executivo também alertou que novo BC pode ter que ver um ciclo de alta antes de ver o juro a um dígito de novo, se o cenário externo não for favorável

Notícias do mercado financeiro

Edição MarketMsg e invistaja.info

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SGEN3 | Cresc.5anos: -0.5985 | Div.Brut/Pat.: 0.02 | P/ACL: -2.01 | ROE: 0.0 | EV/EBITDA: -32.42 | PSR: 593.76

O fim do mandato do atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, tem trazido insegurança para agentes financeiros, diante das chances de que a autoridade monetária adote um perfil mais leniente com a inflação a partir do ano que vem.

“O ciclo está limitado, porque o mercado está questionando a credibilidade dessa transição no Banco Central. É natural que isso fosse acontecer. O BC vai ter que ser mais austero do que seria o caso”, avaliou Bruno Serra, ex-diretor de política monetária do Banco Central e atual portfolio manager na Itaú Asset Management, durante evento organizado pela TAG Investimentos, nesta terça-feira (14).

Para o executivo, há uma questão muito importante a ser considerada na nova configuração do BC. Segundo ele, quanto mais a autoridade monetária adotar um tom dovish (menos inclinado ao aperto monetário), ou transparecer a vontade de “derrubar” o juro, isso poderá aumentar as chances de que ela seja obrigada a manter o juro elevado por mais tempo, ou até mesmo voltar a elevar a Selic.

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Um dos pontos que devem ser monitorados de perto é o cenário externo, na visão de Serra. O executivo explica que, se o ambiente global for positivo, o câmbio tende a andar, o que poderia ajudar o processo. Essa é a aposta do profissional.

Mas não é possível descartar que o cenário externo seja menos favorável. Nesse caso, a visão é que o Brasil poderia ver um “ciclo de alta antes de ver o juro a um dígito de novo, porque o novo BC vai precisar conquistar uma credibilidade que esse ciclo de afrouxamento não gerou”.

Tesouro IPCA + pode não ser uma “maravilha”

A questão, diz, é que ao tentar recompor a credibilidade, a autoridade monetária terá que praticar um juro real mais alto, como é o caso agora, o que pode não ser uma “maravilha” para títulos públicos atrelados à inflação (Tesouro IPCA+). O juro real é formado, entre outros pontos, pela taxa de juros nominal do país subtraída a inflação prevista para os próximos 12 meses.

“Os preços são ótimos, inflação mais 6% e pouco. Agora, para comprar nesse nível vai precisar de um choque externo benigno, ou de um BC leniente que não vai durar muito. Não é uma alocação de longo prazo”, diz o executivo, que detêm hoje apenas uma pequena posição no papel.

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Valor do Ibovespa começa a chamar atenção

Apesar de não ver prêmios atrativos no mercado de juros, Serra diz que começou a ver valor no Ibovespa, que teria ficado “barato”. O profissional conta que iniciou uma posição moderada e comprada (que se beneficia da valorização) no principal índice da Bolsa brasileira.

Segundo ele, o Ibovespa seria o ativo mais alavancado em juro americano, conforme estudos feitos por agentes de mercado. Ou seja, se fosse precificado um ciclo de cortes nos Estados Unidos, é possível que o índice poderia se destacar em relação a outros ativos, diz o especialista.

E a expectativa de Serra é que os Estados Unidos estejam próximos de iniciar o ciclo de afrouxamento monetário, o que deverá “mudar todo o jogo” para a Bolsa e para a classe de multimercados.

“Estamos seis meses à frente dessa virada onde a classe vai voltar a se diferenciar frente aos outros índices de beta, seja de Bolsa, renda fixa”, disse o profissional da Itaú Asset.

Quem também acredita que o grande gatilho para impulsionar as ações será o início do corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano) é Frederico Gouveia, sócio e gestor da Solana Capital, que também participou do painel com Serra.

Gouveia diz que há boas oportunidades hoje em empresas de concessões públicas com taxas de interna de retorno (TIR) de até 15% e com previsibilidade de caixa, o que é positivo.

O executivo também afirmou que vê com otimismo alguns papéis de bancos, como o Itaú (ITUB4), além de ações mais ligadas a shoppings centers e construtoras voltadas ao público de baixa renda, mas sem citar nomes.

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REFLEXÃO: Bill Mann, da Motley Fool Asset Management: Busque investir em conjunto com grandes gestores, depois, é só ser paciente.

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