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Ormuz volta ao centro da tensão após navio ser atingido e petroleiros recuarem

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Edição invistaja.info e MarketMsg

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Um navio foi atingido por um projétil não identificado no Estreito de Ormuz, poucas horas depois de vários cargueiros desistirem da travessia da rota estratégica, em acontecimentos que podem comprometer o que vinha sendo uma reabertura rápida do gargalo energético.

O navio de carga não identificado foi atingido na lateral e sofreu danos na ponte enquanto navegava a sudeste de Omã, informou a UK Maritime Trade Operations (UKMTO). A UKMTO, que faz a ligação entre a navegação mercante e as forças militares, orientou embarcações a “transitar com cautela”.

Os preços do petróleo passaram a subir após o incidente, e o Brent chegou às máximas da sessão, acima de US$ 75 por barril, depois que o Wall Street Journal noticiou que a Guarda Revolucionária do Irã atacou, na quinta-feira, um cargueiro com bandeira de Singapura no Estreito de Ormuz.

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Um funcionário da Casa Branca, por outro lado, disse que ainda é cedo para afirmar quem atingiu o navio. A autoridade, que falou sob condição de anonimato para tratar de deliberações internas, afirmou que os EUA investigam quem foi o responsável pelo ataque, inclusive se a ação partiu da cúpula da Guarda Revolucionária iraniana ou se foi uma decisão isolada de integrantes de escalão inferior. Segundo esse funcionário, não houve mortes nem danos ambientais, e o navio conseguiu seguir viagem.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

Se ficar comprovado que o Irã esteve por trás do episódio, classificado pela UKMTO como um ataque, isso afetará a já frágil confiança de armadores e tripulações de que é possível voltar a navegar pelo corredor do petróleo com segurança. Teerã tem dito repetidamente que navios não podem atravessar Ormuz sem sua autorização, e alguns petroleiros deram meia-volta mais cedo após relatos de advertências da Marinha iraniana para que não cruzassem a passagem.

Na quinta-feira, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico do Irã afirmou que qualquer trânsito realizado fora de sua estrutura não teria cobertura de seguro nem seria protegido por “garantias de passagem segura”.

As embarcações vinham deixando Ormuz em ritmo acelerado desde que um acordo interino de paz entre EUA e Irã entrou em vigor na semana passada, adicionando rapidamente milhões de barris à oferta. Produtores de energia do Golfo começaram a elevar a produção à medida que os fluxos por Ormuz pareciam se manter.

Após o ataque de quinta-feira, a Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês), órgão regulador global da navegação ligado à ONU, informou que estava suspendendo suas operações de evacuação no estreito.

“Fui informado de um ataque hoje, no Golfo de Omã, contra uma embarcação que havia passado pelo Estreito de Ormuz”, disse o secretário-geral da IMO, Arsenio Dominguez, em comunicado. “Essa embarcação não transitou sob a estrutura de evacuação da IMO. Sempre reiterei que a segurança dos marítimos segue sendo primordial. Portanto, para garantir uma abordagem coordenada e a segurança da navegação, o plano de evacuação será suspenso até que haja mais clareza.”

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Na terça-feira, a IMO havia dito ter recebido garantias de segurança que poderiam permitir a saída de centenas de navios do Golfo Pérsico pelo estreito. Ainda assim, mesmo antes do anúncio do plano da entidade, já havia sinais de aumento do tráfego pela hidrovia estratégica.

Duas rotas principais de saída por Ormuz surgiram nas últimas semanas, porque a via habitual, no meio do estreito, é considerada possivelmente minada. Uma delas fica próxima ao Irã, enquanto a outra acompanha o litoral de Omã e conta com proteção dos EUA.

Dois superpetroleiros

Poucas horas antes, ao menos três embarcações comerciais, incluindo dois superpetroleiros, pareciam ter dado meia-volta ao tentar deixar Ormuz pelo lado de Omã. A empresa de inteligência marítima Windward Maritime afirmou que as inversões de rota ocorreram após a Guarda Revolucionária iraniana instruir embarcações a recuar por meio de chamadas de rádio e plataformas de mídia social.

Nem todos os navios deram meia-volta ao mesmo tempo que aqueles que retornaram, segundo dados de rastreamento compilados pela Bloomberg. Alguns seguiram viagem. A mídia iraniana também noticiou que Teerã estava reafirmando seu controle sobre os trânsitos.

A turbulência desta quinta-feira ocorre dois dias depois de a Organização Marítima Internacional, reguladora global da navegação da ONU, afirmar ter recebido garantias de que a passagem por Ormuz era segura. A IMO cancelou uma coletiva de imprensa nesta quinta poucos minutos antes de seu início, citando questões urgentes não especificadas.

O tráfego por Ormuz aumentou rapidamente depois que um acordo interino de paz entre EUA e Irã passou a valer na semana passada. Ainda assim, houve ruídos, inclusive quando o Irã disse, no fim de semana, que a hidrovia estava fechada. A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico do Irã afirmou na semana passada que nenhum navio pode cruzar Ormuz sem sua autorização.

Além das três inversões de rota na saída, um quarto navio também parece ter dado meia-volta após navegar em direção a Ormuz a partir do Golfo de Omã, mostram os dados de rastreamento.

© 2026 Bloomberg L.P.

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