Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quinta-feira – 29/7

Bolsas mundiais seguem em alta após Fomc e com investidores à espera do PIB dos EUA; Caged no Brasil, temporada de resultados e mais
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BRASÍLIA | invistaja.info — A sessão desta quinta-feira (29) é de ganhos para os principais índices mundiais, com os investidores seguindo a repercussão do Federal Reserve, que deu sinais “dovish”, de continuidade de uma política monetária acomodatícia, na decisão da véspera. Já nesta data, será divulgado o PIB do segundo trimestre dos EUA.

Por aqui, a temporada de resultados segue movimentada, com destaque para os números de Vale, Ambev, GPA, entre outras companhias. Na agenda econômica, atenção ainda para os dados do Caged. Confira no que ficar de olho:

1.Bolsas mundiais

+Ações da WEG saltam 6% entre balanço e dividendos, enquanto Santander tem leves ganhos; Vale sobe antes de resultado

Os índices futuros americanos sobem nesta quinta-feira (29) pela manhã, após o Fomc, o Comitê Federal do Mercado Aberto do Federal Reserve, concluir sua reunião de dois dias.

Na quarta, o presidente do Fed, Jerome Powell afirmou à imprensa que, apesar de a economia dos Estados Unidos estar progredindo rumo a suas metas, ainda há um longo caminho antes de o banco central americano ajustar suas políticas expansionistas. Assim, o Fed manteve sua taxa de juros referencial próxima a zero.

O presidente do Fed afirmou: “Nós temos algum caminho a percorrer no que diz respeito ao mercado de trabalho (…) Acho que ainda estamos um pouco distantes de ter progresso substancial. Eu gostaria de ver alguns números fortes de emprego”.

O rendimento dos títulos do Tesouro americano subiu em antecipação ao anúncio, mas teve leve queda após a fala de Powell.

As principais bolsas americanas caminham para fechar o mês em alta. Até o momento, o S&P subiu 2,4% em julho; o Nasdaq Composto subiu 1,8%; e o Dow subiu 1,2%.

Entre as empresas que devem divulgar seus resultados nesta quinta estão Pinterest, Anheuser Busch e Amazon. Investidores também aguardam a divulgação de dados sobre novos pedidos de seguro desemprego e vendas de moradias nos Estados Unidos.

Na quinta-feira, as bolsas asiáticas continuaram em retomada após quedas por dois dias consecutivos no início da semana, quando notícias sobre movimentos regulatórios do governo da China derrubaram as ações de empresas de tecnologia e educação do país.

De acordo com informações de bastidores obtidas pela rede americana CNBC, na quarta o regulador de valores mobiliários da China afirmou a corretoras que o país permitirá que empresas sejam listadas nos Estados Unidos, contanto que atendam a determinadas exigências.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng, que havia registrado queda de 8% nos dois primeiros dias da semana, subiu 3,3% na quinta-feira. O indicador foi impulsionado por forte alta de ações de tecnologia, como Tencent, que avançou 10,02%; Alibaba, que subiu 7,7%; e Meituan, que avançou 9,49%.

No Japão, as ações do Softbank Group subiram 4,08%. O grupo japonês está vendendo cerca de um terço de sua participação no Uber para cobrir perdas em seus investimentos na empresa chinesa de caronas pagas Didi, cujos papéis vêm sofrendo perdas em meio a pressões regulatórias do governo chinês por conta de coleta e uso supostamente inapropriado de informações dos usuários.

As ações do Sony Group também tiveram alta de 3,46% após o braço Sony Interactive Entertainment anunciar na quarta ue mais de 10 milhões de unidades do PlayStation 5 foram vendidas desde o lançamento, o que torna o console aquele com vendas mais rápidas da história da empresa.

Na China continental, o índice Shanghai subiu 1,49%; no Japão, o Nikkei subiu 0,73%; e na Coreia do Sul o Kospi avançou 0,18%.

As bolsas europeias também têm altas nesta quinta, acompanhando a divulgação de resultados e também o anúncio do Fed sobre suas políticas. O índice Stoxx 600, que reúne as ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, avança 0,3%, com destaque positivo para o setor de petróleo e gás e negativo para papéis do setor de viagem e lazer.

O banco Credit Suisse divulgou um lucro líquido de US$ 278,3 milhões no segundo trimestre, abaixo da expectativa de analistas ouvidos pelo próprio banco. O banco também afirmou que uma investigação a respeito de seus negócios com o fundo de hedge Archegos Capital revelou diversas falhas mas nenhuma conduta “fraudulenta ou criminosa”. Nesta quinta, os papéis do banco caem 4,1%.

A fabricante de carros Volkswagen elevou sua meta para margem de lucro pela segunda vez em três meses por conta de faturamento recorde no primeiro semestre. Os papéis da empresa caem 1,3%.

A Royal Dutch Shell informou que o lucro do segundo trimestre subiu a US$ 5,5 bilhões, impulsionado por demanda em recuperação e preços mais fortes de petróleo e gás. A empresa também lançou um programa de recompra de títulos no valor de US$ 2 bilhões e elevou seus dividendos, impulsionando alta de 2,9% de seus papéis nesta quinta.

Ações da Nokia também sobem por conta de resultados fortes. Além disso, o Universal Music Group, da Vivendi, também teve resultados fortes, pouco antes de sua listagem em Amsterdã.

2. Agenda

No Brasil, atenção para os dados de confiança de serviços e o IGP-M de julho, divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Às 14h30, serão divulgados os dados do governo central. Secretário do Tesouro, Jeferson Bittencourt, e outros técnicos participarão de coletiva sobre o resultado primário do mês passado.

Atenção ainda para o dado do Caged, com a projeção de criação líquida de 267.600 postos de trabalho em junho, a serem divulgado às 10h30. Paulo Guedes, ministro da Economia, participa de coletiva sobre o Caged às 11h. Já o Conselho Monetário Nacional (CMN) do Brasil se reúne às 15h.

Nos EUA, às 9h30, são divulgados novos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, com a projeção de 380 mil pedidos, segundo consenso Refinitiv. No mesmo horário é divulgado o PIB trimestral do segundo trimestre no país, com projeção de alta de 8,5% em termos anualizados. Às 11h são divulgadas vendas pendentes de moradias em junho.

Às 20h30 são divulgados dados sobre ofertas de emprego e taxa de desemprego, relativos a junho no Japão. Às 20h50 são divulgadas projeções sobre a produção industrial em julho e agosto no Japão.

3. Covid no Brasil

Na quarta (28), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 1.083, queda de 13% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.366 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 46.147, o que representa alta de 8% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 48.556 casos.

Chegou a 98.202.648 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 46,38% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 39.493.648 pessoas, ou 18,65% da população.

Na quarta, o governador de São Paulo João Doria (PSDB) anunciou que o governo pretende suspender todas as restrições de horário e público no comércio a partir de 17 de agosto. Serão suspensas limitações em empresas e as escolas deverão retornar às aulas presenciais diárias. Mas casas noturnas, shows médios e grandes e jogos esportivos com público devem seguir vetados pelo menos até os resultados de eventos-testes.

Também na quarta, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, realizou um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão em que afirmou que a contenção da crise sanitária e a recuperação da atividade econômica no país dependem, em grande medida, da vacinação contra a Covid-19. Ele fez um apelo para que as pessoas que estão com a segunda dose atrasada completem a imunização.

“Dirijo-me em especial aos brasileiros que estão com a segunda dose em atraso”, disse. “Sua imunização só estará completa após a conclusão do esquema vacinal”.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde com base em informações dos estados e do Distrito Federal, cerca de 4 milhões de pessoas não retornaram aos postos de vacinação para receber a segunda dose dentro do prazo previsto.

O ministro disse ainda que os desafios tornam-se mais complexos com as possíveis mutações do novo coronavírus.

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Anteriormente, a pasta informou que o maior temor é o alastramento da variante Delta, apontada como mais contagiosa em relação à variante prevalente por aqui, a P.1.

Queiroga comemorou o fato de que, com 63% da população adulta vacinada com a primeira dose, houve redução de 40% do número de casos e mortes por Covid em um mês.

O ministro voltou a afirmar que espera ter toda a população brasileira adulta vacinada com a primeira dose até setembro e com o ciclo completo em dezembro.

Lideranças do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuana (Condisi-YY) denunciaram que servidores do Ministério da Saúde venderam pelo menos 106 doses do imunizante Coronavac a garimpeiros em troca de ouro. De acordo com reportagem do portal G1, as vacinas eram destinadas a indígenas da Terra Indígena Yanomami, entre Roraima e Amazonas.

Em abril, a Associação Hutukara também havia denunciado a troca de vacinas por ouro na Terra Indígena Yanomami. Os indígenas são considerados grupo prioritário, o que fez com que sua vacinação se iniciasse em janeiro de 2021.

4. Reformas ministerial e fiscal e eleições

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) oficializou na quarta-feira a recriação do Ministério do Trabalho e Previdência, extinto no início de seu governo, e as nomeações do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para a Casa Civil, do general Luiz Eduardo Ramos para a Secretaria-Geral da Presidência e Onyx Lorenzoni para o novo ministério.

As nomeações e a medida provisória que recria a pasta do Trabalho foram publicadas no Diário Oficial da União de quarta.A MP retira da estrutura do Ministério da Economia a Secretaria Especial do Trabalho e Previdência, que passa a cuidar das áreas de Previdência, incluindo complementar, políticas de geração de emprego e renda, fiscalização, registro sindical, políticas salariais e regulação profissional.

O novo ministério também passa a ter o controle do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), responsável pelas diretrizes de alocação de recursos do fundo, usado em várias políticas públicas.

Além disso, na quarta o ministro da Economia Paulo Guedes afirmou que empresas que recolhem tributos pelo regime Simples Nacional não entrarão na nova regra proposta pelo governo de taxação de dividendos distribuídos a acionistas. Podem aderir ao Simples micro e pequenas empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.

Guedes reiterou que o governo está decidido a reduzir o Imposto de Renda das empresas em 10 pontos percentuais no próximo ano, mas que não abre mão, por outro lado, de restabelecer a tributação dos dividendos.

A proposta do governo encaminhada ao Congresso prevê taxação de 20% sobre os dividendos distribuídos, com isenção para valores de até R$ 20 mil recebidos por mês.

A iniciativa gerou forte reação do setor privado, que argumenta que a medida implica aumento da taxação total sobre os lucros, mesmo com a redução do IRPJ.

Após reunião com Guedes, o relator da reforma tributária na Câmara dos Deputados, deputado Celso Sabino (PSDB-PA), confirmou que seu parecer vai isentar as empresas declarantes pelo regime do Simples da taxação sobre a distribuição de dividendos.

Sabino também indicou haver “grande possibilidade” de ele propor a redução da faixa de isenção da tributação.Em entrevista à GloboNews, o relator afirmou que a redução da alíquota do IR para pessoas jurídicas, que terá uma queda “brusca” para 2,5%, vai injetar R$ 100 bilhões na economia brasileira.

Também na quarta, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, afirmou, em entrevista à GloboNews, que a primeira parte da reforma tributária deve entrar na pauta da Casa na semana quem, com a volta dos deputados após o recesso.Segundo o parlamentar, nessa primeira semana deverá entrar em pauta também a proposta de privatização dos Correios, enviada pelo governo no semestre passado.

O presidente da Câmara diz prever que as reformas, incluindo política, tributária e administrativa, sejam votadas até novembro.

Lira também defendeu o sistema eleitoral brasileiro e garantiu que haverá eleições em 2022. “Vamos ter eleição em outubro de 2022, como vamos ter em 2024 e 2026, limpas e transparentes. Não há dúvida de que o sistema é confiável, mas parte da população e dos deputados quer discutir isso”, disse.

Na quarta, Bolsonaro afirmou a um grupo de apoiadores que o povo vai reagir se eleições no próximo ano não forem democráticas. Ao defender novamente a adoção do voto impresso para as urnas eletrônicas, insinuou que o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, está contra a democracia por se opor à mudança no sistema de votação.

“Me acusavam de ser ditador, estou demonstrando exatamente o contrário. Vai ganhar eleições quem tem voto. Se não for desta maneira, poderemos ter problemas em 22 e eu não quero ter problema”, reforçou o presidente, em vídeo veiculado pelas redes sociais.

O presidente voltou a dizer que vai apresentar na quinta-feira a toda a imprensa o que seriam “todas as inconsistências” nas eleições de 2014 e 2018, ressaltando que será uma “bomba”.

5. Radar corporativo

O noticiário corporativo é movimentado, com destaque para resultados. A Ambev registrou lucro normalizado de R$ 2,9627 bilhões contra R$ 1,3726 bilhão no segundo trimestre de 2020, alta de 115,9%). Para o primeiro semestre de 2020, o lucro foi de R$ 5,7247 bilhões contra R$ 2,6004 bilhões no mesmo período do ano passado, ou alta de 120,1%.

Já a mineradora Vale registrou lucro líquido de US$ 7,586 bilhões no segundo trimestre de 2021, uma alta de 662% ante o lucro de US$ 995 milhões apresentado um ano antes. Em relação ao primeiro trimestre deste ano a alta foi de 36,78%.

A administradora de shopping centers Multiplan teve lucro líquido de R$ 93,77 milhões no segundo trimestre, um aumento de 32,4% ante igual etapa de 2020. O resultado operacional da companhia medido pelo lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda) de abril a junho somou R$ 178,3 milhões, queda ano a ano de 1,4%.

A Dexco (novo nome da Duratex) apresentou lucro líquido recorrente de R$ 251 milhões no segundo trimestre de 2021. O resultado representa um crescimento de mais de 100 vezes em relação ao mesmo período de 2020, quando obteve lucro de R$ 2,2 milhões.

O Grupo Pão de Açúcar teve lucro atribuído aos controladores de R$ 2 milhões no segundo trimestre de 2021, 99,4% menor frente igual trimestre de 2020. Já o lucro líquido consolidado foi de R$ 4 milhões no segundo trimestre, uma queda de 95,9% ante mesma etapa de 2020. A receita da companhia teve baixa de 5,3% de abril a junho, para R$ 11,88 bilhões.

A Movida teve lucro de R$ 174 milhões no 2º trimestre, alta de 6.556% na comparação anual, enquanto a Odontoprev teve baixa do lucro de 25,6% no 2º trimestre, para R$ 86,6 milhões

Gol divulga seus números na quinta-feira. Depois do fechamento do pregão, Localiza, Fleury, Ecorodovias, Transmissão Paulista e Cesp divulgarão seus resultados.

Em destaque entre as estreias, as ações da Brisanet têm o seu primeiro pregão nesta quinta,  após serem precificadas no piso da faixa indicativa, a R$ 13,92. O ticker é BRIT3.

A Petrobras informou que a agência de classificação de risco S&P Global Ratings elevou a sua nota de crédito “stand-alone” (risco intrínseco), de “bb” para “bb+”, conforme comunicado publicado na quarta-feira ao mercado.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a um recurso da Petrobras e anulou a maior condenação trabalhista imposta à estatal petrolífera. Moraes acatou a um pedido para reverter condenação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) de 2018, quando se discutiu a forma de pagamento de uma verba salarial. Na época, segundo uma fonte da empresa estimou à agência internacional de notícias Reuters, a derrota poderia significar perdas de até R$ 17 bilhões para a empresa.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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REFLEXÃO: Harold Pollack, da Universidade de Chicago: Guarde entre 15 e 20% e invista em fundos de índices com taxa baixa.

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