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A melhora na perspectiva do rating soberano do Brasil de estável para positiva, anunciada ontem pela S&P Global reflete mais a melhor percepção sobre a estrutura institucional do País do que avanços significativos no campo fiscal. A opinião é do economista Rodrigo Correa, estrategista-chefe e sócio da BRA BS. “Não houve uma melhora na nota, que está dada, mas uma melhor perspectiva dessa nota e uma expectativa de, nos próximos dois anos, subir”, explica.
Para ele, a S&P viu essa melhora institucional no Brasil tanto na tramitação do arcabouço fiscal no Congresso como na leitura que de o país não sofrerá retrocessos na economia, como uma revisão de reformas ou uma revisão da privatização da Eletrobras, por exemplo.
“A institucionalidade, os pesos e contrapesos, tem funcionado para que arroubos políticos não venham impactar a economia, como se pensava. A expectativa estava muito baixa sobre uma deterioração da economia brasileira”, lembra.
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Correa afirma que houve uma percepção de previsibilidade maior, mesmo com o novo governo demonstrando apetite maior por gastos. “Com isso tudo, a expectativa é de a coisa estar menos negativa do que se esperava. Por isso essa revisão, olhando para os próximos dois anos. A tendência é que a nota suba, o que não significa que vai deixar de ser grau especulativo”, diz.
O economista considera importante a mudança de perspectiva de uma das umas uma das três grandes agências de rating de crédito porque, na prática, o selo mostra o quão digno de receber crédito é um banco, uma empresa ou um país.
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“No mundo inteiro, investidores institucionais e gestores de recursos têm a sua política para quem é grau de investimento. Hoje, o Brasil não é mais grau de investimento e deixa de poder ter acesso a esse contingente de dinheiro global gigantesco”, lembrou.
A importância disse não se resume ao país, destaca Correa. “Não é só a nota do país que importa. As notas de empresas e bancos estão atreladas ao risco soberano”, justifica. Ele explica que toda a economia é beneficiada quando o país pode ir ao mercado no exterior e captar com taxas melhores. “O melhor acesso aos investidores é sempre é algo positivo para a economia.”
Ele reconhece que hoje há mais questionamentos sobre o papel das agências e que sua importância é menor do que já foi no passado, especialmente após a crise econômica de 2008-2009, quando a credibilidade ficou arranhada. “Mas não porque não tenham competência. Elas não perderam totalmente a relevância porque é uma forma de se obter uma avaliação externa, sem vieses, de quem está envolvido na transação, na ponta compradora ou vendedora”, detalhou.
Para o Brasil recuperar sua nota de grau de investimento, o estrategista-chefe da BRA BS ainda vêm um caminho longo porque será preciso subir alguns degraus na escala antes de chegar no chamado triplo BBB, o mínimo para atingir estágio de bom pagador. “O Brasil está hoje num duplo B-. Teria de ir para o campo neutro antes do positivo. Como a economia vai evoluir, a gente pode ver uma subida, mas isso é uma especulação. Quando o Brasil subiu, ficou no patamar inferior da categoria. A gente tem ficado nessa fronteira”, pondera.
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