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palavras-chave: Quem é Ronaldo Caiado: do comando da UDR à candidatura do PSD ao Planalto; invistaja.info;
O PSD definiu o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como seu pré-candidato à Presidência da República para a eleição de 2026. Aos 76 anos, o médico e político goiano retorna à disputa pelo Palácio do Planalto 37 anos depois de sua primeira candidatura presidencial. Agora, conta com o respaldo da legenda comandada por Gilberto Kassab e a promessa de apresentar uma alternativa aos dois polos que dominam a política nacional.
A escolha ocorreu após uma disputa interna no partido. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também era cotado para representar a legenda, enquanto o governador do Paraná, Ratinho Júnior, chegou a ser tratado como presidenciável antes de desistir da corrida.
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Ao anunciar a decisão, Kassab afirmou que Caiado reúne as melhores condições para levar o PSD ao segundo turno e disputar a Presidência contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O dirigente rejeitou a classificação de “terceira via” e definiu a candidatura como uma alternativa para o eleitorado brasileiro.
Sem alianças nacionais consolidadas até o momento, Caiado ainda busca ampliar sua base política. Houve conversas com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também pré-candidato ao Planalto, mas as negociações não avançaram.
Pouco tempo depois, o próprio presidente do PSD, Gilberto Kassab, foi anunciado como candidato a vice na chapa do governador.
A construção do programa de governo ficará sob responsabilidade do ex-ministro Roberto Brant. Ex-deputado federal por duas décadas e ministro da Previdência e Assistência Social no governo Fernando Henrique Cardoso, Brant é articulista do jornal Estado de Minas, e costuma defender maior controle dos gastos públicos, criticar o aumento da carga tributária e apontar a polarização política como um obstáculo para a formulação de políticas públicas.
Da medicina à liderança ruralista
Natural de Anápolis (GO), Ronaldo Caiado é médico formado pela Escola de Medicina e Cirurgia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), com especialização em ortopedia e traumatologia.
Sua projeção nacional começou ainda na década de 1980, quando assumiu a presidência da União Democrática Ruralista (UDR). A entidade foi criada para representar grandes proprietários rurais durante o avanço das discussões sobre reforma agrária na Assembleia Constituinte.
Em 1987, liderou uma manifestação que reuniu cerca de 40 mil produtores rurais de 18 estados em Brasília em defesa do direito à propriedade. A mobilização consolidou Caiado como uma das principais lideranças do campo conservador e do agronegócio.
Dois anos depois, licenciou-se da presidência da UDR para disputar a Presidência da República. Na eleição de 1989, a primeira após a redemocratização, recebeu 0,72% dos votos pelo antigo PSD e declarou apoio a Fernando Collor no segundo turno contra Lula.
A campanha ficou marcada por embates entre os dois candidatos. Em um debate, Lula afirmou que só faria perguntas a Caiado quando ele alcançasse 1,5% das intenções de voto nas pesquisas.
Atuação no Congresso
Depois da eleição presidencial, Caiado permaneceu na política institucional. Foi eleito deputado federal por Goiás em 1990 e permaneceu na Câmara por cinco mandatos consecutivos.
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Durante esse período, tornou-se uma das principais referências da bancada ruralista e um opositor frequente dos governos de esquerda. Passou a maior parte da carreira filiado ao PFL e, posteriormente, ao Democratas.
Em 2014, foi eleito senador por Goiás. Quatro anos depois, aproveitou o crescimento da direita nas eleições de 2018 para conquistar o governo estadual ainda no primeiro turno. Na época, recebeu apoio do então candidato Jair Bolsonaro.
Relação com o bolsonarismo
A relação entre Caiado e Bolsonaro alternou momentos de proximidade e ruptura. No governo de Goiás, procurou fortalecer uma imagem de gestor voltado ao equilíbrio das contas públicas e ao endurecimento das políticas de segurança. Durante a pandemia de Covid-19, rompeu com o então presidente ao defender medidas de isolamento e criticar a condução do governo federal.
Depois dos ataques de 8 de Janeiro de 2023, condenou as invasões às sedes dos Três Poderes e afirmou apoio ao Estado Democrático de Direito. Nos últimos meses, porém, voltou a fazer acenos ao eleitorado conservador ao defender uma anistia ampla para Bolsonaro e para os condenados pelos atos.
Segurança pública como principal bandeira
No segundo mandato à frente de Goiás, Caiado passou a utilizar a segurança pública como principal eixo de sua projeção nacional. O governador tornou-se um dos principais críticos da PEC da Segurança Pública apresentada pelo governo federal e participou das articulações em torno do chamado PL Antifacção.
Entre as propostas defendidas por ele, está a equiparação de facções criminosas a organizações terroristas. O tema ganhou espaço no debate político após discussões sobre o combate ao crime organizado.
A estratégia adotada por Caiado busca ampliar sua presença nacional em uma pauta tradicionalmente valorizada pelo eleitorado de direita e diferenciá-lo de outros governadores que também disputam espaço na oposição.
Uma família ligada à política goiana
A trajetória política de Caiado também está ligada à história de sua família em Goiás. Ele é neto de Antônio Ramos Caiado, conhecido como Totó Caiado, que foi deputado federal, senador e interventor no estado durante a Primeira República. Também é primo de Leonino Di Ramos Caiado, ex-governador de Goiás e ex-prefeito de Goiânia.
Os laços familiares de Caiado na política incluem ainda:
Emival Ramos Caiado, seu tio, que exerceu mandatos de deputado federal e senador;
Seu trisavô, Antônio José Caiado, que foi presidente da antiga Província de Goiás no fim do século XIX;
Brasil Ramos Caiado, tio-avô, que governou Goiás entre 1925 e 1929.
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