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Vale (VALE3): analistas são unânimes ao apontar resultado decepcionante, mas se dividem sobre comprar ou não a ação

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Edição invistaja.info e MarketMsg

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CPSL3 | Liq.2meses: 0.0 | EV/EBIT: 5.48 | Mrg.Liq.: 0.092 | Pat.Liq: 1634730000.0 | Mrg.Ebit: 0.1359 | P/VP: 3.49

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Custos altos. Apesar de analistas de mercado já esperarem por um resultado não muito positivo para a Vale (VALE3),  os números dos primeiros três meses do ano decepcionaram.A mineradora registrou lucro líquido de US$ 1,84 bilhão no primeiro trimestre, queda de 58,8% versus o mesmo período do ano anterior, em meio a preços mais baixos e queda na comercialização de minério de ferro. O valor veio abaixo do esperado por analistas que previam um lucro líquido de US$ 2,422 bilhões, em média, conforme dados da Refinitiv.O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado das operações continuadas somou US$ 3,58 bilhões entre janeiro e março, ante US$ 6,21 bilhões um ano antes. O Ebitda ajustado proforma foi de US$ 3,7 bilhões, 7% abaixo do consenso (-26% no trimestre e -44% no ano).Leia mais:Confira o calendário de resultados do 1º trimestre de 2023 da Bolsa brasileiraO que esperar da temporada de resultados do 1º trimestre? Confira ações e setores para ficar de olho“Embora já antecipássemos um resultado mais fraco devido à piora na dinâmica da receita, notamos que os custos de produção mais altos foram o principal destaque negativo nos resultados, com os custos caixa C1 ( custo de produção dos finos de minério de ferro da mina ao porto, incluindo terceiros) aumentando de US$ 21,20 a tonelada no 1T22 para US$ 26,70 a tonelada no 1T23, potencialmente aumentando as preocupações sobre o desempenho dos custos no futuro”, aponta Guilherme Nippes, analista da XP.Além disso, os custos das operações de níquel aumentaram significativamente, devido ao mix de produtos de menor qualidade e à transição para a mineração subterrânea da mina de Voisey’s Bay.O Bradesco BBI também destacou esse início de 2023 como difícil, com o Ebitda 13% abaixo das suas estimativas.“Embora parte dos resultados negativos já tenha sido precificada após a prévia operacional (a Vale reportou embarques e preços realizados na semana passada em seus dados de produção e vendas), esperamos que a ação sofra com os números consolidados do 1T23, especialmente porque o desempenho do custo foi muito mais fraco do que o esperado”, avaliam os analistas.Os ADRs (recibo de ações negociados nos EUA) da companhia chegaram a cair cerca de 3% na noite da última quarta-feira, logo após o balanço, mas amenizou a queda: às 8h50 (horário de Brasília), os papéis caíam 0,65%, a US$ 13,80. Cabe ressaltar que, no ano, a ação cai 19% também em meio à recente fraqueza do minério, com baixa acumulada de 12,5% apenas em abril.O BBI pondera, também, que os resultados foram impactados por uma miríade de “eventos pontuais”, de chuvas mais fortes do que o normal que afetaram as exportações do Sistema Norte (com consequente impacto na qualidade e prêmios do minério) e com antecipação de paradas de manutenção impactando custos.Sobre o salto do custo C1, bem acima do guidance para 2023 de US$ 20-21 a tonelada, os analistas apontaram que tentarão obter uma melhor medida de se os componentes que impulsionaram esse aumento são de fato persistentes ou se devem desaparecer nos próximos trimestres.Pelo lado positivo, tanto XP quanto BBI destacaram o fluxo de caixa livre em US$ 2,3 bilhões, impactado pelo capital de giro positivo (+US$ 700 milhões), parcialmente compensado por capex (-US$ 1,1 bilhão) e desembolsos de Brumadinho (-US$ 300 milhões). A dívida líquida expandida foi de US$ 14,3 bilhões (dentro da meta de US$ 10-20 bilhões), enquanto a dívida líquida/Ebitda ajustado dos últimos 12 meses foi de 0,5 vez. Além disso, o programa de recompra está 47% concluído.Divisão sobre futuro da ação segue em pautaPara o Goldman Sachs, que também destacou os números como fracos e impactos por altos custos, o trimestre foi marcado provavelmente por muitos eventos pontuais, incluindo sazonalidade e vendas mais fracas do que o normal, mas os lucros têm ficado aquém das expectativas por alguns trimestres e os investidores estarão de olho no cumprimento do guidance (projeções) pela empresa.Enquanto isso, os preços do minério de ferro devem continuar sendo o principal fator da tese de investimento na Vale. A equipe de commodities do banco vê sustentação no preço do minério de ferro no 2T23 devido a uma combinação de sentimento positivo em relação à reabertura da China, sazonalidade positiva (forte demanda por aço, fraca oferta de minério de ferro) e reposição após Ano Novo Chinês.Porém, aponta que isso deve ser seguido por uma oferta sazonal crescente, aumento das exportações da Índia e da Austrália e aumento da oferta de sucata na China. Indo para a segunda metade do ano, a demanda fraca como resultado de lançamentos imobiliários mais fracos em 2022 também ficará mais evidente, o que deve impactar a cotação do minério.Assim, os analistas do Goldman mantêm recomendação neutra para a Vale, pois vê as ações precificando um minério de ferro de US$ 97 a tonelada ante a projeção da casa de minério a US$ 120 a tonelada em 2023 e a US$ 90 em 2024.O JPMorgan também tem recomendação neutra para a mineradora e espera uma revisão para baixo da expectativa de lucros pelo mercado, com base no Ebitda decepcionante.Além disso, em recentes conversas, analistas do banco destacam a visão de que, enquanto os investidores geralmente concordaram que os preços do minério de ferro provavelmente seriam corrigidos em 2023, havia divergências na trajetória potencial dos preços.“Nossas conversas sugerem que os investidores estão mais pessimistas em relação ao minério de ferro e à Vale nas últimassemanas, o que poderia impulsionar ainda mais a revisão dos lucros para baixo. Além disso, nós acreditamos que os investidores também ficarão mais cautelosos com relação aos custos, especialmente para a divisão de minério de ferro”, avalia.Por outro lado, algumas casas seguem convictas na tese em Vale, apesar dos resultados fracos e expectativa de que as ações repercutem negativamente os números do trimestre.O BBI manteve sua recomendação outperform (desempenho acima da média, equivalente à compra) para a Vale, seguindo com a visão de que os fundamentos do mercado de minério de ferro devem melhorar nos próximos meses, sustentado pelo aumento da demanda na China e baixos estoques de minério de ferro (principalmente estoques mantidos por siderúrgicas).“A Vale deve se beneficiar diretamente deste ambiente positivo, com forte geração de fluxo de caixa livre e perspectivas de remuneração dos acionistas”, apontam, destacando também o desconto de 30% em relação aos pares australianos.O Credit Suisse aponta que, por um lado, continua construtivo em relação ao minério de ferro (preço médio esperado de  US$ 120 a tonelada esperado para o segundo e terceiro trimestres e de U$ 115 no quarto trimestre), apesar da recente queda de preço. Por outro lado, reconhece que os resultados do 1T23 da Vale representam uma queda em relação à sua atual projeção para o ano.O banco suíço, assim como o BBI, possui recomendação outperform nos ADRs da Vale, acreditando que a mineradora oferece um Free Cash Flow Yield, ou rentabilidade de fluxo de caixa livre atrativo de 12% em 2023. Dentro de sua política de dividendos mínimos, a empresa poderia registrar um dividendo yield, ou dividendo em relação ao preço da ação, de 8% para 2023 (assumindo preços médios de minério de ferro em US$ 115 a tonelada em 2023).“Além dos dividendos mínimos, a Vale deve continuar a utilizar seus recursos extras de fluxo de caixa para recomprar agressivamente suas ações, dada a recente queda no preço das ações”, apontam os analistas.O Morgan Stanley é outra instituição a ter recomendação equivalente à compra (overweight, exposição acima da média do mercado) para os ADRs da Vale, com preço-alvo de US$ 19, ou potencial de alta de 37% em relação ao fechamento da véspera.O banco avalia que o momentum do preço do minério de ferro no 2T23 seguirá apoiando os preços, suportado pela oferta reduzida, melhor sazonalidade da demanda e políticas favoráveis do mercado imobiliário na China. “Vemos uma resolução para o acordo de compensação de Mariana e outras etapas como liberar valor da unidade de metais básicos sendo catalisadores positivos”, avaliam.A divisão se reflete também na compilação feita pela Refinitiv de casas de análise que cobrem os ADRs da mineradora. De 25 casas que cobrem os ativos da Vale, 14 recomendam compra, 10 manutenção e 1 venda. O preço-alvo médio, por sua vez, é de US$ 18,58, ainda um potencial de alta significativo de 34% em relação ao fechamento da véspera. Assim, apesar de mais um resultado fraco, a divisão sobre os ativos continua.

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REFLEXÃO: Ben Carlson, autor de A Wealth of Common Sense – A riqueza do senso comum, em tradução livre: Menos é mais. O processo de investimento deve ser mais importante que os resultados. Comportamento correto na hora de investir é a chave.

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