Amazônia deve ser encarada como ativo, e não passivo, dizem especialistas

Em painel sobre os desafios da região, especialistas destacam a necessidade de criar modelos de negócio escaláveis que protejam a floresta
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email

Informação para quem vive o mercado

Edição invistaja.info e MarketMsg

palavras-chave: Amazônia deve ser encarada como ativo, e não passivo, dizem especialistas; invistaja.info;


ELET6 | Mrg.Ebit: 0.3861 | ROIC: 0.0775 | P/Ativo: 0.277 | Cotacao: 32.02 | Div.Brut/Pat.: 0.68 | DY: 0.105

CURITIBA | invistaja.info — Embora ocupe cerca de 60% do território nacional, a região amazônica foi historicamente considerada uma área pouco relevante do ponto de vista econômico, por ser responsável por apenas cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Mas dada a atenção que o mundo tem depositado sobre a Amazônia nos últimos anos, essa visão deve ser deixada no passado.

“Cada vez mais, o que acontece com a Amazônia vai influenciar a economia e as relações do Brasil com o mundo, independentemente da sua participação no PIB”, afirmou Mariano Colini Cenamo, fundador e diretor do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), durante painel do evento Expert ESG, da XP Investimentos, nesta terça-feira (02).

Essa é a boa notícia, segundo Cenamo. “A má é que o momento é crítico, porque parte da relevância que a região tomou recentemente foi em função de notícias como o desmatamento em 2020, o maior dos últimos 12 anos.”

+A governadores, Lira sugere criação de fundo para unir recursos contra a Covid-19

O especialista participou do painel “Amazônia 4.0”, junto com Denise Hills, diretora global de Sustentabilidade na Natura, e Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). A discussão se centrou nas potencialidades da floresta amazônica para se tornar um centro de geração de valor para o país.

Na visão dos especialistas, as oportunidades são muitas e grandiosas. “O Brasil está em uma situação extremamente vantajosa. Se tratarmos a floresta amazônica como um ativo, e não como um passivo, temos a possibilidade de fazer investimentos com alto retorno”, afirmou Marina. Uma guinada para a economia verde, que valorize a floresta, destacou a especialista, teria impacto potencial de R$ 2,8 trilhões no PIB.

Marina destacou que o setor empresarial brasileiro tem observado com interesse crescente as discussões relacionadas à Amazônia. Há experiências objetivas em andamento, como o caso da Votorantim Cimentos, que passou a utilizar o caroço do açaí como combustível para os fornos em fábricas no Pará. E há iniciativas de mobilização e cobrança em curso também.

Em julho do ano passado, por exemplo, um conjunto de cerca de 40 companhias e organizações protocolaram junto à vice-presidência da República e ao Conselho Nacional da Amazônia Legal um comunicado em defesa da agenda do desenvolvimento sustentável e combate ao desmatamento.

“Vemos muitas empresas falando do compromisso de reduzir a zero a emissão líquida de gases do efeito estufa até 2050. Não lembro de outro momento em que o setor privado tenha vocalizado tanto esse tema e atuado em rede”, disse Marina.

Empresas tomam a frente

Algumas empresas têm essa discussão bastante amadurecida. É o caso da Natura, por exemplo, que estabeleceu o desenvolvimento sustentável como um direcionador estratégico logo após a Eco 92, conferência das Nações Unidas sobre meio ambiente e desenvolvimento realizada em 1992. A Amazônia está no centro das ações da empresa desde então.

“Na Amazônia, combinar o potencial da ciência e da tecnologia com conhecimento de povos tradicionais, valorizando a cultura local, se mostrou um desafio. Como podemos criar modelos de negócio que protegem o meio ambiente e criam valor para pessoas de maneira escalável?”, questionou Denise, da Natura.

hotWords: passivo, encarada amazônia como deve

Seja anunciante no invistaja.info

A empresa vem procurando encontrar essa resposta há pelo menos 20 anos, e já com alguns resultados. Denise destacou que desde 2011, por exemplo, a companhia desenvolve parcerias locais com agroindústrias da Amazônia. Em 2014, criou o Ecoparque, no Pará, que se propõe a ser um hub de produção de bioativos, de pesquisa e desenvolvimento, e de atração de parcerias para a região.

“Em 20 anos, foram 5.300 famílias nas nossas cadeias produtivas, com a distribuição de cerca de R$ 33 milhões em compras de insumos e repartição de benefícios”, afirmou a executiva.

Acalmar e atrair investidores

Na visão dos especialistas, a Amazônia será o grande diferencial do Brasil na economia global. No momento, porém, tem despertado a desconfiança de investidores. No ano passado, por exemplo, gestores que administram US$ 3,75 trilhões em ativos pressionaram o governo brasileiro com uma carta aberta em que demonstraram preocupação com o desmatamento.

“Não há solução simples para problemas complexos”, defendeu Cenamo, do Idesam, ressaltando que a combinação de uma agenda de ações de curto e de longo prazo é premente.

No curto prazo, é preciso conseguir reduzir o desmatamento, reforçou. “Sabemos a fórmula. Tem de aumentar a fiscalização, reduzir as queimadas, interromper processos de grilagem, apoiar comunidades indígenas, fortalecer os órgãos de governo, entre outras ações”, disse Cenamo.

Para o longo prazo, na visão do especialista, é preciso atacar temas pouco tratados: o empreendedorismo e o protagonismo empresarial. “Há 15 anos, quando começamos a reduzir o desmatamento, apostamos no governo, na academia e no terceiro setor”, disse.

“Faltaram os empreendedores de pequenos negócios e startups, além do envolvimento de grandes empresas, mesmo que elas não tenham responsabilidade direta sobre a região.”

palavras-chave: Amazônia deve ser encarada como ativo, e não passivo, dizem especialistas; invistaja.info;

BRASIL | negocios | invistaja.info – Amazônia deve ser encarada como ativo, e não passivo, dizem especialistas

REFLEXÃO: Eddy Elfenbein, dono do site Crossing Wall Street: Seja paciente e ignore modismos. Foque no valor e não entre em pânico.

Tópicos mais acessados:

Senado discute exclusão do Bolsa Família dos “gatilhos” da PEC Emergencial

OCDE: não deve ser prerrogativa chefe de governo escolher presidente de estatal

OCDE alerta sobre uso político de estatais e independência de conselheiros

CVM abre terceiro processo administrativo desde início da crise na Petrobras

Entre em contato para anunciar no invistaja.info

Resumo do mercado

Assine grátis nossa newsletter semanal

Suas informações não serão compartilhadas com terceiros e também não enviaremos promoções ou ofertas.

Newsletter invistaja: receba um resumo semanal dos principais movimentos do mercado

Suas informações não serão compartilhadas com terceiros e também não enviaremos promoções ou ofertas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *