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Há mais de 40 anos os Titãs já cantavam “a televisão me deixou burro, muito burro demais”. Agora, um novo estudo mostra que a banda de rock nacional tinha certa razão.
O trabalho sugere que passar horas diante da TV pode ter um efeito negativo na saúde cerebral que não é observado quando se passa o mesmo tempo sentado à mesa resolvendo problemas, respondendo a e-mails ou, de alguma forma, colocando o cérebro para trabalhar.
A pesquisa, publicada na revista Alzheimer’s & Dementia: Journal of the Alzheimer’s Association, acompanhou mais de 1.700 adultos por quase 24 anos.
O estudo constatou que homens que assistiam frequentemente à televisão na meia-idade apresentavam volumes cerebrais menores em regiões vulneráveis à doença de Alzheimer, além de um maior grau de danos cerebrais associados ao declínio cognitivo e à demência. O mesmo não foi observado em mulheres.
Para garantir que o efeito não estava relacionado ao fato de as pessoas estarem sentadas por muito tempo — algo que vem sendo apontado por estudos como prejudicial à saúde —, os pesquisadores levaram em conta as diferenças na atividade física geral, e isso não afetou o resultado. Assim, a prática ou não de exercícios não interferiu nos achados.
“Durante anos, concentramo-nos em quanto tempo as pessoas passam sentadas. Nossas descobertas sugerem que também devemos prestar atenção ao que elas estão fazendo enquanto estão sentadas”, diz o biólogo David Raichlen, da Universidade do Sul da Califórnia, em comunicado.
Os pesquisadores analisaram especificamente áreas do cérebro conhecidas por apresentar alterações precoces na doença de Alzheimer e demências relacionadas, bem como áreas com maior volume de hiperintensidade da substância branca (HSB) — um “marcador de doença cerebrovascular de pequenos vasos associado ao declínio cognitivo e ao risco de demência”, segundo o estudo.
Em comparação com aqueles que relataram assistir à televisão “com muita frequência”, as pessoas que relataram ficar sentadas “sempre” durante o trabalho apresentaram menos lesões na substância branca e maiores volumes nos córtices frontal, parietal e occipital.
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Mesmo o trabalho sedentário frequentemente envolve planejamento, leitura, escrita, tomada de decisões e resolução de problemas. Pesquisas anteriores sugerem que essas atividades mentalmente estimulantes podem ajudar a construir uma “reserva cognitiva”, permitindo que o cérebro lide melhor com as alterações relacionadas ao envelhecimento.
Considerando também que existem pesquisas mostrando que leitores de livros vivem quase dois anos a mais do que não leitores, parece haver, de fato, uma diferença entre um cérebro ativo e um passivo durante o tempo em que se está sentado.
O estudo apresenta limitações. Foram usados dados autorrelatados por participantes que estimaram quanto tempo passavam assistindo à TV ou sentados à mesa, o que é menos confiável do que dados medidos objetivamente. A pesquisa também não consegue provar que assistir à TV causou diretamente as diferenças cerebrais e, claramente, há também um fator relacionado ao gênero.
Homens e mulheres
A diferença marcante entre os sexos surpreendeu os pesquisadores. “Descobrimos que as associações entre assistir TV e a estrutura cerebral eram muito mais fortes nos homens do que nas mulheres”, disse à publicação ScienceAlert o biólogo Natan Feter, da Universidade do Sul da Califórnia.
“Isso pode ocorrer porque homens e mulheres acumulam tempo sedentário de maneiras diferentes — por exemplo, as mulheres podem interromper o tempo sentadas com mais frequência — ou devido a diferenças biológicas na forma como o cérebro responde ao comportamento sedentário prolongado.”
Estudos anteriores constataram que as mulheres tendem a preferir assistir à televisão em blocos de menor duração — embora passem mais tempo assistindo no total —, enquanto a preferência dos homens por esportes e filmes frequentemente resulta em longos períodos ininterruptos no sofá.
Diferenças hormonais, fatores de estilo de vida (como responsabilidades com o cuidado dos filhos) ou diferenças na forma como os cérebros masculino e feminino envelhecem também podem desempenhar um papel importante.
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REFLEXÃO: James Early, do Motley Fool: Explore a fraqueza cognitiva dos outros
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