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palavras-chave: Bolsa brasileira está barata, mas estrangeiros não veem urgência para voltar, diz BBA; invistaja.info;
Os estrategistas do Itaú BBA Daniel Gewehr, Matheus Marques e Raphael Matutani resumiram suas recentes conversas om investidores institucionais (buy-side) sobre ações brasileiras, focando em fatores que impulsionam o mercado, sentimento, posicionamento e seleção de ações/setores, destacando alguns pontos principais, como a “falta de urgência” para a volta dos estrangeiros.
O banco aponta a visão de que, após a queda recente das ações, com o Ibovespa indo para cerca de 170 mil pontos após encostar nos 200 mil pontos, o valuation da Bolsa brasileira é atrativo, mas os catalisadores estão fracos, não sendo assim suficiente para reversão da tendência de curto prazo.
“Os investidores concordam amplamente que as ações brasileiras retornaram a níveis atraentes, com o Ibovespa sendo negociado cerca de 20% abaixo de seu múltiplo de preço sobre lucro (P/L) histórico (versus o índice ACWI, que reflete a performance de ações de grande e médio porte em 23 mercados desenvolvidos e 26 emergentes, com um prêmio de cerca de 10%). No entanto, isso não foi suficiente para impulsionar uma reavaliação (re-rating) no curto prazo”, apontam os estrategistas.
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Para os investidores, o principal entrave continua sendo a falta de catalisadores, juntamente com riscos persistentes de queda nos lucros devido à incerteza macroeconômica – particularmente em torno da dinâmica fiscal e do ritmo de flexibilização monetária. Isso é visível até mesmo em ações de setores de qualidade (financeiro e utilities, como energia e saneamento), onde os valuations estão descontados, mas a convicção para aumentar o risco permanece limitada.
Já na visão dos estrategistas do BBA, o valuation continua sendo o pilar mais forte da sua análise, continuando a favorecer exposições orientadas a valor (value): ativos com características de renda fixa ou bond proxies (utilities, saneamento, shoppings) e cíclicos de qualidade (bancos e construtoras voltadas para baixa renda).
O banco ainda ressalta que a atividade de recompra de ações por parte das empresas também aumentou sequencialmente (R$ 2,5 bilhões em maio versus R$ 800 milhões em abril), reforçando indiretamente o suporte via valuation.
Como destacam os analistas, as alocações globais permanecem fortemente inclinadas para mercados impulsionados pela IA (notadamente Taiwan e Coreia), apoiadas por revisões de lucros mais fortes e pesos nos índices de referência (benchmarks).
Nesse ambiente, o Brasil/América Latina continua atuando como fonte de recursos (funding), com investidores estrangeiros reduzindo a exposição em meio a uma visão macro menos construtiva.
Os fluxos estrangeiros para a B3 caíram significativamente (de um pico de cerca de R$ 68 bilhões no acumulado do ano para menos de R$ 38 bilhões, com os fundos locais de ações continuam registrando resgates líquidos no mês e no acumulado do ano.
Ao mesmo tempo, o posicionamento agora está mais leve, melhorando a relação risco-retorno. “Apesar da visibilidade limitada de catalisadores, os investidores reconhecem cada vez mais que surpresas positivas poderiam ter um impacto maior do que novas notícias negativas”, apontam.
Para o BBA, os indicadores técnicos estão se tornando mais favoráveis, com o indicador de sobrecompra/sobrevenda do Ibovespa entrando recentemente em território de sobrevenda, historicamente associado a recuperações de cerca de 5% ao longo de aproximadamente 8 semanas.
Quanto pessimismo está embutido nos preços?
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Neste sentido, uma discussão recorrente é se os ativos brasileiros já precificam um cenário macroeconômico excessivamente pessimista.
Os investidores têm destacado inconsistências entre classes de ativos: as taxas de juros locais sugerem uma perspectiva significativamente mais adversa do que as ações e o câmbio. Com taxas reais acima de 8% e visibilidade limitada da política econômica, essas divergências tornaram-se mais acentuadas.
Enquanto isso, os mercados parecem segmentados: as taxas de juros (mais influenciadas por fatores locais) refletem maior pessimismo, enquanto o câmbio e as ações incorporam cenários menos severos. Os investidores esperam que essa lacuna acabe sendo fechada — seja por meio de uma melhora nas taxas ou de uma deterioração em outras áreas.
“Nossa estrutura de análise Bull-Bear sugere que a renda fixa precifica apenas cerca de 20% de probabilidade para um cenário de alta (bull), contra cerca de 35% nas ações e 55% no câmbio – indicando um pessimismo substancial já embutido nos ativos brasileiros”, avalia.
Rotação voltará para valor?
O BBA também discutiu com investidores uma possível nova rotação global de crescimento (growth) para valor (value).
Os estrategistas do BBA enxergam que a construção de portfólios é cada vez mais moldada pelo custo de oportunidade em relação às ações globais. Os investidores locais estão alocando mais capital em mercados internacionais – particularmente no setor de tecnologia – muitas vezes em detrimento da exposição doméstica.
“Muitos preferem o acesso direto a temas de crescimento global em moedas fortes em vez da exposição cambial indireta via exportadoras brasileiras. Investidores estrangeiros, por sua vez, reduziram posições anteriores (overweight em petróleo), ao mesmo tempo em que revisitam seletivamente empresas de qualidade subvalorizadas no Brasil (setores financeiro, de utilidade pública, saúde e construção civil)”, avaliam.
Neste cenário, persiste uma tensão fundamental: oportunidades atraentes de longo prazo versus o foco de curto prazo da comunidade de investimentos local.
Na visão do BBA, as condições atuais favorecem portfólios equilibrados que combinam diversificação (incluindo ativos cambiais) com large caps de qualidade e ações de valor no Brasil. Desta maneira, a carteira recomendada da casa mantém exposição a exportadoras (tanto em commodities quanto em Embraer EMBJ3, com peso de cerca de 28%), juntamente com apostas em valor no mercado doméstico.
Por outro lado, estão (underweight, abaixo da média do mercado) em ações de crescimento no Brasil, privilegiando o setor de saúde (Rede D’Or – RDOR3) dentro dessa categoria.
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REFLEXÃO: Michael Batnick, gestor de patrimônios da Ritholtz: Evitar erros catastróficos é mais importante do que construir o portfólio perfeito.
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