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Edição MarketMsg e invistaja.info
palavras-chave: Brasil pode ser potência agroambiental, diz líder do Arapyaú; invistaja.info;
O Brasil reúne condições para se tornar uma potência agroambiental e transformar sua natureza em riqueza, defende Renata Piazzon, presidente do Instituto Arapyaú.
Para ela, o país só vai avançar quando aceitar que é possível gerar valor com a floresta em pé. Em entrevista ao (MarketMsg), a executiva fala sobre o potencial do país na economia de baixo carbono, o legado da COP30 e o que ainda impede a sustentabilidade de ser vista como oportunidade, e não como custo.
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(invistaja.info): O Brasil reúne ativos que poucos países têm, mas muitas vezes parece não conseguir transformar isso em protagonismo. O que está faltando?
Renata Piazzon: O Brasil precisa acreditar que pode ser uma potência agroambiental. O movimento ambiental e o agronegócio ainda estão presos a uma narrativa antiga, de que é impossível conciliar desenvolvimento e conservação. Só quando a gente entender que é possível gerar valor com a floresta em pé, e que não tem melhor país para fazer isso no mundo, vamos conseguir transformar tudo isso em uma estratégia política de país. Muitas das soluções que o mundo procura já existem aqui. O desafio é converter vantagens comparativas — biodiversidade, florestas, reservas minerais e energia limpa — em vantagens competitivas.
(MarketMsg): O mundo passa por uma reorganização econômica movida por geopolítica, inteligência artificial, transição energética e clima. Em quais frentes o país tem mais potencial para liderar?
Renata Piazzon: Todos esses movimentos estão muito conectados. A inteligência artificial depende de energia; a transição energética, de minerais. E, quando você olha esse cenário, é evidente que o Brasil ocupa uma posição privilegiada. A transição para uma economia de baixo carbono é uma das nossas maiores oportunidades, porque poucos países combinam produção de alimentos, biodiversidade, potencial de restauração de florestas e energia limpa como nós. O mundo está buscando segurança: energética, alimentar e climática. E o Brasil é capaz de oferecer essas três respostas simultaneamente.
(MarketMsg): A sustentabilidade ainda é vista muitas vezes como custo. O que impede essa mudança de mentalidade?
Renata Piazzon: Durante muito tempo, a sustentabilidade foi apresentada como obrigação, conformidade ou restrição ao crescimento, quase sempre associada a custos. Na prática, muitas soluções reduzem desperdícios, aumentam a eficiência, ampliam o acesso a capital e criam novos mercados. O desafio é traduzir essa agenda para a linguagem dos negócios, mostrando que produtividade, competitividade e sustentabilidade podem — e devem — caminhar juntas. Para isso, precisamos produzir evidências econômicas e apresentar casos concretos. Enquanto a sustentabilidade for encarada como custo, dificilmente vamos avançar na velocidade que precisamos.
(MarketMsg): O que mudou na forma como o setor privado enxerga esses temas nos últimos anos?
Renata Piazzon: Cada vez mais empresas percebem que sustentabilidade está ligada a acesso a mercados, competitividade, atração de investimentos e gestão de riscos. O debate deixou de ser “se” essa agenda importa e passou a ser “como” implementá-la de forma consistente. Os consumidores estão mais atentos à origem dos produtos, o mercado financeiro já incorpora riscos climáticos nas análises e grandes empresas exigem critérios socioambientais de suas cadeias de fornecedores. Mas ainda temos muito a avançar para tratar a sustentabilidade como estratégia de inovação e geração de valor.
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(MarketMsg): Essa entrada de fatores climáticos nas decisões de investimento já é estrutural ou ainda depende do cenário econômico?
hotWords:líder pode Arapyaú
Renata Piazzon: Vejo essa mudança como estrutural, embora avance em velocidades diferentes dependendo do contexto. Os riscos climáticos já são riscos financeiros, e isso tende a se aprofundar. Ao mesmo tempo, ainda precisamos desenvolver instrumentos capazes de direcionar capital para soluções que conciliem retorno, conservação e desenvolvimento dos territórios. Essa arquitetura financeira ainda está em construção. Em momentos de volatilidade e tensão geopolítica, o tema pode até perder espaço no debate público. Mas a direção da transformação dificilmente será revertida.
(MarketMsg): A COP30 colocou o Brasil em evidência. Que legado esse momento pode deixar, inclusive do ponto de vista econômico?
Renata Piazzon: A COP30 foi uma oportunidade rara de reposicionar o Brasil como um país capaz de oferecer soluções para alguns dos maiores desafios globais e de mostrar que clima, natureza e desenvolvimento podem caminhar juntos. Se conseguirmos acelerar investimentos, fortalecer a bioeconomia, impulsionar a restauração de florestas e transformar boas experiências em políticas públicas e negócios de larga escala, teremos aproveitado esse momento. O verdadeiro legado será mostrar que conservar e produzir não são excludentes e que a economia de baixo carbono pode ser um vetor de crescimento para o país.
(invistaja.info): O país fala em desenvolvimento de longo prazo, mas segue preso ao curto prazo. Como quebrar esse ciclo?
Renata Piazzon: O primeiro passo é construir agendas que sobrevivam aos ciclos políticos e sejam entendidas como agendas de Estado, não de governo. Também precisamos fortalecer espaços onde diferentes setores construam consensos em torno de objetivos comuns. Precisamos de uma visão compartilhada de onde queremos chegar: que economia queremos construir, como pretendemos competir no mundo, quais setores desenvolver. Quando essas respostas ficam claras, as políticas públicas ganham continuidade e o capital encontra previsibilidade para financiar a transformação.
(invistaja.info): O Arapyaú atua como articulador entre setores. Qual o maior desafio de construir consensos num debate tão polarizado?
Renata Piazzon: A gente sempre fala que trabalha com convergência, e não com consenso. O desafio é criar espaços onde as pessoas consigam conversar a partir do que compartilham, e não apenas das diferenças. A convergência não elimina os conflitos, mas permite construir soluções práticas. Num contexto de alta polarização, desenvolver capacidades de coordenação e de construção coletiva é essencial. Os problemas que enfrentamos hoje são complexos demais para serem resolvidos por um único setor.
(MarketMsg): Quais características serão indispensáveis para as lideranças dos próximos dez anos?
Renata Piazzon: As lideranças vão precisar desenvolver pensamento sistêmico, capacidade de colaboração e disposição para atuar em redes. Os grandes desafios atuais não respeitam fronteiras entre setores, disciplinas ou países. Quem conseguir conectar diferentes perspectivas, construir confiança e transformar complexidade em ação terá uma enorme vantagem. Também será fundamental entender que os desafios econômicos, ambientais, tecnológicos e sociais estão profundamente conectados. Não existe mais decisão exclusivamente financeira, nem exclusivamente ambiental.
(MarketMsg): Qual foi a decisão mais difícil que você tomou como líder?
Renata Piazzon: Foi deixar uma trajetória consolidada no Direito para ingressar em um campo que, para mim, era completamente novo: a filantropia e o terceiro setor. Abrir mão de uma identidade profissional já construída para começar quase do zero exigiu coragem. Hoje, olhando para trás, tenho convicção de que foi a melhor decisão que tomei. Essa experiência me ensinou que o crescimento profissional nem sempre acontece no caminho mais seguro. Muitas vezes, ele exige disposição para sair da zona de conforto e para aprender continuamente.
(MarketMsg): Estamos em 2035. Qual notícia sobre o Brasil faria você pensar que “valeu a pena todo esse trabalho”?
Renata Piazzon: Gostaria de ler que o Brasil se tornou a principal referência mundial no desenvolvimento de soluções baseadas em clima e natureza, conciliando prosperidade, conservação e inclusão social. Que conseguimos mostrar ao mundo que manter a floresta em pé gera mais valor do que destruí-la. Que as comunidades locais passaram a viver melhor porque participam das cadeias da bioeconomia. E que os investidores passaram a olhar para o país não apenas pelos recursos naturais, mas pela capacidade de transformar esses ativos em inovação, conhecimento e desenvolvimento.
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REFLEXÃO: Rich Greifner, da Motley Fool: Pense a longo prazo, seja paciente e busque por retornos assimétricos.
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