Caixa Seguridade: quatro grandes bancos recomendam compra para ação e veem potencial de alta de até 79%

Analistas veem uma combinação positiva de crescimento, dividendo e valuation atrativo, enquanto citam eventual interferência política como risco
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Edição invistaja.info e MarketMsg

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NGRD3 | P/ACL: 7.82 | EV/EBITDA: 23.41 | ROE: 0.0341 | P/VP: 3.22 | Cresc.5anos: 0.0 | Cotacao: 6.23

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RIO DE JANEIRO | invistaja.info — Desde a sua estreia na Bolsa, em 29 de abril, as ações da Caixa Seguridade (CXSE3) já subiram 15,20% (até o fechamento de quarta-feira) e analistas de mercado veem potencial para o papel subir ainda mais.

Quatro bancos – Morgan Stanley, Credit Suisse, Itaú BBA e Bank of America – iniciaram a cobertura para os ativos CXSE3 com recomendação equivalente à compra e preços-alvos que variam de R$ 15 a R$ 20, ou um potencial de alta entre 34% e 79%. As ações avançam entre 2% e 3% na sessão desta quinta-feira (10), na casa dos R$ 11,30.

A Caixa Seguridade é a segunda maior seguradora do Brasil, controlada pela Caixa Econômica (que detém 82% de participação na empresa). Ela possui quase 15% de participação de mercado, contando com 24% do mercado de bancassurance (vendas de seguros pelas instituições financeiras). O mercado de bancassurance, por sua vez, conforme ressalta o Credit Suisse, responde por mais de 60% dos prêmios e sua participação tem se mantido nos últimos anos.

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O Credit Suisse, que possui preço-alvo de R$ 15 (ou potencial de alta de 34,6% frente o último fechamento) para as ações da companhia, aponta que a Caixa Econômica Federal tem de longe a maior rede de distribuição do Brasil, o que continua sendo uma vantagem competitiva fundamental para o modelo de negócios de bancassurance da Caixa Seguridade.

A companhia tem um histórico e crescimento e rentabilidade muito bom, avaliam os analistas, com um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) médio se mantendo em um nível bastante saudável de 30% com um crescimento médio anual composto (CAGR) dos lucros de 13% desde 2016.

Os analistas destacam três principais alavancas de crescimento para os próximos anos e que justificam a expectativa de crescimento anual do lucro em 33% para o período entre 2021-2023: i) melhor cenário dado os novos acordos com parceiros de seguro e distribuição (deve garantir lucro quase 70% maior que em 2020); ii) maior penetração de seguro com estratégia comercial renovada e iii) maior apetite de empréstimo da Caixa Econômica.

“Acreditamos que a Caixa Seguridade está subvalorizada, considerando o crescimento significativo dos lucros à frente, decorrente da melhor economia nos novos acordos comerciais com seus parceiros de seguros, a crescente contribuição de sua corretora totalmente controlada (Caixa Corretora) e a crescente, mas ainda baixa, penetração de diversos produtos de seguros. Apesar do forte desempenho desde o IPO, avaliamos que o mercado ainda está atribuindo um desconto excessivo em relação ao risco de execução”, destacam.

O Itaú BBA, que possui preço-alvo de R$ 16 para os ativos CXSE3 (upside de 43,6%), destaca que a empresa construiu pilares para que seu processo de oferta pública inicial de ações avançasse, incluindo uma junta diretora com dois membros independentes, contratos de longo prazo com seguradoras privadas. O banco também ressalta a execução de sua nova estratégia comercial, com apoio da Wiz ([ativo=WIZ3]).

O Bank of America, que tem preço-alvo de R$ 17 (projeção de alta de 52,6% para as ações) avalia que, além das novas parcerias em seguros e da criação de uma corretora própria, a Caixa Seguridade também se beneficiar da maior penetração de produtos de seguros entre os clientes da Caixa.

A expectativa é de crescimento do lucro de 40% em 2021 e também 2022; na sequência, em 2023 e 2024, a alta projetada é de 20% ao ano. Para os analistas do BofA, o crescimento de médio prazo deve ser sustentado pela projeção de recuperação econômica e melhoria do emprego, bem como pela continuidade da alavancagem da carteira de crédito da Caixa e do crescimento da base de clientes.

O BofA ainda destaca que os ativos da Caixa Seguridade ainda podem ser uma boa opção em termos de dividendos, com o dividend yield (dividendo em relação ao preço da ação) podendo ir a 9,3%.

O Morgan Stanley, que possui o preço-alvo mais alto para os ativos, de R$ 20, com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado), aponta que a ação da empresa é atrativa para apostar no setor de seguros e financiamento no Brasil. O preço-alvo corresponde a um valor 79,5% maior frente o fechamento de quarta-feira.

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Ela está bem posicionada para capturar o forte crescimento do setor e se beneficia, avaliam os analistas, que afirmam  que iniciativas de vendas e a restruturação recente devem levar a crescimento mais rápido e a lucratividade.

“Acreditamos que a Caixa Seguridade pode acelerar o crescimento elevando as vendas cruzadas para clientes da Caixa Econômica Federal. De fato, apenas 8% dos clientes da Caixa possuem um produto de seguro, em comparação com 30% a 40% nos bancos do setor privado. Essa baixa penetração de clientes resultou no crescimento da Caixa Seguridade muito mais rápido do que a indústria nos últimos três anos [pela base de comparação mais baixa]”, avalia o Morgan.

Além disso, os analistas esperam que a recente reestruturação da empresa conduza a um crescimento mais rápido dos lucros nos próximos dois a três anos por meio de três vias principais: i) estabelecendo melhor relação para parcerias existentes, ii) permitindo que a empresa entre em novos segmentos de produtos, e iii) melhorando o modelo de taxas de corretagem e aumentando a exposição da empresa à corretagem de seguros, uma linha de negócios mais ampla e defensiva”, Os analistas projetam um crescimento do lucro por ação da companhia de 27% em 2021, de 58% em 2022 e de 24% em 2023.

Entre os riscos que estão no radar, as casas de análise destacam um principal: o que decorre do fato da empresa ser estatal.

Assim, avalia o BBA, os maiores riscos são associados à governança corporativa, e a perspectiva de uma eventual intervenção política sobre a companhia.

Os analistas do Credit Suisse apontam também que alterações no governo geralmente levam a mudanças na liderança da Caixa Econômica Federal e, provavelmente, na Caixa Seguridade. “Uma mudança na gestão e na estratégia pode levar o banco a apostar na venda de produtos bancários, em detrimento dos produtos de seguros. A redução do apetite de crédito nos segmentos imobiliário e folha de pagamento pela CEF pode afetar o crescimento dos produtos hipotecários e prestamistas”, apontam, destacam outros riscos para o cenário da empresa.

O BofA também destaca o risco de interferência, mas ressalta que o desconto da seguradora frente os pares parece excessivo, de 14% sobre os concorrentes. Para os analistas, contratos com empresas operacionais são protegidos por acionistas minoritários devidamente empoderados e alterações na gestão ao nível da holding não devem impactar a execução nem a estratégia.

Confira as projeções dos analistas para as ações da Caixa Seguridade:

*em relação ao fechamento de quarta-feira (9)

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