China aperta o cerco e minério de ferro cai 6% na semana: por que isso não deve preocupar os investidores da Vale?

Tangshan, a principal cidade siderúrgica do país, cortou produção de aço de forma a restringir as operações altamente poluentes
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email

Negociando na bolsa de valores

Edição MarketMsg e invistaja.info

palavras-chave: China aperta o cerco e minério de ferro cai 6% na semana: por que isso não deve preocupar os investidores da Vale?; invistaja.info;


MTSA4 | Mrg.Ebit: 0.0898 | Mrg.Liq.: 0.1467 | Liq.Corr.: 3.13 | P/L: 5.5 | P/EBIT: 8.98 | Pat.Liq: 279084000.0

BRASÍLIA | invistaja.info — A semana foi negativa para o minério de ferro, com a commodity fechando em baixa de cerca de 6% na Bolsa de Commodities de Dalian, na China, na segunda maior perda semanal até agora este ano.

O motivo para tanto foi a continuidade das medidas na China para restringir as operações altamente poluentes das siderúrgicas e reduzir a capacidade de produção, que pesaram sobre o ânimo dos investidores com a commodity.

Na segunda-feira, o minério de ferro spot, matéria-prima para a fabricação do aço, chegou a ser negociado a US$ 176 por tonelada, perto de máxima de US$ 179,50 na semana passada, recorde desde 2012, segundo dados da SteelHome.

+Bolsonaro diz que fará o que o povo quiser e ressalta ser o chefe das Forças Armadas

Contudo, no mesmo dia, o Ministério da Ecologia e Meio Ambiente da China pediu que Tangshan, a principal cidade siderúrgica do país, reprima aqueles que violam as regras de qualidade do ar, depois que quatro usinas não conseguiram implementar restrições à produção durante dias de forte poluição. Assim, Tangshan instou as empresas industriais pesadas, como siderúrgicas e usinas de coque, a cortar a produção.

Os efeitos do anúncio foram sentidos imediatamente no mercado, uma vez que a cidade, situada na província de Hebei, responde por um quarto da produção de aço no país, maior produtor global.

Apenas na terça-feira (9), os futuros do minério negociados na Bolsa de Dalian chegaram à baixa máxima de 10%, a 1.031,50 iuanes, ou US$ 157,98, revertendo em parte os ganhos registrados anteriormente com o otimismo do mercado sobre um aumento na demanda após Ano Novo Lunar. Nesta sexta, o contrato futuro negociava a 1.059 iuanes, US$ 163,11,  fechando a semana em queda de 6%.

Apesar do noticiário ter também levado a uma baixa das ações de companhias do setor, notoriamente da Vale (VALE3), com queda de cerca de 3% na semana, os analistas de mercado seguem otimistas com as ações de mineração e siderurgia. A expectativa já era de baixa dos preços do minério, considerados a valores não sustentáveis depois da disparada em 2020 por conta da restrição da oferta e a demanda forte da China na ocasião. Contudo, a resiliência do minério de ferro, mesmo com a queda recente da cotação, leva inclusive a revisões positivas para os papéis do setor.

A XP Investimentos apontou nesta semana que, em seus modelos, projeta um preço de US$ 120 a tonelada ao final do ano para o minério de ferro. “Nossa preferência no setor segue por Vale, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 122 por ação”, apontam os analistas.

Em relatório desta sexta-feira, os analistas do Bradesco BBI inclusive elevaram a projeção para o preço médio do minério de ferro em 2021, de US$ 130 a tonelada para US$ 140 a tonelada, enquanto a perspectiva para 2022 passou de US$ 90 para US$ 100. Assim, a expectativa é de queda para o minério de ferro, mas ainda a patamares bastante sustentáveis para as companhias.

Com isso, reforçou também a recomendação outperform (desempenho acima da média) para os ADRs (American Depositary Receipts) na NYSE e para as ações da Vale negociadas na B3,  elevando o preço-alvo de US$ 24 para US$ 25 e de R$ 120 para R$ 133, respectivamente.

hotWords: isso deve ferro investidores cerco china

Entre em contato para anunciar no invistaja.info

A recomendação outperform também foi reforçada para Usiminas (USIM5), com o preço-alvo sendo elevado de R$ 20 para R$ 22 e com o BBI reforçando a companhia como top pick entre as siderúrgicas, mas com preferência pela Vale também ao considerar as mineradoras. A visão também é positiva para a Gerdau (GGBR4), com preço-alvo indo de R$ 31 para R$ 33.

“Os preços dos metais surpreenderam nossas expectativas já positivas até agora neste ano, enquanto a demanda pelo açocontinua com suporte no Brasil, EUA e México e provavelmente não devendo esfriar antes do terceiro trimestre”, avaliam.

Enquanto os preços do minério de ferro e do aço internacional superaram as estimativas dos analistas no primeiro trimestre, o real se desvalorizou ainda mais, deixando espaço para aumentos adicionais nos preços do aço no Brasil. Além disso, as siderúrgicas negociaram contratos anuais com montadoras.

Os analistas citaram as restrições à produção de aço chinesa em 2021, mas também ainda esperam que o mercado de minério de ferro permaneça deficitário (estimativa é de um déficit de 60 milhões de toneladas). A avaliação é de que a demanda ainda deva apresentar forte desempenho em 2021 (impulsionado pela atividade manufatureira e de construção), não apenas na China, mas em outras grandes economias, à medida que o mundo sai da pandemia do coronavírus.

Durante a semana, ao avaliarem as atuações recentes na China com potencial de conter a produção de aço em 2021, os analistas do BBI apontaram que isso não significaria necessariamente a ruína para a demanda de minério de ferro, uma vez que a demanda geral de aço de uso final ainda deve crescer, uma grande parte da indústria já estava adaptada aos padrões de emissão mais baixa e eles não viam a China recuar significativamente no mercado. Além disso, apontaram, a produção pode ser mais forte em outras partes do gigante asiático, potencialmente compensando as perdas em Tangshan.

Cabe destacar ainda que a Vale tem uma vantagem competitiva: sua mina de Cajarás no norte do Brasil possui o minério de ferro de maior qualidade em qualquer lugar do mundo, com 65% de ferro (versus o padrão no mercado internacional de 62%), o que é um diferencial, ainda mais levando em conta a luta da China contra a poluição.

A expectativa do BBI é de que a Vale tenha um forte desempenho em 2021, com a projeção de que a mineradora gere um lucro antes juros, impostos, depreciações e amortizações de US$ 32 bilhões (12% acima do consenso de mercado) e com um Fluxo de Caixa Livre para o Patrimônio Líquido (FCFE) de US$ 15 bilhões. A projeção é de dividendos totais de US$ 10 bilhões, ou um dividend yield (dividendo em relação ao preço da ação) de cerca de 11%.

Assim, apesar do revés recente do minério de ferro, as expectativas seguem positivas. De acordo com as projeções compiladas pela Refinitiv, de 9 casas que cobrem os ativos VALE3, apenas 1 delas não recomenda compra para os papéis, com recomendação neutra para os ativos.

palavras-chave: China aperta o cerco e minério de ferro cai 6% na semana: por que isso não deve preocupar os investidores da Vale?; invistaja.info;

GLEBA PALHANO | mercados | invistaja.info – China aperta o cerco e minério de ferro cai 6% na semana: por que isso não deve preocupar os investidores da Vale?

REFLEXÃO: Rich Greifner, da Motley Fool: Pense a longo prazo, seja paciente e busque por retornos assimétricos.

Veja também:

EUA podem doar vacinas da AstraZeneca ao Brasil, diz jornal

Anvisa esclarece divergência com OMS sobre uso do rendesivir

Epicentro da pandemia, Brasil reduz testagem e tem percentual de positivos 6 vezes acima do recomendado

Mercado de olho no Fed após promessa do BCE de acelerar compras

Entre em contato para anunciar no invistaja.info

Resumo do mercado

Assine grátis nossa newsletter semanal

Suas informações não serão compartilhadas com terceiros e também não enviaremos promoções ou ofertas.

Publicidade

Newsletter invistaja: receba um resumo semanal dos principais movimentos do mercado

Suas informações não serão compartilhadas com terceiros e também não enviaremos promoções ou ofertas.

Publicidade