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China retoma “coroa” dos supercomputadores dos EUA pela primeira vez desde 2017

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Edição invistaja.info e MarketMsg

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SAN FRANCISCO — A China retomou, nesta terça-feira (23), um cobiçado posto da computação dos Estados Unidos, elevando a disputa tecnológica entre as duas potências em uma corrida com implicações para a ciência, a segurança nacional e a geopolítica.

O LineShine, um sistema de computação de grande porte em Shenzhen, na China, foi declarado o mais rápido do mundo por um grupo de pesquisadores com base em uma série de testes padrão para supercomputadores. Além da velocidade bruta, o sistema chamou atenção por usar apenas microprocessadores convencionais, e não os chips especializados conhecidos como unidades de processamento gráfico, ou GPUs, dos quais a maioria dos supercomputadores de ponta depende para realizar cálculos pesados.

Esse desenho de base pode apontar para uma maneira mais eficiente de combinar inteligência artificial com tarefas científicas tradicionais, disse Jack Dongarra, um dos organizadores da lista Top500, que reúne os supercomputadores mais poderosos do mundo.

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Dongarra, professor de ciência da computação e engenharia elétrica da Universidade do Tennessee, inspecionou recentemente a nova máquina no Shenzhen Cloud Computing Center. Os resultados obtidos pelo LineShine foram mais de 20% superiores aos do El Capitan, sistema do Lawrence Livermore National Laboratory, na Califórnia, que liderava o ranking semestral de desempenho de supercomputadores desde novembro de 2024. A China não colocava uma máquina no topo da lista desde 2017.

“É um sistema impressionante”, disse Dongarra sobre o LineShine. “Eles nos superaram ao desenvolver um sistema que não depende de GPUs.”

O novo supercomputador reforça a corrida entre China e Estados Unidos pela supremacia tecnológica. Gigantes americanas como OpenAI, Anthropic e Google desenvolveram alguns dos principais modelos de IA do mundo, enquanto outra empresa dos EUA, a Nvidia, se tornou a principal fornecedora global de chips para inteligência artificial. A China, por sua vez, tem buscado inovar por outros caminhos. No ano passado, a startup chinesa DeepSeek lançou um modelo avançado de IA usando apenas uma pequena fração de chips especializados.

Para evitar que a China alcançasse os EUA, o presidente Donald Trump impôs tarifas e, em alguns momentos, restringiu as exportações de chips de IA. Mas o uso de microprocessadores padrão — conhecidos como CPUs — em vez de GPUs para construir um supercomputador ultrarrápido sugere uma possível forma de contornar essas barreiras.

“O governo dos EUA deveria impor controles mais rígidos sobre a exportação e a fabricação de CPUs para o mercado chinês”, disse Jimmy Goodrich, pesquisador sênior do Instituto sobre Conflito Global e Cooperação da Universidade da Califórnia. “Essa é uma brecha nas regras atuais.”

Supercomputadores — nome dado às maiores máquinas dedicadas à ciência — são usados desde os anos 1960 para tarefas como criar modelos climáticos, quebrar códigos e desenvolver armas nucleares. Em geral, operam com matemática de alta precisão, expressando números com 64 bits de dados.

Já os sistemas comerciais de IA de empresas como Google e OpenAI podem ser ainda mais rápidos. Eles usam aproximações em tarefas como identificar imagens ou escolher a próxima palavra de uma frase, recorrendo a números de quatro e oito bits, o que permite realizar muitas operações mais simples ao mesmo tempo.

“É notável e impressionante o que a China fez aqui, mas eles não chegam nem perto desses enormes supercomputadores de IA construídos pelos laboratórios americanos de IA” e por outros grupos, disse Goodrich.

Os laboratórios nacionais dos EUA, principais compradores de alguns dos maiores supercomputadores do mundo, querem usar IA para acelerar partes do trabalho científico. Por isso, vêm adotando mais desses cálculos menos precisos, além da tradicional arquitetura de 64 bits.

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Embora empresas americanas tenham dominado historicamente o topo do ranking dos maiores supercomputadores, sistemas estrangeiros eventualmente assumiram a liderança. Um sistema no Japão, por exemplo, ocupou o primeiro lugar da lista entre 2020 e 2022.

“Há muito discurso de que a América é o único país capaz de construir esses sistemas”, disse Addison Snell, analista da Intersect360 Research, empresa que acompanha o setor. “Mas aí você descobre que outras companhias também têm essa capacidade.”

Sistemas avançados da China e do Japão têm levado, com frequência, o Departamento de Energia e outras agências americanas a pressionar por mais verbas para supercomputação. Em novembro, o governo Trump lançou a Genesis Mission, iniciativa que busca usar os supercomputadores dos laboratórios nacionais dos EUA, em conjunto com empresas privadas, para turbinar a IA e a pesquisa científica.

As GPUs, desenvolvidas principalmente por Nvidia e Advanced Micro Devices, têm sido uma arma central na recente corrida dos supercomputadores. Esses chips são especialmente eficientes para executar muitas tarefas ao mesmo tempo, incluindo cálculos vetoriais usados na ciência e multiplicação de matrizes, que está no centro de muitas aplicações de IA.

Quando autoridades americanas limitaram o acesso da China a GPUs e outros chips poderosos, além de restringir a exportação de algumas máquinas usadas na fabricação dos semicondutores mais avançados, isso levou o país a “investir no desenvolvimento de arquiteturas e tecnologia para, na prática, ter supercomputadores no mesmo nível dos sistemas de melhor desempenho dos EUA”, disse Dongarra.

O LineShine não separa as funções tradicionais de microprocessadores e GPUs, como fazem a maioria dos sistemas de ponta. Em vez disso, incorpora tarefas no estilo GPU por meio de circuitos especializados que aceleram cálculos de matrizes e vetores. Essa capacidade está embutida em chips que somam quase 14 milhões de núcleos de computação — pequenos cérebros eletrônicos — instalados em 90 gabinetes de hardware.

Esses chips são um projeto original baseado em um conjunto de instruções licenciado da Arm Holdings, empresa britânica controlada pelo conglomerado japonês SoftBank. A tecnologia da Arm é mais conhecida por equipar smartphones, mas vem sendo adaptada recentemente por Nvidia, Amazon, Qualcomm e outras empresas para uso em data centers.

Dongarra, que escreveu um relatório detalhado sobre o novo sistema, disse ter sido informado durante a visita à China de que a máquina foi construída sem financiamento do governo. Por isso, os projetistas consideraram que seria possível submeter os testes ao ranking Top500.

Os cientistas de Shenzhen também buscaram reconhecimento para a nova máquina por meio de 14 inscrições ao Prêmio Gordon Bell, que promove a solução de problemas científicos sofisticados, disse Dongarra. Três sistemas são finalistas da premiação, e outros três concorrem a um prêmio relacionado à ciência do clima.

Segundo o relatório de Dongarra, o LineShine já foi usado em projetos como uma simulação sofisticada da Terra — incluindo atmosfera, oceano, solo e gelo —, além de uma simulação complexa do cérebro humano.

c.2026 The New York Times Company

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