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Supervalorização das ações de IA: ameaça aos ganhos ou ajuste passageiro?

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Edição invistaja.info e MarketMsg

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As ações ligadas à inteligência artificial acumulam alta de 111% em dólar desde o início de 2026, mas, paradoxalmente, estão mais baratas do que em janeiro. A avaliação é de gestores e analistas que descartam a formação de uma bolha semelhante à das empresas de internet no fim dos anos 1990.

“O que parece contra intuitivo é que, apesar da alta expressiva, essas ações ficaram mais baratas”, afirmou Davi Fontenele, analista de fundos da XP, nesta segunda-feira (22), no podcast Carteiros do Condado, ao citar levantamento da gestora WHG. A explicação, segundo ele, está no crescimento ainda mais acelerado dos lucros das companhias do setor.

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No mesmo período, as projeções de lucro dessas empresas foram revisadas para cima em mais de 160%. Na prática, isso significa que, embora os preços das ações tenham subido, o ganho esperado por papel avançou em ritmo superior, reduzindo o múltiplo pago pelo investidor.

“O crescimento do lucro foi maior do que a valorização das ações”, resumiu Priscila Araújo, da XP Advisory. Para os gestores, essa dinâmica contrasta diretamente com a bolha das pontocom, quando as ações subiam sem sustentação em resultados.

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Ausência de sinais clássicos de euforia financeira

Outro ponto destacado é a ausência de sinais clássicos de euforia financeira. O endividamento excessivo — frequentemente associado a bolhas — ainda não aparece de forma relevante, segundo os analistas. Ao mesmo tempo, há forte fluxo de capital para financiar o setor, com gigantes de tecnologia e novas empresas disputando espaço no mercado de capitais.

A cadeia da inteligência artificial também ajuda a explicar a valorização. Na base estão infraestrutura, energia e semicondutores, segmentos com barreiras de entrada elevadas e capacidade limitada de expansão no curto prazo. Na outra ponta, empresas de software e modelos de linguagem enfrentam competição mais intensa.

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Esse desequilíbrio entre oferta e demanda tem provocado pressão de custos. A narrativa inicial de que a IA seria deflacionária, ao aumentar produtividade, tem sido revista no curto prazo.

“Hoje, o efeito é inflacionário, especialmente pelos componentes eletrônicos”, disse Priscila, ao citar também o impacto sobre energia, água e terras usadas em data centers. A própria Apple (AAPL34) já indicou pressão de custos em insumos ligados à memória e componentes de seus dispositivos.

O mercado também passou a tratar os “tokens” — unidades de processamento dos modelos de IA — como o novo insumo crítico da economia digital. Apesar disso, a adoção ainda é limitada, o que, na visão dos gestores, indica espaço relevante de expansão.

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IA também redesenha composição dos mercados globais

No cenário global, a inteligência artificial também está redesenhando a composição dos mercados. Em bolsas de países emergentes, três empresas asiáticas — TSMC (TSMC34), SK Hynix e Samsung — já concentram quase 30% dos índices, elevando a exposição ao tema a níveis até superiores aos do S&P 500.

Nesse rearranjo, o Brasil perdeu peso relativo. Sua participação em índices de emergentes caiu de cerca de 8% para 5%, e para algo próximo de 0,3% a 0,4% em carteiras globais, reduzindo o fluxo automático de capital estrangeiro para a bolsa local.

A crescente popularidade de fundos de índice e produtos alavancados também adiciona risco, segundo os gestores, ao ampliar tanto as altas quanto as quedas em momentos de volatilidade.

Ainda assim, a leitura predominante entre os participantes do debate é de que o movimento atual difere estruturalmente da bolha das pontocom. O argumento central segue o mesmo: desta vez, a valorização é acompanhada por crescimento real de lucros e revisões consistentes de projeções — e não apenas por expectativas.

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REFLEXÃO: Harold Pollack, da Universidade de Chicago: Guarde entre 15 e 20% e invista em fundos de índices com taxa baixa.

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