Cielo: desafios cada vez maiores se refletem em balanço pouco inspirador e reforçam ceticismo com ação

Apesar do progresso em algumas linhas do balanço e do valuation considerado atrativo a princípio, analistas veem cenário macro e concorrência como desafios
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Edição MarketMsg e invistaja.info

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CAMB3 | P/Cap.Giro: -48.64 | Cresc.5anos: -0.1222 | Pat.Liq: 97343000.0 | Liq.2meses: 452070.0 | P/EBIT: 27.98 | Liq.Corr.: 0.95

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BRASIL | invistaja.info — Pouco inspiradores e com sinais de uma estrada tortuosa pela frente, ainda que apresentando alguns dados positivos. Foi assim que os analistas de mercado projetaram o futuro da Cielo (CIEL3) após o resultado do primeiro trimestre de 2021, divulgado na noite da última terça-feira (27). Os dados, por sinal, levam a uma queda expressiva dos papéis: às 12h23 (horário de Brasília), os ativos CIEL3 caíam 3,56%, a R$ 3,52, acumulando perdas de mais de 11% em 2021.

A administradora de maquininhas divulgou lucro líquido de R$ 241,3 milhões para o primeiro trimestre, crescimento de 44,6% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Por outro lado, excluindo efeitos não recorrentes, a Cielo teve lucro líquido de R$ 135,8 milhões no primeiro trimestre, quedas de 54,5% sobre o período de outubro a dezembro do ano passado e de 18,6% ante o primeiro trimestre de 2020.

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Já a receita líquida de R$ 2,72 bilhões entre janeiro e o fim de março, queda de 9,9% na comparação com o quarto trimestre de 2020 e recuo de 3,8% na relação anual. A receita com aquisição de recebíveis e Fidc consolidada somou R$ 95,8 milhões, expansão de 17,5% na base trimestral, mas com recuo de quase 50% sobre os três primeiros meses de 2020.

O resultado foi impactado negativamente tanto por volumes quanto por margem, destacam Marcel Campos e Matheus Odaguil, analistas da XP. Os volumes vieram abaixo do esperado, uma vez que o Volume Total de Pagamentos (TPV, na sigla em inglês) da empresa não se recuperou no trimestre, enquanto as margens também não ajudaram (margem líquida de 0,73% versus 0,78% no primeiro trimestre de 2020). No geral, 2021 começou com um declínio de 20% no lucro recorrente em relação ao ano anterior.

Neste sentido, de acordo com o Credit Suisse, a menor lucratividade em termos recorrentes continua sendo uma preocupação para os próximos trimestres. Desta forma, os analistas seguem mantendo uma visão cautelosa com a companhia.

“Em nossa opinião, os resultados do trimestre implicam em risco de queda para nossas estimativas de lucro líquido e consenso para 2021, uma vez que tanto a Cielo Brasil quanto a Cateno relataram resultados pouco inspiradores. Portanto, mantemos uma visão cautelosa sobre as ações CIEL3 por enquanto. Se anualizássemos o lucro líquido do trimestre como um proxy para o ano inteiro, veríamos a Cielo sendo negociada a um múltiplo de preço sobre o lucro de 19 vezes, o que não parece atrativo tendo em vista os desafios operacionais”, avaliam.

O Morgan Stanley destaca que o lucro líquido recorrente da Cielo ficou 33% abaixo de sua estimativa e 28% abaixo do consenso.

Para os analistas, os volumes de transações abaixo do consenso, aliados à notícia de que Fiserv e a Caixa Econômica Federal estão negociando parceria para serviços de adquirência, devem colocar as ações sob pressão, em meio aos sinais de maior concorrência.

O Bradesco BBI ressaltou que os destaques negativos foram o desempenho fraco da Cateno e perdas ainda relevantes na Merchant e-Solutions, operação nos EUA e outras subsidiárias.

Porém, para os analistas do BBI, olhando atentamente, os números não são tão ruins quanto parecem.O desempenho das atividades centrais de adquirência da companhia continua melhorando, mas aos poucos, ainda mais levando em conta o cenário macroeconômico, que segue desafiador.

O ponto positivo fica para os custos, pois a Cielo segue ganhando eficiência na operação, segundo a avaliação da XP.

O custo dos serviços prestados da empresa caiu 6% na base anual, para R$ 760 milhões, enquanto as despesas operacionais caíram 48% na base anual, para R$ 154 milhões. “Como esperamos que os volumes se recuperem nos últimos trimestres de 2021, acreditamos que a lucratividade da Cielo deve melhorar com custos mais baixos e receitas mais altas”, avaliam os analistas da XP.

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Desafios estruturais se somam à economia fraca

Apesar do resultado mostrar uma trajetória de melhora, a Cielo ainda continua com desafios estruturais ao seu modelo de negócios, aponta a Levante Ideias de Investimentos.

A adquirente vem apresentando uma trajetória de queda de lucros nos últimos três anos, devido a um aumento na competitividade do setor de pagamentos e a dificuldade da companhia em adaptar seu modelo de negócios.

“Apesar de líder, a Cielo vem perdendo consistentemente participação no mercado. Para conseguir se manter competitiva a companhia teve de ajustar seus preços para baixo sucessivamente nos últimos anos, a receita extraída por volume transacionado, que chegou a 1,17% no primeiro trimestre de 2017 caiu para 0,73% neste trimestre”, avaliam os analistas da casa de research.

O ambiente para o setor de pagamentos é marcado por uma redução das taxas praticadas, tendência vista no mundo inteiro e que é intensificada no Brasil devido a um aumento de concorrência e maior digitalização do mercado.

“Enquanto concorrentes como a Stone (STNE, negociada na Nasdaq) são capazes de se diversificar oferecendo produtos bancários e soluções de software aos lojistas, a Cielo não consegue seguir a mesma linha pois tem como principais acionistas o Banco do Brasil e o Bradesco, o que torna essa opção prejudicial aos controladores da companhia”, avaliam os analistas da Levante.

Enquanto isso, apontam, players não tradicionais também criam soluções de pagamentos, pulverizando ainda mais o mercado. Entre eles, o Magazine Luiza (MGLU3) que já oferece serviços de pagamentos e créditos para seus clientes.

“Uma possível resolução quanto aos problemas de controle da companhia, com um deles vendendo sua fatia, e um reaquecimento da economia mais acelerado devido a aceleração no ritmo de vacinação são os principais catalisadores para a companhia no curto prazo”, destacam.

Já o Bradesco BBI aponta que, dependendo das tendências macroeconômicas de curto prazo, a Cielo pode se beneficiar de uma estrutura mais enxuta e gastos mais normalizados da Cateno. Os analistas veem a ação a patamares atrativos: uma valorização maior, contudo, depende de certos eventos corporativos, como a venda da Merchant e-Solutions, provedora americana para soluções de pagamentos.

O BBI mantém recomendação neutra para a Cielo, com preço-alvo de R$ 5. A recomendação neutra, por sinal, é da maior parte das casas de análise que cobrem a ação, segundo informações da Refinitiv: nove casas se posicionam desta maneira com relação aos ativos, enquanto três recomendam venda e apenas duas recomendam compra. O preço-alvo médio, por sua vez, é de R$ 4,59, um valor 25,75% acima do fechamento da véspera.

Desta forma, em meio a um cenário de aumento da concorrência associado ao cenário macroeconômico ainda bastante desafiador, mesmo vendo progressos, os analistas seguem bastante céticos com os ativos da companhia.

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REFLEXÃO: Bill Mann, da Motley Fool Asset Management: Busque investir em conjunto com grandes gestores, depois, é só ser paciente.

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