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Corretora comete gafe em e-mail, fica sem ações da SpaceX e pede desculpas

Informação para o trader investidor

Edição invistaja.info e MarketMsg

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A operação deveria ter sido o negócio que colocaria a Mirae Asset Securities entre as grandes do mercado global. Mas a oferta pública inicial (IPO) da SpaceX (BDR: SPCX34), que bateu recordes, acabou forçando a maior corretora da Coreia do Sul a pedir desculpas aos clientes e a ter suas práticas investigadas pelos reguladores locais.

O episódio, que deixou a Mirae como a única entre os 23 coordenadores a não receber nenhuma alocação de ações no IPO da SpaceX, mostra como até falhas de comunicação aparentemente banais podem ter grandes consequências para profissionais que atuam em negócios bilionários.

No centro do problema está um mal-entendido sobre a forma como as ordens deveriam ser enviadas para a oferta da SpaceX, segundo pessoas a par do assunto, que pediram para não ser identificadas por se tratar de detalhes inéditos sobre uma questão privada.

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Segundo essas fontes, a corretora tratou, de forma equivocada, um pedido inicial para indicar o interesse de investidores como se fosse o momento de envio das ordens vinculantes. Com isso, mais de US$ 1,1 bilhão em demanda coreana nunca chegou a ser registrado no livro de ofertas do IPO, afirmaram.

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O mal-entendido, considerado pelas fontes o mais grave de uma série de falhas de comunicação entre a Mirae e os coordenadores líderes, ocorreu durante uma etapa do IPO conhecida internamente como “Projeto Apex”. Em meados de maio, semanas antes do início do bookbuilding, os bancos coordenadores enviaram um e-mail pedindo que os subscritores indicassem a demanda dos investidores, informação que foi reunida em uma sala de dados virtual, conforme prática padrão para negócios desse porte.

A Mirae respondeu à solicitação acreditando que já havia registrado as ordens de seus clientes, de acordo com pessoas a par do raciocínio da empresa. Mas, na visão dos bancos de Wall Street que conduziam a operação, essas respostas eram apenas indicações de interesse, e não ofertas firmes. As ordens efetivas só foram registradas em junho, após um novo e-mail enviado pelos coordenadores, como é praxe nesse tipo de IPO.

Em outras palavras, os bancos sediados em Nova York entenderam que a Mirae não havia enviado nenhuma ordem de varejo e, por isso, não recebeu nenhuma alocação de ações destinada a esse público, segundo as fontes.

A falha de comunicação se tornou uma das poucas manchas em uma operação considerada, no geral, bem-sucedida. A oferta de US$ 86 bilhões, a maior da história, foi elogiada por investidores por ter avançado sem grandes percalços, apesar da complexidade e do cronograma apertado.

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“Curvamos a cabeça”

Os coordenadores líderes do IPO, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup, além da Mirae, não quiseram comentar o caso. Um porta-voz do governo sul-coreano e o Serviço de Supervisão Financeira (FSS) também não se manifestaram. A SpaceX não respondeu a um pedido de comentário enviado fora do horário comercial no Texas.

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“Curvamos a cabeça e pedimos desculpas por entregar uma notícia tão infeliz e pesada a clientes que participaram da subscrição do IPO da SpaceX com grande interesse e expectativa”, afirmaram os vice-presidentes da Mirae, Kim Mi-seop e Heo Seon-ho, em mensagem de texto enviada a clientes em 15 de junho, segundo informou o jornal Seoul Economic Daily. Os executivos prometeram uma revisão do processo e medidas para “restaurar a confiança dos consumidores”, de acordo com a publicação.

A Mirae também precisou repensar seu papel no IPO em uma etapa anterior do processo. Em abril, ficou claro que a SpaceX não conseguiria oferecer acesso direto a investidores de varejo coreanos, em parte por razões regulatórias.

A corretora optou então por captar ofertas por meio de uma colocação privada, direcionada a instituições selecionadas e clientes de alta renda. Esse processo segue regras diferentes na Coreia do Sul, e a Mirae estava confiante de que esse caminho levaria a um negócio bem-sucedido, segundo algumas das fontes.

Os executivos em Seul se sentiram mais seguros quando, em 20 de maio, um documento da SpaceX enviado à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, mostrou que as ações seriam oferecidas na Coreia do Sul por meio de colocação privada. A Mirae passou então a reunir US$ 1,14 bilhão em ordens de seus clientes sul-coreanos.

Alocações na Coreia

Pouco depois, a equipe da Mirae teve uma surpresa completa ao descobrir, no sistema de um dos coordenadores líderes, que nenhuma ação havia sido alocada à empresa, de acordo com algumas das fontes.

Em contrapartida, alguns investidores institucionais coreanos, entre eles o Serviço Nacional de Pensão, fundo de US$ 1 trilhão do país, e a Mirae Asset Global Investments, conseguiram alocações por meio dos coordenadores líderes, segundo as fontes.

O FSS, em Seul, já havia iniciado uma inspeção para verificar se os investidores que se inscreveram para comprar ações da SpaceX cumpriam os requisitos de elegibilidade, segundo pessoas a par do assunto. Posteriormente, o processo foi ampliado para examinar também o motivo pelo qual a corretora não conseguiu garantir nenhuma alocação de ações, afirmaram as fontes.

A Mirae foi uma das primeiras investidoras na empresa de foguetes, comunicação por satélite e inteligência artificial de Elon Musk, o que lhe garantiu uma posição privilegiada para se tornar uma das poucas instituições estrangeiras a atuar como subscritora do IPO. A corretora também tinha acesso à base de investidores de varejo da Coreia do Sul, conhecida pelo apetite por esse tipo de operação e que ajuda a impulsionar um dos mercados acionários de melhor desempenho do mundo.

Os reguladores em Seul ainda não divulgaram os resultados da inspeção, processo mais formal do que uma simples revisão na prática do FSS e que pode resultar em sanções. Lee Chan-jin, chefe do órgão regulador, disse a jornalistas em 22 de junho que considera “incompreensível até agora” o fato de a Mirae ter ficado sem nenhuma ação, e que esperava que investidores profissionais coreanos recebessem alocação “naturalmente”.

©️2026 Bloomberg L.P.

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