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Energia limpa, minerais e distância de tensões: o Brasil virou um ‘porto seguro’?

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As Reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), que ocorreram de 13 a 18 de abril em Washington, nos Estados Unidos, foram permeadas pelo tema da guerra e tensões geopolíticas – e, em meio a este cenário global, Brasil e América Latina despontaram com análises “construtivas” devido às características da região.

Em entrevista ao (invistaja.info), Cláudio Ferraz, economista-chefe da Galapagos, que esteve presente nos encontros, afirma que o tom positivo foi “impressionante e raro”, como “há muito tempo” ele não via. Ferraz destacou que, embora o cenário global seja de incerteza devido ao conflito no Oriente Médio e à política norte-americana, a percepção sobre os mercados latinos teve um caráter “estrutural e não apenas circunstancial”. 

Nos painéis específicos voltados à América Latina, ou nos temáticos em que a região e o Brasil eram citados, as falas destacavam a matriz energética limpa e a posição geográfica estratégica, que protege o país e a região de choques externos e atrai investimentos em recursos naturais. Além disso, a região foi vista como amistosa e segura, distante dos principais eventos geopolíticos e confrontos diretos. 

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O ‘super trunfo’ da matriz energética e recursos naturais

Um dos diferenciais competitivos mais discutidos nos painéis do FMI foi a segurança energética. Ferraz afirma que, ao contrário da Ásia emergente, a América Latina e o Brasil são exportadores líquidos de energia. No contexto das guerras atuais, o Brasil é visto como um “porto seguro” para o suprimento de petróleo por estar fora das zonas de confronto direto.

Além da matriz limpa, um novo componente tecnológico ganhou peso nos debates: a inteligência artificial. “O Brasil foi mencionado com posição de destaque em relação às reservas de terras raras, essenciais para o desenvolvimento de hardwares”, destaca Ferraz. 

Essa combinação de energia renovável com minerais estratégicos coloca o país em uma posição privilegiada na reorganização das cadeias produtivas globais, o chamado nearshoring.

Fragmentação e o novo regime macroeconômico

Essa percepção de Ferraz também aparece no relatório do UBS Wealth Management, que classifica o momento atual como um “novo regime macroeconômico”. 

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De acordo com o documento, a economia global deixou de operar sob choques isolados para conviver com “disrupções frequentes e interligadas”, onde a geopolítica tornou-se o determinante central do ciclo econômico.

Neste ambiente, o Brasil é visto como um dos principais beneficiários. O UBS aponta que o país ganha relevância devido ao fluxo de capital para mercados emergentes e aos termos de troca favoráveis. “O Brasil apresenta um quadro relativamente construtivo, condicionado à evolução do cenário político e fiscal”, reforça o banco.

A crise energética no Hemisfério Norte

O otimismo com o Brasil ganha maior relevância quando comparado a outras regiões. O relatório “Economic Insights” do Bradesco afirma que os debates em Washington foram divididos entre “a Guerra no Oriente Médio e todo o resto”.

Nos painéis sobre o conflito, o consenso foi de que a Europa poderá enfrentar em breve uma crise de desabastecimento semelhante à que a Ásia já experimenta. Segundo o Bradesco, países asiáticos já adotam medidas como “trabalho remoto e fechamento de fábricas” devido à falta de petróleo e derivados. 

As estimativas citadas no documento indicam que um fechamento prolongado do estreito de Ormuz poderia retirar do mercado entre 13 e 15 milhões de barris por dia — cerca de 15% da oferta mundial.

Desafios internos e política monetária

Apesar do otimismo, os relatórios alertam para a necessidade de manutenção da disciplina doméstica. O Bradesco observa que a mensagem das autoridades brasileiras em Washington foi de “continuidade do ciclo de calibração” da taxa de juros, mantendo a política em território restritivo para ancorar as expectativas de inflação.

No campo fiscal, o UBS notou um esforço da equipe econômica em mudar a narrativa, focando agora na “eficiência dos gastos” em vez de apenas no aumento de receitas. Para o banco, essa postura é fundamental para a credibilidade junto ao investidor estrangeiro, embora a execução ainda seja “o principal desafio”.

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