Ibovespa cai antes do fim de semana em meio a preocupações com variante delta, China e rumo fiscal; dólar sobe

Mercado registra desempenho negativo em mais um dia de preocupações com as incertezas que se acumulam no horizonte
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BRSR3 | P/Ativo: 0.0 | EV/EBITDA: 0.0 | ROE: 0.1034 | Div.Brut/Pat.: 0.0 | P/Cap.Giro: 0.0 | Cresc.5anos: 0.1019

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FLORIANÓPOLIS | invistaja.info — O Ibovespa opera em queda nesta sexta-feira (20) depois da leve recuperação do índice no dia anterior, quando encerrou uma sequência de três perdas em meio à melhora do exterior. No radar hoje, os investidores monitoram o avanço da variante delta do COVID-19 e a pressão regulatória do governo da China.

Na terça, os Estados Unidos registraram mais de mil mortes pela Covid-19 em um dia pela primeira vez desde março.

Também na terça, o Comitê Central para Assuntos Financeiros e Econômicos da China disse que esforços devem ser feitos para encontrar um equilíbrio entre garantir um crescimento econômico estável e evitar riscos financeiros, de acordo com o veículo estatal Xinhua.

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Por aqui, o ministro da Economia, Paulo Guedes, participa de uma audiência no Senado sobre a reforma tributária às 11h (horário de Brasília). A ideia é discutir as mudanças na taxação do consumo. Já Bruno Funchal, secretário do Tesouro, fala à tarde sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios.

Às 10h06, o Ibovespa tinha queda de 0,61%, a 116.448 pontos.

Vale lembrar que não é incomum um movimento de venda nas sextas-feiras em momentos nos quais o cenário macro está mais incerto, pois os investidores temem entrar no fim de semana posicionados na renda variável.

Ontem, Bruno Komura, estrategista da Ouro Preto, e Marcus Vinícius Zanetti, gestor da Kinea, falaram ao (invistaja.info) sobre o horizonte repleto de incertezas para o mercado entre Federal Reserve disposto a reduzir estímulos no fim do ano, riscos fiscais, ruídos políticos e China impondo freios à valorização de algumas commodities.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em alta de 0,81% a R$ 5,466 na compra e a R$ 5,467 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em setembro sobe 0,86% a R$ 5,472.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe dois pontos-base a 6,73%, DI para janeiro de 2023 tem alta de sete pontos-base a 8,53%, DI para janeiro de 2025 avança seis pontos-base a 9,75% e DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de sete pontos-base a 10,20%.

Voltando ao exterior, no Japão os papéis de empresas do setor automobilístico continuam a registrar perdas, após o anúncio na quinta-feira de que a Toyota deverá cortar em 40% sua produção global em setembro em relação àquilo planejado anteriormente, segundo informações reproduzidas pela agência internacional de notícias Reuters.

Já na Europa, a recuperação dos efeitos da pandemia de Covid é impulsionada pela suspensão de medidas de distanciamento social e pela forte demanda interna após o PIB (Produto Interno Bruto) ter crescido 1,5% no segundo trimestre.

No Reino Unido, dados divulgados pelo Escritório para Estatísticas Nacionais indicam queda de 2,5% nas vendas no varejo em julho em relação ao mês anterior, quando a escassez global de chips e o clima chuvoso impactaram o comportamento dos consumidores britânicos.

Covid, CPI e política

Na quinta (19), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 821, queda de 9 em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia, foram registradas 1.030 mortes. As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 29.895, o que representa queda de 9% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 35.793 casos.

Chegou a 120.228.060 o número de pessoas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 56,78% da população. A segunda dose ou a vacina de dose única foi aplicada em 53.437.018 pessoas, ou 25,24% da população.

Na quinta, falou à CPI da Covid no Senado o dono da farmacêutica Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano. Ele limitou-se a responder à CPI da que conhece o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), recusando-se a responder às demais perguntas do relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL) amparado em habeas corpus concedido pela ministro Rosa Weber, do STF.

Maximiano disse que seria apenas fiador de um imóvel usado por um amigo de Barros, apesar de aparecer como locatário.

Maximiano evitou perguntas sobre as negociações suspeitas para compra da vacina contra Covid-19 Covaxin, desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, que tinha como representante no Brasil a Precisa. Mas responsabilizou uma empresa localizada nos Emirados Árabes Unidos por falsificar documentos entregues ao Ministério da Saúde.

As denúncias de irregularidades envolvendo as tratativas para compra da Covaxin foram feitas pelo deputado Luís Miranda (DEM-DF) e pelo irmão dele Luís Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde.

Após as denúncias, o Ministério da Saúde cancelou o contrato para compra da Covaxin e a Bharat Biotech encerrou o relacionamento com a Precisa.

Barros tornou-se na quarta-feira formalmente investigado pela CPI da Covid. De acordo com depoimento de Luís Miranda à CPI, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) citou o envolvimento do líder do governo nas supostas irregularidades envolvendo a Covaxin. Bolsonaro não desmentiu o relato de Miranda, e Barros nega quaisquer irregularidades.

Na quinta, a CPI da Covid aprovou novo pedido de quebra de sigilo fiscal de Barros. O colegiado vai requerer os dados à Receita Federal e informações sobre investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União (TCU). A CPI também deu aval ao requerimento de quebra de sigilo fiscal do advogado Frederick Wassef, que defende o presidente Bolsonaro e sua família.

Além disso, nesta semana o corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Felipe Salomão, ordenou a plataformas de mídias sociais que suspendam o pagamento por publicidade veiculada de 11 páginas acusadas de publicar notícias falsas e ataques ao sistema eleitoral brasileiro. Todas elas eram de apoiadores radicais de Bolsonaro e, em vários casos, se sustentam apenas com a chamada monetização.

Segundo reportagem de capa publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta sexta, a suspensão da monetização dos canais bolsonaristas deve congelar valores milionários. Somente no YouTube, os 14 canais atingidos podem gerar até US$ 2,9 milhões (cerca de R$ 15 milhões), de acordo com estimativa da ferramenta Social Blade, que produz estatísticas sobre as redes sociais. O ganho exato dos youtubers foi solicitado às empresas de redes sociais, que têm 20 dias para responder.

Ao participar de evento no Mato Grosso na quinta, o presidente Jair Bolsonaro usou o caso para defender o que chamou de liberdade de imprensa. Ele chamou a suspensão da monetização de “cerceamento de mídias sociais” e “ditadura branca”.

Bolsonaro também afirmou que não cometerá uma ruptura institucional porque sabe das consequências, mas reclamou que o “provocam o tempo todo” e que o país está sendo “sufocado” por uma minoria.

“Da minha parte não haverá ruptura. Sei das consequências internas e externas de uma ruptura. Mas provocam-nos o tempo todo. Não é justo prender quem quer que seja sem o devido processo legal. Não é justo o TSE agora desmonetizar páginas que falam que o voto impresso é necessário, ou que desconfiam do voto eletrônico”, disse o presidente.

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Reforma do IR e fundo eleitoral

O jornal O Estado de S. Paulo aponta que, na tentativa de driblar os obstáculos ao avanço da proposta que muda o Imposto de Renda, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deve se reunir na semana que vem com deputados da oposição na Câmara em busca de um denominador comum que resulte em maior apoio à iniciativa.

Mesmo com esse gesto, porém, as concessões recentes em nome de mais votos acenderam o alerta na equipe econômica, que pode abandonar de vez o projeto caso fique claro que ele será desfavorável para as contas do País.

Integrantes da equipe econômica já têm hoje a avaliação de que a reforma do IR “não se paga” e que as disputas em torno do projeto são até positivas por adiar ainda mais a votação, deixando tudo como está. Apesar do ceticismo dessa ala da equipe, o ministro da Economia tentará buscar na oposição uma “tábua de salvação” para a proposta.

Em live na véspera, o presidente Jair Bolsonaro disse que deve decidir hoje o futuro do fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões. A expectativa é que ele vete o fundo e o negocie dentro do orçamento, com um valor esperado entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. Líderes no Congresso pressionam para aumentar esse valor para R$ 4 bilhões, segundo apurado pela Folha de S. Paulo.

Já a AGU pediu ao STF a suspensão da decisão que determinou o pagamento de R$ 8,7 bilhões ao Fundef da Bahia e deve fazer o mesmo com a dívida com Pernambuco, Ceará e Amazonas. Com estes estados, o alívio seria de R$ 15,6 bilhões no caixa de 2022.

Ainda em destaque, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), agendou para a próxima terça a sabatina do procurador-geral da República, Augusto Aras, que poderá levar à sua recondução ao cargo. Mas não marcou sabatina para o ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União André Mendonça, que continua na fila de espera apesar de sua indicação ao STF ter chegado ao Senado nove dias antes da formalização do caso de Aras.

5. Radar corporativo

O noticiário corporativo tem como destaque notícias sobre Gerdau, Renner, JBS e BRF. Confira abaixo:

Gerdau (GGBR4)

O Conselho de Administração da Gerdau aprovou a reorganização de subsidiárias no México, informou a companhia em comunicado ao mercado.

Lojas Renner (LREN3)

No final da tarde da véspera, a varejista Lojas Renner informou que sofreu um ataque cibernético em seu ambiente de tecnologia na quinta-feira, que provocou indisponibilidade em parte de seus sistemas. Em comunicado, a companhia afirmou ter atuado para mitigar os efeitos do ataque e que a maior parte das operações já foram restabelecidas, com os principais bancos de dados preservados. Além disso, a Lojas Renner afirmou que suas lojas físicas não tiveram as atividades interrompidas.

JBS (JBSS3)

A Pilgrim’s Pride, controlada da JBS nos Estados Unidos, informou que precificou uma oferta de US$ 900 milhões em notas sênior não garantidas com vencimento em 2032.

De acordo com comunicado da empresa, os títulos serão emitidos a 100% do valor principal agregado e terão rendimento de 3,5%. Devido à demanda significativa, o montante da emissão foi elevado de US$ 750 milhões iniciais. A venda das notas deve ser concluída em 2 de setembro.

BRF (BRFS3)

O Conselho de Administração da BRF, uma das maiores companhias de alimentos do Brasil, aprovou uma Política de Compra Sustentável de Grãos, conforme ata de reunião do colegiado divulgada na quinta-feira. A aprovação atende o plano Visão 2030 da BRF e o compromisso de rastreabilidade assumido pela empresa em dezembro de 2020, segundo a ata, que não trouxe mais detalhes.

Vibra Energia (BRDT3)

A BR Distribuidora  passa a se chamar Vibra Energia, mas manterá a atual identidade visual e o símbolo BR em sua rede de 8,3 mil postos de combustíveis em todo o Brasil, além de manter outras marcas de produtos e serviços, conforme comunicado enviado pela empresa ao mercado nesta quinta-feira. O movimento ocorre após a Petrobras (PETR3;PETR4) ter vendido sua fatia remanescente na maior distribuidora de combustíveis do país, no fim de junho. Veja mais clicando aqui.

Alliar (AALR3) e Rede D’Or (RDOR3)

Na quinta-feira, o empresário Nelson Tanure afirmou que fundos com os quais tem ligações compraram cerca de 26% da empresa de diagnósticos médicos Alliar. Isso complica uma proposta de compra pela rede de hospitais Rede D’Or. Tanure diz que não tem planos de mudar a gestão da Alliar.

CVC (CVCB3)

A CVC  teve seu rating elevado de brB para brBB pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s.

IPOs

A provedora de serviços de internet Vero pediu registro para uma oferta inicial de ações (IPO), ilustrando a movimentação de empresas do setor para buscar recursos no mercado para ganhar musculatura antes do leilão do 5G. Criada em 2019 com a união de oito empresas do interior de Minas Gerais, a empresa se expandiu para Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e afirma ter atualmente cerca de 500 mil clientes, com 18,2 mil quilômetros de cabos de fibra óptica.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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