Ibovespa opera sem direção definida entre Orçamento, reforma ministerial e cenário externo

Índice fica entre perdas e ganhos com reflexos da política nacional e exterior dividido entre bom humor na Europa e cautela com cenário nos EUA
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Negociando na bolsa de valores

Edição MarketMsg e invistaja.info

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BIDI11 | DY: 0.0013 | P/ACL: 0.0 | P/Ativo: 0.0 | Div.Brut/Pat.: 0.0 | EV/EBIT: 0.0 | PSR: 0.0

LONDRINA | invistaja.info — O Ibovespa opera sem direção definida nesta terça-feira (30), com investidores de olho tanto no cenário externo dividido, com Europa em alta e Estados Unidos em queda, e também na política nacional com discussões sobre o Orçamento aprovado e com a reforma ministerial feita pelo presidente Jair Bolsonaro na noite de ontem.

Na Europa, as bolsas sobem após indicadores de confiança virem mais fortes na Zona do Euro. Enquanto isso, os futuros nos EUA ficam entre perdas e ganhos com a alta do rendimento dos Treasuries e a expectativa pelo pacote de infraestrutura de US$ 3 trilhões do governo Joe Biden.

Ainda nos EUA, os investidores ficam de olho também nos reflexos da instabilidade causada após o fundo de hedge Archego liquidar posições no valor de mais de US$ 20 bilhões.

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O movimento ocorreu após a oferta de US$ 3 bilhões em ações da ViacomCBS por meio dos bancos Morgan Stanley e JPMorgan naufragar na semana passada, levando a forte desvalorização dos papéis. Isso desencadeou uma série de eventos que levou corretores a serviço da Archego a se retirarem em massa de suas posições. O movimento afetou não só os papéis da ViacomCBS, mas também de outras empresas de mídia, como Discovery, e também ADRs chinesas de internet negociadas nos Estados Unidos, como Baidu, Tencent e Vipshop.

Instituições financeiras a serviço da Archego também foram afetados. Após as vendas do fundo de hedge, o suíço Credit Suisse e a empresa japonesa de serviços financeiros Nomura informaram que tiveram perdas “significativas” nos resultados do quarto trimestre devido a transações de um cliente.

Por aqui, segue a repercussão da reforma ministerial feita por Jair Bolsonaro, que anunciou na segunda-feira à noite a troca dos titulares de seis ministérios. Entre as mudanças, ele escolheu a deputada Flavia Arruda (PL-DF), nome ligado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para a Secretaria de Governo, área responsável pela articulação política, mas o impacto da troca de comando de outras pastas ainda era avaliado por parlamentares.

Outro ponto importante no Brasil é o imbróglio do orçamento público de 2021 aprovado no Congresso. Diante da possibilidade de abertura de espaço para crime de responsabilidade fiscal pelo Tribunal de Contas da União (TCU), o Executivo analisa alternativas, como votar um novo projeto, o ajuste pelo relator ou o veto do presidente.

Às 10h20 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira tinha leve alta de 0,01%, a 115.432 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial opera em alta de 0,22% a R$ 5,778 na compra e a R$ 5,779 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em abril registra queda de 0,16% a R$ 5,774.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 sobe quatro pontos-base a 4,74%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de seis pontos-base a 6,62%, o DI para janeiro de 2025 avança sete pontos-base a 8,24% e o DI para janeiro de 2027 registra variação positiva de três pontos-base a 8,80%.

De volta aos EUA, o rendimento dos títulos de 10 anos do Tesouro americano superou  a marca de 1,76% no início da manhã, com os investidores monitorando o plano de infraestrutura de Biden, que pode custar cerca de US$ 3 trilhões e cujos detalhes devem ser revelados na próxima quarta (31).

Na Europa foram divulgados dados sobre confiança de empresas e consumidores na Zona do Euro, que atingiram 101 pontos em março, superior à projeção de 96 pontos e ao patamar anterior, de 93,4 pontos. A confiança do consumidor em março recuou 10,8 pontos, em linha com a projeção de analistas e com o valor anterior, ambos em 10,8 pontos. A confiança industrial na Zona do Euro avançou 2 pontos em março, acima da projeção de recuo de 5 pontos e superior ao patamar anterior, de queda de 3,1 pontos.

Já na Ásia, as bolsas fecharam em alta. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, as vendas no varejo recuaram 1,5% em fevereiro no país em comparação com um ano antes. O desempenho foi melhor do que a queda de 2,8% esperada por analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Reuters.

Além disso, o Canal de Suez, no Egito, foi reaberto para o tráfego de navios em ambas as direções na noite de segunda, após o desencalhe do Ever Given, uma enorme embarcação porta-contêineres que bloqueava a importante via marítima havia quase uma semana, com mais de 400 navios aguardando para cruzar a rota.

O presidente da Autoridade do Canal de Suez, Osama Rabie, afirmou à TV Nilo: “O navio foi liberado intacto e não tem problemas. Nós acabamos de conferir o fundo e o solo do Canal de Suez e, felizmente, parece estar sólido e não possuir problemas. Os navios vão avançar por ele hoje”.

Ainda no radar, em uma carta publicada conjuntamente em jornais ao redor do mundo, líderes mundiais pedem por um tratado para lidar com a pandemia de Covid globalmente. Eles classificam a pandemia como “o maior desafio para a comunidade global desde o final dos anos 1940”.

A carta foi assinada por mais de 20 líderes e autoridades globais de África, Ásia e Europa, incluindo o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, o presidente da França, Emmanuel Macron, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, além do diretor geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghereyesus e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

Eles escrevem que: “Haverá pandemias e outras sérias crises de saúde no futuro. Nenhum governo nacional ou organização multilateral pode encarar uma ameaça do tipo sozinho. É apenas questão de tempo até esse momento chegar novamente”.

Reforma ministerial

O presidente Jair Bolsonaro anunciou na segunda-feira à noite a troca dos titulares de seis ministérios, incluindo a articulação política do governo e os principais nomes palacianos.

Bolsonaro escolheu a deputada Flavia Arruda (PL-DF), nome ligado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para a Secretaria de Governo, área responsável pela articulação política, mas o impacto da troca de comando de outras pastas ainda era avaliado por parlamentares.

Na semana passada, Lira e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), fizeram duras críticas à política externa e pediram “mudança de rumo”, recado para a saída de Ernesto Araújo do posto, atendida nesta segunda. Ainda que o escolhido –o embaixador Carlos Alberto Franco França– tenha pouca experiência, a avaliação era que seria difícil o escolhido se sair pior do que o antecessor na pasta. Nesse cenário, a escolha de Flávia Arruda também pode ser entendida como um gesto a Lira e ao centrão, após Bolsonaro ter optado, há quase duas semanas, por um nome diferente do sugerido pelo grupo para o Ministério da Saúde.

Flávia Arruda substitui Luiz Eduardo Ramos, que será deslocado para a Casa Civil e o atual ministro, Walter Braga Netto, irá para Defesa no lugar de Fernando Azevedo e Silva, exonerado por Bolsonaro. O atual ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, volta para a AGU no lugar de José Levi, também exonerado e para a Justiça, AndersonTorres, delegado da Polícia Federal.

Conforme destaca Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, a “troca das cadeiras” no governo tem medição difícil até entre os analistas políticos, dada a velocidade com que aconteceu e a disparidade entre os membros do governo que foram exonerados no mesmo dia. “Ainda assim, o consenso é que parte das mudanças vem das demandas do Centrão e da cobrança ao apoio que pode ser dado em ambas as casas, após a troca dos comandos legislativos no mês passado”, avalia. Veja mais análises clicando aqui.

Na avaliação do vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), “os movimentos do governo são erráticos ainda” e era preciso entender o quadro geral para as trocas. “No Ministério da Defesa a gente tem que entender melhor o motivo da saída. Tem a indicação de um político para a Secretaria de Governo, temos que esperar para avaliar”, acrescentou.

Recorde na média de mortes por Covid e falta de oxigênio

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Pelo quarto dia seguido, o Brasil bateu o seu recorde de mortes por Covid na média móvel de sete dias, com 2.655 casos, alta de 34% frente à média de 14 dias atrás. Em 24 h foram registradas 1.969 mortes por Covid.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h de segunda, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 75.105, alta de 8% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram 44.720 casos.

16.258.743 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a covid no Brasil, o equivalente a 7,68% da população. A segunda dose foi aplicada em 4.819.324 pessoas, ou 2,28% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

Segundo dados do governo divulgados pela Procuradoria Geral da República há falta crítica de oxigênio em seis estados: Acre, Rondônia, Mato Grosso, Amapá, Ceará e Rio Grande do Norte.

Na segunda-feira, o novo ministro da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga, anunciou, ao participar de uma audiência no Senado, que a pasta fará uma campanha pelo uso “racional” de oxigênio em hospitais. Ele disse que o Ministério da Saúde elaborará protocolos que “racionalizem o uso de oxigênio”.

“Todos sabemos que muitas pessoas chegam aos hospitais e aí, às vezes, a primeira providência é colocar o oxigênio nasal em quem não precisa do oxigênio. Então, vamos tentar economizar. Vamos fazer grande campanha, junto aos profissionais de saúde, para o uso racional do oxigênio”, disse o ministro da Saúde.

Queiroga também afirmou que o ministério importou 13 caminhões-tanque do Canadá para transportar oxigênio a hospitais. Ele afirma que o país necessita de 50 caminhões-tanque carregados de oxigênio, e que a alternativa encontrada foi importar carros usados. “Legislação brasileira proíbe importação de carro usado. Mas aqui não estamos adquirindo carros usados, estamos adquirindo insumo estratégico para o nosso sistema de saúde”, disse.

Ele também afirmou que falta no Brasil capacidade para produção de cilindros de oxigênio, e anunciou que conversou com o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, para pedir que os cilindros usados na área industrial fossem usados na saúde.

“Não podemos desviar todo o oxigênio da área da indústria para a área medicinal porque, senão, a indústria vai ficar desabastecida, e aí a gente também não produz insumos estratégicos, como seringas”, disse.

Nesta terça, Queiroga realizará uma videoconferência com o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman. Ele afirmou que pretende fazer permutas por vacinas.

“Como nós já adquirimos da Pfizer e hoje [segunda] eu fiz uma reunião com a Pfizer e vamos adquirir mais, então, vamos fazer uma permuta para ver se conseguimos uns 20 milhões de doses para que fortaleça o nosso Programa de Imunizações”, disse Queiroga.

Segundo o jornal Valor, servidores do Ministério da Saúde afirmam que Queiroga assume a pasta em cenário de “terra arrasada”. Com a militarização sob o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), marcada pelo comando do general Eduardo Pazuello, a pasta sofreu um êxodo de profissionais qualificados da área da saúde.

Em entrevista ao jornal, Queiroga afirmou que não pretende promover um lockdown nacional. “Regras rígidas de circulação decorrem da falência de ações como uso de máscaras, higiene das mãos, testagem e isolamento de casos confirmados. Trabalharemos para que não ocorra ‘lockdown’ com uma grande campanha de mobilização”, disse.

Na segunda-feira, o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) divulgou um estudo que indica que o Brasil teve, em 2020, 22% a mais de mortes por causas naturais do que o que tenderia a ocorrer normalmente. O trabalho foi executado pela organização internacional voltada a saúde Vital Strategies, e indica que houve 275.587 mortes a mais no ano passado do que o que era esperado.

Não estão incluídas mortes causadas por acidentes ou armas de fogo, por exemplo As mortes excedentes por causas naturais incluem aquelas causadas por Covid, direta ou indiretamente.

De acordo com os pesquisadores, “o número de óbitos superior ao que era esperado para o período pode também ser reflexo indireto da epidemia (…) Mortes provocadas, por exemplo, pela sobrecarga nos serviços de saúde, pela interrupção de tratamento de doenças crônicas ou pela resistência de pacientes em buscar assistência à saúde, pelo medo de se infectar pelo novo coronavírus”.

Radar corporativo

O IRB informou que Antônio Cássio dos Santos deixou o cargo de diretor presidente da resseguradora, permanecendo no cargo de presidente do Conselho de Administração.

Já a empresa de tecnologia para o varejo Linx LINX3.SA informouque detectou uma perda extraordinária de cerca de R$ 41 milhões em seu braço de pagamentos. Em fato relevante, a empresa mencionou “perdas operacionais incomuns” na Linx Pay, “como consequência do cancelamento de transações atípicas por parte de terceiros na utilização de máquinas comercializadas por um parceiro comercial” cujo nome não foi revelado. Disse apenas que a perda não foi oriunda de clientes Linx Core e Linx Digital e que o valor estimada será toda lançada no resultado do quarto trimestre, cuja divulgação inicialmente prevista para 30 de março, foi adiada para 19 de abril.

Já a  Petrobras demitiu um gerente de alto escalão, sem justa causa, após constatar que ele negociou ações da empresa , .

A Eternit, por sua vez, informou nesta segunda-feira que fechou acordo vinculante para compra da fabricante de telhas de fibrocimento Confibra por R$ 110 milhões. “A aquisição representará um aumento de capacidade de cerca de 20% no parque industrial de produção de telhas de fibrocimento da companhia e está em linha com a estratégia de crescimento e consolidação setorial”, afirmou a Eternit.

Na segunda, a Vale afirmou que recebeu uma comunicação do BNDES sobre o lançamento da oferta pública de distribuição secundária de debêntures participativas, espécie subordinada, da sexta emissão, de titularidade do banco, da BNDESPAR e da União, respectivamente. Segundo a companhia, a intenção de realizar uma oferta havia sido informada à Vale em correspondência recebida em 2 de março. A oferta consistirá na distribuição pública secundária de, inicialmente, 142 milhões de debêntures, sendo 93.899.208 debêntures de titularidade da União, outras 37.500.342 debêntures do BNDES e mais 10.600.450 debêntures de titularidade da BNDESPAR, a ser realizada no Brasil, e contará com esforços de colocação no exterior.

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REFLEXÃO: Barry Ritholtz, da Bloomberg: Mantenha a simplicidade, faço menos e administre sua estupidez.

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