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JBS Day reforça tese de longo prazo, mas desafios no curto prazo permanecem

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Edição invistaja.info e MarketMsg

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O JBS Day, realizado em Nova York, reforçou a estratégia da JBS (BDR: JBSS32) de combinar crescimento global, diversificação e disciplina financeira, embora analistas apontem que o ambiente operacional ainda deva seguir desafiador no curto prazo. Itaú BBA, Bradesco BBI e Bank of America mantiveram visão positiva para a empresa, destacando a geração de valor, a execução operacional e o potencial de valorização das ações.

Para o Itaú BBA, a administração apresentou uma atualização abrangente das perspectivas para os diferentes segmentos do grupo e reforçou a capacidade da JBS de capturar mudanças nos hábitos de consumo em mercados desenvolvidos. O banco avalia que a companhia continua gerando valor por meio da expansão de suas operações e do fortalecimento da posição como plataforma global de alimentos.

Na avaliação do BBA, embora o cenário permaneça mais desafiador para todas as divisões no curto prazo, a agenda de eficiência operacional e o aumento da participação de produtos de maior valor agregado devem compensar parte das pressões, enquanto a diversificação geográfica e por proteínas reduz a volatilidade dos resultados.

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O banco também destacou os efeitos positivos da listagem nos Estados Unidos, que completou um ano. Segundo o BBA, a empresa já colhe benefícios com maior liquidez e uma base acionária mais diversificada, além de ainda haver espaço para uma reprecificação das ações. Atualmente, os papéis negociam a cerca de 6 vezes o EV/EBITDA (valor da firma/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) projetado para 2026, abaixo da faixa histórica de 7 a 8 vezes observada em empresas comparáveis, o que indica potencial de valorização.

O Itaú BBA reiterou recomendação de compra e preço-alvo de US$ 18 por ADR.

O Bradesco BBI, por sua vez, comenta que evento reforça a tese estrutural positiva para a JBS, ancorada na diversificação geográfica e de portfólio, na evolução para produtos de maior valor agregado e na consistência da execução operacional.

Mesmo com a pressão cíclica no curto prazo, o BBI enxerga avanço relevante nas iniciativas internas, especialmente no segmento de bovinos nos EUA, que devem sustentar ganhos de competitividade independentemente do ciclo pecuário.

Além disso, o BBI entende que o desconto relevante das ações em relação aos pares não reflete adequadamente o potencial de reprecificação, os ganhos operacionais em curso e o poder de geração de resultados em um ambiente normalizado, mantendo a JBS como principal recomendação no setor de proteínas. O banco manteve recomendação de compra e US$ 22 por papel.

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Já o Bank of America (BofA) afirmou que a JBS continua sendo referência global em estratégia, alocação de capital e execução operacional, mas observou que o Investor Day deu um foco maior do que o habitual à melhoria da execução, especialmente na divisão de carne bovina dos Estados Unidos.

Segundo o banco, a companhia pretende eliminar até 2027 uma diferença de cerca de 300 pontos-base na margem EBIT da operação de carne bovina americana em relação aos concorrentes. A estratégia envolve ganhos comerciais, aumento da eficiência operacional e melhor aproveitamento dos cortes, além da ampliação da oferta de produtos de maior valor agregado, como hambúrgueres e carne moída.

Capex menor e disciplina financeira

O BofA também destacou a decisão da JBS de adiar aproximadamente US$ 400 milhões em investimentos, reduzindo o capex de expansão previsto para 2026 para US$ 900 milhões. A medida busca preservar a disciplina financeira em um momento em que a alavancagem se aproxima de 3 vezes a relação dívida líquida/Ebitda, nível considerado de atenção pela companhia.

Apesar disso, a administração reiterou a intenção de manter o pagamento de US$ 1 bilhão por ano em dividendos, desde que as condições de alavancagem permitam. Desde 2019, a JBS distribuiu aproximadamente US$ 9,7 bilhões aos acionistas entre dividendos e recompras de ações, acima dos principais concorrentes.

Frango nos EUA desacelera

Outro ponto destacado pelo BofA foi a estabilização da demanda por carne de frango nos Estados Unidos. Segundo a administração, o movimento de substituição da carne bovina pela carne de frango atingiu um limite, enquanto a oferta continua crescendo, pressionando os preços, principalmente do peito de frango.

Ainda assim, o banco mantém recomendação de compra, com preço-alvo de US$ 20, avaliando que a ação oferece uma relação risco-retorno atrativa e que o mercado precifica um cenário excessivamente pessimista para as margens futuras da divisão de carne bovina.

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REFLEXÃO: Michael Batnick, gestor de patrimônios da Ritholtz: Evitar erros catastróficos é mais importante do que construir o portfólio perfeito.

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