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Edição invistaja.info e MarketMsg
palavras-chave: Milhões de barris podem inundar mercado de petróleo – China é determinante na equação; invistaja.info;
O JPMorgan afirma que o mercado de petróleo está passando por uma espécie de “reinicialização” após o conflito entre Estados Unidos e Irã, que interrompeu uma das principais rotas marítimas do mundo e provocou o maior choque de oferta da história moderna. Apesar disso, os preços do petróleo já retornaram para níveis próximos aos registrados antes da guerra, com o brent na casa dos US$ 70 o barril, “como se o episódio não tivesse ocorrido”.
Segundo o banco, a primeira etapa desse processo consiste na normalização da logística. Os embarques de petróleo pelo Estreito de Ormuz estão sendo retomados rapidamente, com exportações já próximas dos níveis anteriores ao conflito. O petróleo que ficou retido durante a guerra está deixando os estoques, enquanto navios petroleiros voltam a se posicionar na região para carregar novas cargas à medida que a produção no Golfo Pérsico é restabelecida.
Na avaliação do JPMorgan, uma nova onda de oferta deve chegar ao mercado nas próximas semanas. O problema é que essa oferta encontrará um mercado que, por ora, não precisa de mais petróleo.
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Durante o conflito, cerca de 11,7 milhões de barris por dia deixaram de ser ofertados globalmente. Parte desse impacto foi compensada pela liberação de estoques estratégicos, sobretudo dos Estados Unidos, e pela redução do consumo. O maior ajuste, porém, veio da China, cuja queda na demanda e nas importações respondeu por quase um terço do reequilíbrio global.
Com isso, refinarias da Ásia e da Europa conseguiram garantir suprimento suficiente para julho e agosto, reduzindo a necessidade de novas compras.
Agora, o petróleo que volta a sair pelo Estreito de Ormuz tem poucos destinos além da China. Entretanto, o país continua comprando menos petróleo, o que aumenta o risco de um excesso temporário de oferta à medida que os barris retidos retornam ao mercado.
Segundo o JPMorgan, o comportamento da China será determinante para os preços globais do petróleo. Apesar de o petróleo tipo Dubai estar em um patamar historicamente atrativo para refinarias chinesas, o país permanece cauteloso.
Durante o conflito, a China reduziu exportações de derivados, cortou o ritmo de processamento das refinarias, aumentou o uso de carvão na indústria química e consumiu estoques comerciais, levando as importações de petróleo ao menor nível desde o fim de 2016. A demanda doméstica por petróleo também caiu cerca de 10%, ou 1,7 milhão de barris por dia, principalmente devido à paralisação de unidades petroquímicas e ao avanço da eletrificação, que reduziu o consumo de combustíveis para transporte.
O banco destaca que autoridades chinesas avaliam se essa retração representa apenas uma reação temporária aos preços elevados ou uma mudança estrutural no padrão de consumo de energia do país.
O cenário-base do JPMorgan continua sendo de recuperação gradual da demanda chinesa. O banco observa sinais iniciais de retomada, como a reativação de parte da capacidade de produção de etileno, melhora das margens das plantas de desidrogenação de propano e estabilização do tráfego aéreo.
Com isso, o JPMorgan projeta que a demanda chinesa por petróleo cairá cerca de 600 mil barris por dia em 2026, mas voltará a crescer 800 mil barris por dia em 2027, elevando o consumo para um nível ligeiramente superior ao observado em 2025.
Recuperação da demanda chinesa será decisiva para o equilíbrio do mercado
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O JPMorgan avalia que, com o início do ciclo de carregamentos de setembro, em agosto, as importações chinesas de petróleo devem começar a se recuperar, favorecidas pela expectativa de redução dos preços oficiais de venda do petróleo produzido no Golfo Pérsico para a Ásia.
O banco também espera uma melhora gradual na atividade das refinarias chinesas, à medida que o país acelera sua estratégia de ampliar a autossuficiência em combustíveis para transporte, produtos petroquímicos, combustíveis militares e querosene de aviação. Apesar de a China caminhar para a autossuficiência em refino, o JPMorgan ressalta que o país continua estruturalmente dependente das importações de petróleo bruto.
A projeção é que as importações marítimas de petróleo da China subam para cerca de 9 milhões de barris por dia em setembro, um aumento de quase 2 milhões de barris por dia em relação aos níveis de maio, avançando posteriormente para aproximadamente 10,5 milhões de barris por dia até o fim de 2026.
Além da recuperação da demanda, o banco acredita que a China deve retomar a recomposição de seus estoques estratégicos, elevando sua cobertura de importações de 114 para cerca de 140 dias. Apenas esse movimento poderá acrescentar aproximadamente 500 mil barris por dia de demanda entre novembro de 2026 e boa parte de 2027.
O principal risco, segundo o JPMorgan, é que o conflito tenha acelerado mudanças estruturais no comportamento do consumo, tornando a economia chinesa menos dependente do petróleo do que o mercado historicamente considerava.
Excesso de oferta a partir de agosto
Outro fator decisivo será o ritmo de recomposição dos estoques no restante do mundo. Mesmo que um excedente de oferta comece a surgir no curto prazo, parte desse volume poderá ser absorvida pela reconstrução dos estoques comerciais e estratégicos.
O JPMorgan projeta que, com a recuperação dos fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz para cerca de 93% da capacidade normal, o mercado começará a registrar superávit a partir de agosto.
Segundo as estimativas do banco, o excesso de oferta deve alcançar cerca de 1,2 milhão de barris por dia inicialmente, aumentar para quase 4 milhões de barris por dia no último trimestre de 2026 e atingir uma média de 3 milhões de barris por dia ao longo de 2027.
Apesar desse aumento na oferta, o JPMorgan não espera uma recomposição imediata dos estoques globais. Parte do petróleo deverá ser direcionada rapidamente para mercados com estoques muito baixos, mas a maioria dos compradores tende a adiar novas aquisições até que os preços fiquem mais atrativos, provavelmente no início de 2027, quando o excesso de oferta se tornar mais evidente e persistente.
Nesse cenário, os estoques globais podem voltar a crescer relativamente rápido, possivelmente até o fim do primeiro trimestre de 2027. Ainda assim, o banco acredita que essa recomposição dificilmente compensará integralmente o volume retirado durante o período do conflito. Nos países fora da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a tendência é que a formação de estoques ocorra cada vez mais nas mãos dos produtores, e não dos consumidores finais.
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REFLEXÃO: Barry Ritholtz, da Bloomberg: Mantenha a simplicidade, faço menos e administre sua estupidez.
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