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palavras-chave: Omã avisa aliados que pode passar a cobrar pedágio no Estreito de Ormuz; invistaja.info;
Omã sinalizou a autoridades europeias que não vê possibilidade de retorno ao cenário pré-guerra no Estreito de Ormuz e que navios em trânsito pela rota poderão passar a pagar algum tipo de taxa, segundo pessoas a par das conversas.
De acordo com essas fontes, autoridades omanenses disseram que o país continuará respeitando o direito marítimo internacional, mas ponderaram que poderão ser cobrados valores por serviços como descontaminação da via marítima ou apoio à navegação. Ainda não está claro se essas cobranças seriam obrigatórias em todos os casos.
Omã também estaria analisando modelos adotados em outros gargalos do comércio global, como o estreito de Malaca, na Ásia — embora ali não existam tarifas obrigatórias para a navegação.
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A possibilidade de criação de um sistema de pedágio ou taxas em Ormuz, possivelmente em coordenação com o Irã, vem elevando a preocupação de Estados Unidos, Europa e países árabes do Golfo. O tema deve entrar na agenda do encontro entre o presidente francês, Emmanuel Macron, e o sultão de Omã, Haitham bin Tariq, em Paris, na segunda-feira.
Segundo o gabinete de Macron, os dois líderes vão discutir a segurança das rotas marítimas, que depende da passagem “livre e incondicional” pelo estreito. O Ministério das Relações Exteriores de Omã e a embaixada do país na França não comentaram o assunto até o momento.
Omã e Irã dividem o controle geográfico do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito. O Irã fechou a passagem ao atacar e ameaçar embarcações a partir do fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram bombardeios contra a República Islâmica. Governos ocidentais afirmam ainda que Teerã provavelmente instalou minas em partes da região.
Agora, com EUA e Irã em negociações de paz, Teerã insiste em participar da gestão do tráfego marítimo em conjunto com Omã. Para tradings de commodities e empresas de navegação, a eventual cobrança de taxas pode representar um custo anual de dezenas de bilhões de dólares. Governos como os de EUA, Reino Unido, França, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos já alertaram que isso violaria o direito marítimo internacional.
Aliado de Washington, Omã mantém ao mesmo tempo uma relação próxima com o Irã e costuma ser visto como um ator neutro na região — o que lhe rendeu o apelido de “Suíça do Oriente Médio”. Antes da guerra, o país atuava como mediador entre americanos e iranianos.
Nos últimos dias, porém, Mascate tem emitido sinais contraditórios sobre o futuro de Ormuz. Na terça-feira, divulgou uma declaração conjunta com o Irã dizendo que discutiria a operação da hidrovia e os custos associados. Dois dias depois, assinou uma nota com os EUA e o Conselho de Cooperação do Golfo rejeitando “quaisquer pedágios, taxas ou tentativas de exercer controle sobre o estreito”.
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“Eles disseram na reunião e assinaram a declaração afirmando que não haverá taxas nem pedágios, então isso me parece uma boa notícia”, afirmou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, durante visita ao Bahrein.
Ainda assim, autoridades de Omã disseram a europeus que o país está sob pressão do Irã. Durante o conflito, a República Islâmica lançou mísseis e drones pelo Oriente Médio, inclusive contra Omã, e segue como a principal potência militar do Golfo Pérsico, apesar das perdas sofridas nos ataques de EUA e Israel.
“Omã está tentando se equilibrar entre Irã e Estados Unidos, ficando entre a cruz e a espada”, disse Bader Al-Saif, professor da Universidade do Kuwait e pesquisador associado da Chatham House. “Isso funcionou razoavelmente no passado. Mas, com os dois lados em guerra e tentando se sobrepor um ao outro, esse comportamento omanense tende a cobrar um preço.”
O Irã já afirmou que navios que cruzarem o estreito precisarão contratar seguro junto ao país e sinalizou que essas apólices só serão gratuitas por cerca de 60 dias. O tema virou um dos principais pontos de atrito nas negociações entre Teerã e Washington por um acordo de paz definitivo, após quase quatro meses de guerra.
Na quinta-feira, Rubio disse que o Irã terá de garantir passagem sem pedágio em Ormuz se quiser fechar um acordo formal com os EUA. Caso contrário, afirmou, outros países poderão tentar fazer o mesmo em gargalos marítimos estratégicos, o que levaria ao “caos”.
O fluxo de petróleo por Ormuz reagiu desde que o presidente Donald Trump assinou, na semana passada, um acordo interino de paz com o Irã, movimento que ajudou a derrubar os preços do petróleo. Ainda assim, o tráfego segue bem abaixo do nível pré-guerra, e os riscos permanecem. Na quinta-feira, o porta-contêineres Ever Lovely foi atingido na região.
A maior parte dos governos defende que navios possam atravessar Ormuz sem pagar taxas. Em geral, essa é também a regra em outros estreitos naturais compartilhados por mais de um país. No estreito de Malaca, por exemplo, Indonésia, Malásia e Cingapura administram a rota de forma coordenada e cobram apenas por serviços específicos de navegação e segurança, quando necessários.
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