Quando a população brasileira será vacinada contra a Covid-19? Veja os cenários otimistas e pessimistas

Especialistas elencam motivos para esperança e preocupação
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Edição MarketMsg e invistaja.info

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BRASIL | invistaja.info — O Brasil tem uma população de mais de 210 milhões de habitantes – e já perdeu mais de 298 mil deles para a Covid-19, segundo balanço divulgado na terça-feira (23) por um consórcio de veículos de imprensa. O avanço da pandemia do novo COVID-19 foi responsável por uma. Apenas na terça-feira, foram 3.158 óbitos.

A vacinação é a solução mais eficaz para reduzir casos, internações e óbitos. O Brasil já aplicou ao menos a primeira dose da vacina contra a Covid-19 em cerca de 12,8 milhões de brasileiros, ou 6,04% da população, segundo o consórcio.

Mas quanto tempo vai demorar para vacinarmos todos os grupos prioritários? E quando toda a população adulta estará imunizada?

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Com entregas normalizadas de insumos para as vacinas e anúncios recentes de contratos para aquisição de doses, é possível que haja uma aceleração das doses contra a Covid-19. Por outro lado, a disparidade entre os estados brasileiros na decisão de grupos prioritários, distribuição e aplicação das doses; a falta de aprovação sanitária para muitas das vacinas prometidas pelo Ministério da Saúde; e a demora em negociar com os produtores dos imunizantes jogam contra uma imunização completa ainda em 2021.

O (MarketMsg) compilou as projeções divulgadas pelo Ministério da Saúde, ouviu especialistas em saúde e consultou estudos para traçar cenários otimistas e pessimistas sobre a vacinação brasileira contra a Covid-19. As projeções consideram um regime de aplicação de duas doses. Veja um resumo das projeções, com explicações e ponderações abaixo:

Quais são os grupos prioritários e quando serão vacinados?

O Ministério da Saúde publicou sua última atualização de grupos prioritários em janeiro de 2021, quando Eduardo Pazuello ainda era o ministro da pasta. O atual ministro é Eduardo Queiroga, empossado na terça-feira (23). São quase 77,3 milhões de habitantes incluídos na prioridade de imunização, na seguinte ordem:

Considerando o número divulgado de 77,3 milhões de habitantes em todos os grupos prioritários listados pelo Ministério, seria necessário obter 154,6 milhões de vacinas para vacinar todos os brasileiros que compõem esses grupos (na grande maioria das vacinas contra Covid-19, o regime de aplicação é de duas doses). Antes de deixar o Ministério da Saúde, Pazuello divulgou um cronograma de entrega de doses ao Brasil:

Com base nessas entregas, as doses necessárias para vacinar os grupos prioritários – ou seja, até o Grupo Prioritário 3 do quadro – seriam atingidas até o final de maio de 2021.

Para especialistas ouvidos pelo (invistaja.info), a incerteza começa ao definir quais grupos prioritários já foram vacinados entre os 12,8 milhões brasileiros que receberam ao menos a primeira dose, e se essa imunização foi completada. Porém, a imunização não aconteceu eliminando grupo por grupo. A Rede de Pesquisa Solidária, grupo formado por pesquisadores independentes, mostrou no começo deste março que, entre os nove primeiros grupos dos 29 listados como prioritários, somente 32% receberam a primeira dose. 56% dos trabalhadores de saúde, 55% dos indígenas e 54% das pessoas com 80 anos ou mais de idade teriam conseguido receber a primeira aplicação da vacina até 6 de março.

Marcos Boulos, professor da Faculdade de Medicina da USP e membro do Centro de Contingência contra a Covid-19 de São Paulo, é otimista na vacinação dos grupos prioritários. Para o docente, é possível atingir a vacinação de idosos com 60 anos ou mais de idade nesse prazo – mas não chegar até pessoas com comorbidades.

“Já estamos vacinando idosos por volta dos 75 anos, então pode ser que cheguemos aos de 60 anos em dois meses e meio por meio de vacinas compradas prontas e da normalização da importação de insumos”, analisa o professor. “Mas a dosagem que permite imunizar todos os grupos prioritários até maio, como prevê o governo, só pode ser obtida por aquisições, indo além de CoronaVac e Oxford/AstraZeneca. Já deveriam ter sido compradas, mas o governo não liderou o processo de controle da doença. Ficaram olhando enquanto outros países organizavam suas compras, sem fazer a lição de casa.”

Outros especialistas ressaltam que a projeção do Ministério da Saúde conta com alguns acordos que ainda não foram devidamente assinados, e nem suas doses começaram a produção.

Ricardo Oliva, ex-diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), alerta que entraram na conta do ministro vacinas contra Covid-19 como Covaxin (Precisa – Bharat Biotech/Índia) e Sputnik V (União Química – Gamaleya/Rússia), que não receberam aprovação de uso emergencial ou registro definitivo pela Anvisa.

“Ninguém sabe quando vai ocorrer a regularização de toda a documentação necessária para o registro emergencial ou definitivo pela Anvisa. Contrato sem registro na Anvisa não garante nada. As incertezas são maiores do que as promessas”, alerta Oliva.

A Anvisa concedeu registro definitivo apenas aos imunizantes produzidos pelas instituições britânicas AstraZeneca/Oxford e pelo laboratório americano Pfizer. O uso emergencial foi aprovado para a CoronaVac. O laboratório União Química, que representa a Sputnik V no Brasil, reuniu-se com a Anvisa na última quarta-feira (17). Os resultados da reunião ainda não foram divulgados.

“Cientistas estão esperando para ver a capacidade de produção e entrega das empresas, inclusive das locais, após a transferência de tecnologia”, afirma Natalia Pasternak, pHd em Microbiologia e diretora-presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC). Essa importação de tecnologia deve ser vista como um conjunto de atividades que visa a introdução de novos procedimentos para que o medicamento seja produzido nacionalmente (veja mais).

Já a XP Investimentos traçou diversas possibilidades para a vacinação prioritária contra Covid-19 no Brasil. Um estudo assinado pelos estrategistas de macroeconomia Alexandre Maluf e Victor Scalet mostra quatro cenários. O mais pessimista considera que o ritmo de vacinação continuará igual ao atual; o segundo cenário considera que o Brasil dobre suas aplicações diárias de vacinas, para 697,5 mil; o terceiro assume um cenário em que o ritmo de vacinação aceleraria gradualmente e chegaria a 1 milhão de doses aplicadas diariamente, estabilizando-se nesse ritmo depois; por fim, o cenário mais otimista prevê que todas as vacinas recebidas dentro de um mês sejam aplicadas, sem gargalos de planejamento e distribuição.

Considerando esses quatro cenários, a aplicação de 66 milhões de doses (que serviria para vacinar o com duas doses o grupo de idosos com 60 anos de idade ou mais) aconteceria entre 9 de abril (cenário mais otimista) e 19 de agosto (mais pessimista). A projeção do Ministério da Saúde fica justamente no meio desse intervalo.

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Veja as datas consideradas pela XP Investimentos abaixo:

Quando toda a população brasileira será vacinada?

Para vacinar toda a população brasileira com 18 anos de idade ou mais, estimada em cerca de 164 milhões de habitantes pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), seria necessário atingir 328 milhões de doses.

O prazo dado pelo Ministério da Saúde para atingir tais doses seria até o final de setembro de 2021, com base na tabela de entrega de doses divulgada por Pazuello. O então ministro da Saúde afirmou, em coletiva realizada em 18 de março junto de Queiroga, que espera vacinar metade da população até julho e o restante até dezembro de 2021.

A XP Asset Management, gestora de investimentos, está otimista diante das entregas de matéria-prima. “Ao contrário das vacinas prontas, a importação do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) necessário para a produção nacional já flui normalmente há semanas. Após os atrasos de janeiro, os prazos vêm sendo rigorosamente cumpridos, e já importamos IFA suficiente para a produção de dezenas de milhões de doses”, analisou anteriormente Fernando Genta, economista-chefe da XP Asset Management, em coluna publicada pelo (invistaja.info).

Em entrevista ao (invistaja.info), outro ponto destacado por Genta foi a decisão de usar imediatamente as vacinas contra a Covid-19 entregues aos estados e municípios. A medida, anunciada pelo Ministério da Saúde no último domingo (21), permite ampliar o número de vacinados em todo o país ao deixar de manter segundas doses estocadas. Colocar todas as doses disponíveis como primeira aplicação deve acelerar o cronograma. “Mostra confiança na capacidade de entrega do Instituto Butantan [CoronaVac] e da Fiocruz [Oxford/AstraZeneca]. Especialmente no Butantan, que entrega a maioria das vacinas hoje”, diz o economista-chefe.

Mesmo assim, Genta diz que a XP Asset considerou um cronograma mais modesto do que o proposto anteriormente pelo Ministério da Saúde. Por exemplo, a gestora projetou uma entrega de 20 milhões de doses em março, ante as cerca de 38 milhões estimadas pela pasta. As próximas entregas da vacina AstraZeneca/Oxford vindas da Índia devem acontecer em duas tranches de 4 milhões de doses em junho e julho, diz Genta. O Ministério projetou quatro tranches de 2 milhões de doses, começando já em abril.

Inclusive, a pasta já anunciou diversas revisões de entregas em relação ao cronograma original. As 38 milhões de doses previstas para março foram reduzidas para entre 25 milhões e 28 milhões, segundo estimativas da agência de notícias Reuters. Apenas para abril serão 47,3 milhões de doses, ante a primeira projeção de cerca de 57 milhões, de acordo com a emissora CNN. Até esta quarta-feira (24), tais alterações não mudaram a promessa do Ministério da Saúde de vacinar toda a população ainda em 2021.

Assim como Oliva, o economista-chefe da XP Asset ressalta que contratos com Covaxin e Sputnik V ainda não foram assinados, assim como os imunizantes não receberam aprovação da Anvisa. Portanto, ficaram de fora dos cálculos da gestora. Foram consideradas apenas as vacinas CoronaVac, Oxford/AstraZeneca e Pfizer. No caso da Oxford/AstraZeneca, as entregas incluem tanto a produção pela Fiocruz quanto importações da Índia e entregas do consórcio de vacinas Covax Facility/OMS.

Genta fez projeções de vacinação para a população adulta brasileira, entre 20 e 59 anos de idade. Foram consideradas as faixas etárias do IBGE. A XP Asset tem uma projeção mais otimista do que a do Ministério da Saúde: todos os brasileiros acima de 20 anos estariam vacinados com a primeira dose até o fim de agosto de 2021, e com a segunda dose até o fim de setembro de 2021 (para CoronaVac e Pfizer) ou até o fim de novembro de 2021 (para Oxford/AstraZeneca). No primeiro caso, o intervalo entre as aplicações seria de até um mês. No segundo caso, de até três meses.

Essa projeção considera que 75% dessa população queira se vacinar, totalizando 114,5 milhões de vacinados com a primeira dose que tenham acima de 20 anos de idade. A XP Asset elencou sobra de doses, que poderiam ser usadas para completar a imunização. Veja a tabela, que considera aplicações de primeira dose. Em sublinhado, a imunização com primeira dose de cada faixa etária:

Já para Boulos, não conseguiremos vacinar todo o país em 2021. “A vacinação de toda a população brasileira só deve ser terminada no primeiro semestre de 2022. Uma mudança nesse cenário só viria se o governo surpreendesse, mudasse sua política e passasse da resolução de que precisa vacinar para o investimento. Como entrou tarde na competição pelos imunizantes, não encontrará as mesmas condições. O consumo é maior do que a oferta neste momento, e é preciso parar de brigar com os produtores de vacinas”, diz o professor de Medicina da USP.

Oliva destaca preocupações vistas também na imunização dos grupos prioritários: definição clara de prioridades; distribuição de doses de acordo com a população correspondente a cada prioridade; e a certeza de que os contratos para recebimentos futuros de doses foram de fato assinados e contam com aprovação da Anvisa. A imunização de toda a população brasileira também só deve acontecer no primeiro semestre de 2022, na visão do ex-diretor da Anvisa.

A The Economist Intelligence Unit, unidade de inteligência a revista britânica de economia, estimou no final de fevereiro que a vacinação brasileira será massificada apenas a partir da metade de 2022. “Brasil e México, as duas maiores economias da região [América Latina], estão indo especialmente mal e refletem uma resposta ruim à pandemia. Porém, esses dois países devem logo hospedar fábricas de vacinas, o que deve aumentar as taxas de imunização.”

O Instituto Butantan espera começar sua produção em escala industrial da CoronaVac, com insumos e envases totalmente nacionais, em janeiro de 2022. Obras para a fábrica devem ser finalizadas em setembro de 2021.

Quando a vacinação impactará a economia?

Economistas afirmam que, uma vez vacinada a população que corre mais risco, será possível observar uma retomada mais consistente das atividades econômicas mesmo antes de toda a população estar imunizada, já que a parcela da população mais vulnerável ao vírus estará protegida.

Genta estima que um grande impacto na redução de internações e mortes por Covid-19 é visto em até dois meses após a vacinação de pessoas com 50 anos de idade ou mais. O número de óbitos pode ser reduzido a um terço do visto hoje após esse período. “Leva-se certo tempo para que a vacina faça efeito. Essa faixa etária responde por 80% da ocupação de leitos de UTI, e por 90% das mortes pelo novo coronavírus”, analisa o economista-chefe da XP Asset.

Boulos também afirma que as imunizações tendem a melhorar, destacando o período após a vacinação de pessoas com comorbidades. Até o final deste ano, segundo o médico, chegaríamos a uma imunidade que protegeria os que ainda não foram vacinados, como menores de idade. “Após vacinados os grupos de risco, o quadro de contágio já fica muito melhor. No final do ano, espera-se uma imunidade coletiva que proteja os não vacinados, como as crianças.”

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REFLEXÃO: Morgan Housel: Se preocupe somente quando você achar que tiver tudo resolvido.

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