Turismo de vacina: com perspectiva incerta de imunização em território nacional, brasileiros viajam para se vacinar no exterior

No salve-se quem puder de uma pandemia ainda difícil de ser controlada, quem tem condições pode se imunizar antes, o que gera questionamentos morais
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BRASÍLIA | invistaja.info — Enquanto os programas de vacinação contra Covid-19 em alguns países, inclusive o Brasil, estão lentos, outros locais já conseguem estender sua oferta de vacinas até para turistas — sem exigir o status de residente de quem será imunizado. Essa diferença global na oferta da vacina gerou um fenômeno que ficou conhecido como “turismo de vacina”.

“Eu tenho 29 anos e, no Brasil, não temos ideia de quando as pessoas da minha idade irão se vacinar”, conta Maria Fernanda Gimenes, que viajou até a Flórida, onde a mãe mora atualmente, para se vacinar. E pode escolher: “Eu ia tomar a da Johnson, mas vi que tinha uma eficácia um pouco menor e optei por tomar a da Moderna”, disse.

Maria Fernanda chegou aos Estados Unidos no início de maio e tomou a vacina no dia seguinte. Pretende voltar ao Brasil em meados de junho, após a segunda dose programada.

+Mais de mil cidades ficaram sem vacina esta semana

A história de brasileiros que aproveitaram os laços nos Estados Unidos para buscar a imunização se repete. No caso da Cristina R., que pediu para não ser identificada para não envolver a empresa onde o marido trabalha, a conexão veio justamente pelo vínculo profissional do marido.

O casal morou por dez anos nos Estados Unidos e, agora, tem cidadania americana. Eles mantêm um imóvel no país e, ao se registrarem para a vacina no estado do Kentucky, tiveram de apresentar um comprovante. “Muitos amigos me perguntam como fazer para a tomar a vacina aqui. Mas, se a pessoa não tem imóvel, fica mais complicado. A gente tem o escritório da empresa onde meu marido trabalha, o apartamento em que estamos é da empresa”, conta Cristina.

Ela tem 42 anos. Ele, 45. Nenhum dos dois tinha perspectiva de se vacinar no Brasil tão cedo. Nos Estados Unidos, se vacinaram no dia que chegaram — tomaram a dose única da Janssen. Os dois viajaram com a filha de dez anos que, por pouco, não entra no grupo de vacinação infantil. “Saiu recentemente a vacinação para maiores de 12 anos; se fosse algo rápido provavelmente a gente esperaria um pouco mais. Mas estamos há quase dois meses aqui e voltamos semana que vem”, conta.

Assim que a vacina for liberada para crianças menores, ela voltará aos Estados Unidos para imunizar a filha.

Como funciona o turismo de vacina

Não há restrições legais em relação ao turismo espontâneo realizado pelo cidadão por conta de ofertas de vacinas em outros lugares — desde que a pessoa respeite restrições de entrada e, caso existam, requisitos de residência.

“Quem tem cidadania americana e mora no Brasil tem entrada facilitada no Estado americano. Agora, quem tem familiares nos Estados Unidos e indica o endereço residencial dessas pessoas como próprio está agindo de modo fraudulento”, explica o advogado Gustavo Ferraz de Campos Monaco, professor titular de Direito Internacional Privado da Universidade de São Paulo (USP).

“É aquilo que nós temos o mau hábito de chamar de ‘jeitinho brasileiro’, mas que não deixa de ser a indicação fraudulenta de um vínculo que não existe. Pelo menos não para aquela pessoa”, completa.

Por outro lado, há uma questão jurídica maior do que os indivíduos, explica o especialista. “Quem se organizou e adquiriu as vacinas com presteza está agora podendo vacinar a sua população em larga escala, inclusive oferecendo àqueles que desejam retomar uma vida normal de turismo internacional”, explica.

Algumas regiões, inclusive, passaram a abertamente oferecer vacinas para turismo. Nova York anunciou que iria vacinar turistas em plena Times Square. A Romênia passou a oferecer vacinas contra Covid-19 no castelo do Conde Drácula. “Tornou-se uma medida até para retomada do turismo. Essa vacinação acontece, às vezes, até no próprio aeroporto, no desembarque”, conta Monaco.

E já existem brasileiros prontos para aproveitar a oferta dedicada a turistas. Anderson Dias do Vale, 27 anos, é criador de conteúdo digital e dono da conta especializada em viagens, @196sonhos, no Instagram. Ele está atualmente cumprindo uma quarentena de 14 dias na Costa Rica para conseguir entrar nos Estados Unidos e tomar sua vacina na Times Square.

Conforme os países reabrem suas fronteiras para viajantes já vacinados, sua ideia é usar o passaporte de vacina que vai obter em Nova York para tocar um projeto profissional que envolve viagens internacionais. “Outro motivo é que peguei coronavírus e fiquei muito mal. Não quero pegar de novo”, disse.

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Risco para quem fica, e risco para quem vai

Se por um lado o fluxo de turistas é positivo para a economia, por outro apresenta um risco em relação à saúde pública. A maior preocupação atualmente é com as mutações do coronavírus que, se não controladas, podem gerar uma variante resistente a uma ou outra vacina. É o que explica o médico Thiago Morbi, especialista em infectologia e médico da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

“Esse é um grande problema principalmente em países que não estão conseguindo controlar muito bem as taxas de infecção. Pode surgir uma mutação que escape de alguma vacina e esse turismo pode potencializar a ida dessas mutações para outros países”, conta.

As mutações não são o único problema. Conforme os países avançam nas vacinações e reduzem suas taxas de infecções, as medidas de prevenção e combate à pandemia são reduzidas. Nos Estados Unidos, por exemplo, quem é vacinado não precisa mais usar máscaras em algumas cidades (cada estado tem a sua regra).

Uma mutação resistente às vacinas que for eventualmente levada para lá pode começar um novo surto e nova pandemia. “O risco dessas viagens, tanto durante o voo, quanto no destino, é justamente levar uma mutação para essas regiões”, diz Morbi.

Mesmo sabendo dos riscos da viagem, para muitos que buscaram as vacinas fora de seus países, essa era vista como a única opção. “A gente realmente tomou essa decisão porque estávamos bem preocupados”, conta Cristina. O casal conta que ainda toma os cuidados com máscaras, distanciamento social e álcool em gel — especialmente por conta da filha, que ainda não pode se vacinar.

A viagem valeu a pena também para a professora Daniela Rivas Chavarría, mexicana de 29 anos que foi até o estado americano do Texas para se vacinar. Para ela, o problema não foi nem a questão da campanha de vacinação no México estar lenta, mas a falta de confiança nas autoridades do seu país.

“Eu ouvi tantas histórias”, conta, afirmando que o processo por lá era de honestidade duvidosa. “Há suspeitas sobre eles injetarem apenas um soro e revender a vacina, ou questões com a administração da segunda dose. Então, a gente decidiu fazer o processo de uma maneira mais segura”, disse.

No meio de abril, Daniela aproveitou que as aulas que dá estavam acontecendo online e foi visitar os tios que moram em San Antonio, no Texas. “Foi uma maneira fácil para gente”. Ela se registrou online, comprou a passagem para o dia da sua vacinação e ficou por mais três semanas para tomar a segunda dose. Voltou para o México recentemente.

“Assim que as vagas abrem, é fácil pegar horários. Você só precisa se registrar e ir para o lugar na hora correta”, conta. No Texas, um dos estados americanos com maior população de origem hispânica e latina, eles só pediram um documento de identidade com foto para ela. “Eles só queriam confirmar que eu era a pessoa que tinha se registrado.”

O timing para ela foi perfeito: a escola onde trabalha vai passar a um esquema híbrido de aulas in loco e online, disse.

Vacinas para poucos

A questão de quem consegue viajar para se vacinar antes de outros compatriotas é complexa e tem levantado questionamentos morais. “Esse turismo da vacina escancara a concentração de renda. Pessoas com mais recursos financeiros do que a população em geral conseguem uma melhor qualidade na saúde”, diz o médico Thiago Morbi.

Ele lembra que isso acontece no setor de saúde como um todo e também que existem outros tipos de viagens internacionais que têm como objetivo tratar problemas de saúde, como doenças raras, ou até mesmo realizar procedimentos estéticos — serviços reservados a quem tem dinheiro para bancá-los.

“Tudo isso, no fundo, é um problema relacionado com a desorganização que o Brasil vive desde o início da pandemia, somando as recusas sistemáticas do governo federal na aquisição de vacinas oferecidas por grandes produtores mundiais”, diz o advogado Gustavo Monaco.

Por questões globais e ineficiências regionais, acaba faltando vacina para uns e sobrando para outros. No salve-se quem puder de uma pandemia ainda difícil de ser controlada, com vacinas atrasadas e má gestão de recursos, o chamado “turismo de vacinas” prospera.

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