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Venezuela: equipes correm contra o tempo para encontrar sobreviventes após terremotos

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Edição MarketMsg e invistaja.info

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Venezuelanos desesperados e equipes de resgate estrangeiras corriam contra o tempo nesta sexta-feira para encontrar sobreviventes sob escombros após dois terremotos atingirem áreas de Caracas e arredores, enquanto a frustração aumentava diante da falta de equipamentos pesados e o número de mortos se aproximava de 1.000.

Equipes de resgate e ajuda estrangeiras começaram a chegar quase dois dias após os tremores de magnitude 7,2 e 7,5 atingirem uma região a cerca de 160km a oeste de Caracas.

O governo estima que centenas de pessoas ainda estejam presas e desaparecidas além das 920 mortes confirmadas e dos 3.360 feridos. Site criado para receber relatos de pessoas ainda desaparecidas tinha mais de 50.000 cadastros na tarde desta sexta-feira. O chefe de ajuda humanitária da ONU apresentou um número semelhante.

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O Serviço Geológico dos Estados Unidos previu um alto potencial para mais de 10.000 mortes, o que situaria o duplo terremoto entre os mais mortais da América Latina no último século.

La Guaira, cidade costeira nos arredores de Caracas, foi a mais afetada, com pelo menos 100 edifícios, incluindo prédios residenciais de diversos andares, desabando completamente.

Jennifer Palacios, de 25 anos, disse que os tremores ocorreram quando ela estava por um breve momento fora de casa, no complexo habitacional Hugo Chávez, composto por oito torres e nomeado em homenagem ao falecido líder socialista da Venezuela, soterrando seu filho de 6 anos e outros cinco parentes.

“Foi a comunidade que conseguiu resgatar as pessoas com vida”, disse ela, sentada em uma cadeira de plástico em frente aos escombros. “Precisamos que tragam guindastes para remover as lajes. Ainda há pessoas presas.”

Testemunhas da Reuters percorreram rodovias rachadas pelos terremotos e passaram por dezenas de prédios reduzidos a pedaços de concreto quebrado e metal retorcido. Algumas ruínas estavam pichadas com os nomes dos edifícios, numa tentativa de ajudar os socorristas a identificar os locais.

Ajuda esparsa

O governo da presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após os Estados Unidos capturarem seu antecessor, em janeiro, prometeu um grande envio de ajuda. A televisão estatal exibiu imagens dela em visita a La Guaira na quinta-feira.

Mas por enquanto a ajuda tem sido, de modo geral, irregular nesta sexta-feira, com autoridades como bombeiros, polícia, defesa civil e militares nas ruas em alguns lugares, mas ausentes ou com presença mínima em outros.

O advogado Ricardo Trias, de 73 anos, tentava obter uma certidão de óbito para seu afilhado, cujo corpo foi retirado dos escombros de seu prédio na cidade de Caraballeda na noite de quinta-feira e permanece no local, coberto com um pano verde.

“Queremos que nos entreguem o corpo… não podemos levá-lo e aqui ele vai apodrecer”, disse Trias. “Nenhuma autoridade forense apareceu.”

Trias disse que sua afilhada, de 33 anos, foi resgatada e levada para um hospital em Caracas.

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Moradores que vasculhavam os escombros com as próprias mãos ou ferramentas improvisadas denunciaram a falta de ajuda do Estado e de equipamentos pesados, enquanto voluntários traziam suprimentos em motocicletas de Caracas e Valência.

Rodríguez, segundo quem o Estado de La Guaira seria “militarizado” para facilitar os trabalhos de resgate, agradeceu às caravanas de voluntários e disse que o governo já havia distribuído 2.600 toneladas de alimentos.

Uma equipe da Reuters observou patrulhas de motocicleta da polícia e da guarda nacional na estrada que leva à comunidade de Los Corales, em La Guaira, uma das mais atingidas.

O desastre pode ter consequências políticas para Rodríguez, que tem procurado se apresentar como uma agente de mudança política, apesar de ter sido vice-presidente do deposto Nicolás Maduro.

Mobilização internacional

Equipes de resgate estrangeiras — incluindo algumas de países que se opuseram à Venezuela durante décadas de isolamento internacional, repressão política e deterioração econômica — começaram a chegar na noite de quinta-feira, com um pequeno contingente da República Dominicana sendo o primeiro a acessar La Guaira.

Diversos países, incluindo a Índia e a Suíça, enviaram equipes de resgate e suprimentos. O México, com sua própria experiência em recuperação de terremotos, enviou 250 militares de resgate, além de cinco cães de resgate e outros equipamentos.

Mais de 60 colombianos chegaram nesta sexta-feira, assim como mais de 180 socorristas de uma equipe salvadorenha prometida de 300 pessoas e quase 100 da Espanha.

Os Estados Unidos anunciaram a mobilização de US$150 milhões em ajuda e o relaxamento das sanções para facilitar o socorro às vítimas do terremoto. As Forças Armadas norte-americanas enviaram dois navios e informaram que helicópteros e aeronaves darão suporte às operações de busca e resgate.

Em Los Corales, 50 pessoas da equipe de El Salvador avaliavam as ruínas dos três prédios de 10 andares que compunham o complexo Coral Mar, usando drones, câmeras térmicas e cães farejadores para descobrir se ainda havia sobreviventes no interior dos edifícios.

“As pessoas nos disseram que conseguem ouvir outras pessoas. Elas ligam para elas, elas atendem o telefone e conseguem ouvir pessoas gritando e chamando”, disse o Dr. Roberto Gavidia, chefe da equipe, que também trabalhou no Haiti e na Turquia.

A equipe ainda não havia encontrado nenhum sobrevivente.

O terremoto atingiu uma nação já fragilizada por décadas de turbulência econômica e política que empobreceu seus habitantes, forçou milhões a emigrar e deteriorou a infraestrutura e os serviços básicos.

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